Não estarei preparado para uma fidelidade radical ao Evangelho enquanto não estiver pronto para ser contado entre os hereges. Isto é, enquanto meu caminho não se encontrar, por identificação, coragem e desapego ao ego, com o do crucificado.
O contraditório nos melhora. Reconhecê-lo e saber tirar proveito dele é o que nos livra da tirania do igual, mãe e mestra de tantos 'ismos' destrutivos ao longo da história.
Definitivamente a pergunta “como você tem tratado a vida?” é mais instigante. Ela não impõe limites ao “até quando?”. Não nega as condições necessárias à superação. Mas devolve agência àquela que um dia foi vítima; e lembra que só a ela cabe decidir o que fará com a sua alegria.
Como você tem tratado a vida?”, escreveu-me um amigo. A pergunta dele é uma inversão da fórmula convencional em espanhol: “Cómo te trata la vida?”. Refletindo descobri que minha lupa está mais voltada ao modo como sou tratado que ao modo como trato a vida, a mim mesmo e ao mundo.
Não se trata de negar o trauma. A cura não vem pela negação, mas pelo acolhimento da dor; pela assunção da dificuldade; pelo respeito ao limite. Pode-se, contudo, ousar a se apropriar da história pessoal – seus dons, suas feridas e suas
cicatrizes – se o desejo for o de evoluir.
'Quando vemos religiosos que dizem nunca terem experimentado crises, que sempre foram bastante estáveis em sua comunidade, que sempre se mostraram "boa gente" (...) podemos observar que não são livres, porque não passaram pelas etapas que conduzem à liberdade'. (Segundo Galilea)
“Só podemos encontrar adeus fazendo o que ele fez. Então a conclusão é clara: se Deus se humanizou em Jesus, não há outro meio de encontrar a Deus a não ser tornar-nos profundamente humanos”
Jose Maria Castillo
Quero minha santidade tão humana quanto a de Jesus; cujo andar é pelo ‘caminho estreito’, mais exigente que o do ascético, pois implica presença no mundo, sem receio de se contaminar com sua sujeira. Santidade que não abraça a vida não se converte noutra coisa senão em covardia.
Para alguns, ser louco é o oposto de ser santo. Só uma compreensão muito genérica de ambas, santidade e loucura, pode sustentar tal crença. Nem toda santidade é sã, nem toda loucura, perdição. Por vezes a loucura pode ser um jeito de se achar depois de perdido em meio à multidão.
Agora preciso citar Frederick Buechner: “Mais do que tudo, ser santo é conhecer a alegria. Não felicidade, que vem e vai com os momentos que a ocasionam, mas alegria, que está sempre lá como uma primavera subterrânea não importa quão escura e terrível é a noite”. Pause e respire.