Operadores do direito vivem a ficção de que o poder — mesmo corrompido — se submete às leis, e de que o bandido as obedece simplesmente porque elas existem.
Isso é ridículo. Especialmente numa nação destruída como a nossa.
Precisamos de pessoas boas com poder real para reformar as leis e restabelecer a ordem. E com a noção elementar de que poder só respeita poder.
Hoje, STF e crime organizado não respeitam as leis nem os demais poderes. Acreditar que qualquer reação a isso “quebra a institucionalidade” é admitir que o estado atual de coisas é normal. E isso só pode ser
cumplicidade, vaidade ou ignorância.
Por isso não levo essa gente a sério. E recomendo que ninguém leve.
A live que causou toda esta discussão foi no Instagram, mas a Janja (que nem cargo tem), botou a culpa no discord, o MP acatou, ANPD mandou e agora o Discord vai ser punido, por algo que aconteceu no Instagram, mas a Janja reclamou.
As instituições estão funcionando! 🤡
Jornalista Luís Pablo:
“Vou pedir atenção do povo brasileiro por um minuto, o que está acontecendo comigo é muito grave, eu sou jornalista. Eu fiz uma denúncia de interesse público, apresentei documentos, apresentei imagens e mostrei o uso irregular de um veículo oficial do Tribunal da Justiça do Maranhão por familiares do Ministro Flávio Dino.Mas o fato que denunciei não foi investigado, quem passou a ser investigado fui eu, minha fonte jornalística foi identificada, minha vida privada passou a ser vasculhada…”
Assistir @GloboNews é tipo:
“Hoje um ministro abriu precedente perigoso ao mandar a PF espancar um padre que se recusou a admitir que a corte é divina. Agora vamos para sabatina com o candidato radical maluco que disse que assassinos de crianças não devem ter direito a saidinha”
Olá, Daniela Lima.
Espero que se encontre bem.
O ministro Alexandre de Moraes e o ministro Flávio Dino são suas fontes, disso nós já sabíamos. A questão é que imaginávamos que você tivesse um PINGO de autonomia em relação a eles.
Você conseguiu o inimaginável: defender a perseguição de jornalistas apenas porque a decisão veio de Moraes, em um caso envolvendo Flávio Dino.
Vou te esclarecer umas coisas sobre o caso:
1- Você, propositalmente, usa a palavra "blogueiro" para se referir ao jornalista perseguido por Dino/Moraes.
O uso não é aleatório e você sabe disso.
Você tenta desqualificar o jornalista e diminuir o nível de proteção constitucional do qual ele faz parte.
Sabe quem usou "jornalista" para definir o Luis Pablo? A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, ABRAJI.
O nome disso é covardia, Daniela.
2- Você diz que o jornalista estava errado na matéria que ele fez sobre irregularidades do uso dos carros do Tribunal de Justiça do Maranhão por Flávio Dino.
A pergunta que faço é: você é assessora do Dino?
O jornalista fala sobre uso irregular, mas você só diz que Dino não fez nada de errado porque ele é "muito ameaçado".
Cadê a prova cabal que contradiz a matéria do jornalista?
O Dino esqueceu de te passar?
3- Você não falou o principal: qual é a razão do jornalista estar sendo investigado no STF?
jornalista tem foro no STF? tem algum deputado envolvido? tem algum senador envolvido?
Nada.
Você sabe que não tem, mas esse detalhezinho processual você esqueceu de comentar, né?
Daniela, vou ser bem sincero, o que você fez dá vergonha alheia e pena ao mesmo tempo.
O mais grave já não é uma busca e apreensão. É a sequência.
O jornalista publica uma denúncia. A Justiça apreende seus aparelhos. Os aparelhos revelam sua fonte. Depois, a fonte vira alvo de busca e apreensão.
Enquanto isso, o conteúdo original da denúncia permanece em segundo plano.
É uma inversão extraordinária: em vez de o poder explicar o fato revelado pela imprensa, a máquina do Estado começa a explicar quem contou o fato à imprensa.
No Condomínio Brasília, descobrir o vazamento parece ter se tornado mais urgente do que descobrir se havia algo vazando.
Uma coisa é constatar os efeitos de séculos de escravidão. Outra coisa é invisibilizar milhões de brancos pobres que vivem nesses territórios para fazer parar de pé esse conceito de racismo ambiental.
Samuel Pessôa (BTG/FGV) trouxe um estudo que vai incomodar muita gente.
94% das crianças de uma geração nos EUA foram acompanhadas. Meninas de famílias monoparentais, controlando por renda, evoluem igual no mercado de trabalho. Meninos, não.
E bairros com menos monoparentalidade eliminam a diferença — mesmo pra meninos de famílias monoparentais.
O ponto dele: o Brasil tem dificuldade de admitir que, mesmo numa sociedade desigual, escolhas individuais reforçam armadilhas de pobreza. E quem tá sendo criticado são os pais que somem, não as mães que ficam.
SUR-PRE-SA!! 🤡
"O governo Lula (PT) empenhou 65,29 milhões de reais em emendas parlamentares da senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) após a congressista, em conjunto com o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), denunciar o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) à Polícia Federal (PF) por suposto estupro de vulnerável e tentativa de ocultação de fatos.
O montante representa 96,31% de tudo que o governo empenhou nas emendas de Soraya neste ano até o momento (67,79 milhões de reais). No total, o Orçamento da União de 2026 prevê 74,01 milhões de reais em emendas de Soraya. Até o momento, foram pagos 52,08 milhões de reais do total."
Em depoimento prestado para a Polícia Legislativa, um comerciante afirma ter participado de uma trama para acusar - falsamente - Alfredo Gaspar, hoje vice da campanha de Flávio Bolsonaro. A trama aponta diretamente para o deputado federal Lindbergh Farias e envolve o pagamento de, pelo menos, R$ 16 mil reais...
Vamos de fio (+)
Nunca vou esquecer que as manchetes dessa é poca eram “VEJA O QUE ESSA MULHER FEIA PODE FAZER” “Ninguém esperava mas essa mulher HORRÍVEL soltou sua voz num programa de televisão”
Meu post anterior sobre a polêmica da declaração patrimonial de Erika Hilton ficou grande e pouco claro. Muita gente não leu. Por não ler, não entendeu. Vou ser mais objetivo nesse.
Qual é o meu ponto? Não, não é tão estranho assim Erika ter declarado apenas R$ 15 mil em bens, mesmo estando hoje entre os 0,3% de maior renda do Brasil. Isso, por si só, não autoriza qualquer insinuação de desonestidade.
Revela outra coisa, tão grave quanto: um padrão de consumo absolutamente condenável em nossa sociedade e que não deveria ser reproduzido por referências do campo progressista.
Explico.
O padrão de consumo que ela exibe, com bens de luxo exclusivos, é típico de uma elite composta por multimilionários. Bolsas caríssimas, roupas, acessórios e tudo o mais. Mesmo alguém como Erika, hoje entre os 0,3% de maior renda do Brasil, teria dificuldade para sustentar regularmente um padrão voltado para uma fração ainda mais restrita do topo.
Em alguns casos, as roupas, bolsas e acessórios usados por ela em um único dia de “trabalho” custam mais do que milhões de famílias conseguem juntar depois de uma vida inteira de trabalho para comprar ou simplesmente dar entrada numa casinha e ter um teto para viver.
Aliás, na boa: cabe à esquerda naturalizar e promover marcas que existem justamente para produzir distinção de classe?
Porque esse é um ponto importante. Erika não apenas consome e exibe esses artigos de luxo exclusivos. Ela prestigia e promove publicamente esse universo e essas marcas, cujo negócio depende precisamente da exclusão.
São empresas que vendem para o 0,01% produtos cujo preço proibitivo faz parte da própria mercadoria. Uma bolsa de dezenas ou centenas de milhares de reais vale socialmente porque quase ninguém pode tê-la. A exclusão é parte do produto. O privilégio é parte do produto. A desigualdade é parte do produto.
O que se compra ali é também o direito de ostentar diante dos outros que se pertence a um mundo do qual quase toda a humanidade está excluída.
É difícil imaginar símbolo mais grotesco de uma sociedade dividida em classes: milhões trabalham a vida inteira tentando juntar dinheiro para uma casa, enquanto uma pequena elite carrega no braço (ou coloca alguma trabalhadora para carregar), numa única bolsa, o equivalente ao patrimônio que essas famílias talvez jamais consigam construir.
Essas marcas fazem da desigualdade extrema uma estética. Transformam concentração brutal de riqueza em elegância, exclusão em prestígio e privilégio em mérito. São vitrines de uma sociedade profundamente injusta, na qual o luxo obsceno de uma minoria só pode existir sobre um mundo marcado pela privação de bilhões.
Cabe à esquerda prestigiar isso?
E há um episódio que, para mim, torna essa discussão ainda mais séria.
Em maio de 2023, Erika participou, em São Paulo, da comemoração dos dez anos de uma dessas marcas de luxo, a Bottega Veneta no Brasil, justamente no dia em que a Câmara dos Deputados votava a urgência do Marco Temporal, uma das pautas mais importantes para os povos indígenas naquele momento. Aliás, uma das lutas mais importantes da história do parlamento.
Erika não participou daquela votação.
É legítimo perguntar que tipo de prioridade política está sendo construída quando uma parlamentar da esquerda falta a uma votação dessa dimensão no mesmo dia em que prestigia publicamente uma das maiores marcas de luxo do mundo.
Se a esquerda passa a tratar esse padrão de consumo como referência de sucesso, prestígio, estilo ou emancipação, acaba ajudando a legitimar uma das formas mais explícitas de ostentação da desigualdade.
Nosso papel deveria caminhar no sentido contrário. Diante da ostentação, mostrar a desigualdade que a tornou possível. Diante de uma bolsa que custa o que uma família pobre não consegue acumular em décadas, explicar a brutalidade de uma sociedade que concentra tanto nas mãos de tão poucos.
Diante do luxo obsceno, expor a podridão de um sistema que transforma essa distância social monstruosa em objeto de desejo.
Por fim, é completamente descolado da realidade ver gente de esquerda tratando alguém que há anos está entre os 0,3% de maior renda do país como se continuasse sendo “pobrezinha” porque veio de baixo.
Ter vindo de baixo é parte da trajetória de uma pessoa. Não define eternamente sua posição econômica e social.
Erika recebeu para lá de R$ 2 milhões em remunerações parlamentares ao longo desses anos. Considerando apenas seus subsídios como vereadora e depois como deputada federal, estamos falando de uma renda absolutamente excepcional para os padrões brasileiros.
Para termos dimensão do abismo, o que ela ganhou em 6 anos corresponde a quase 100 anos de salário mínimo, contando 13º. Quase um século de trabalho de quem está na base da pirâmide.
É desse abismo social que estamos falando.
E justamente por isso é tão estranho ver parte da esquerda considerar ofensivo discutir o consumo conspícuo, predatório e exclusivíssimo de marcas de luxo, enquanto considera perfeitamente normal transformar os símbolos mais ostensivos desse mesmo abismo social em referência de sucesso e até de emancipação de minorias.
Emancipação não pode significar conquistar o direito individual de ocupar o lugar reservado aos ricos na estrutura da desigualdade. Para a esquerda, emancipação precisa significar enfrentar a estrutura que produz esses lugares, essas hierarquias e essa desigualdade obscena.
Trabalhei com a Erika Hilton em 2024. Ela era a líder da bancada do PSOL na Câmara. Eu, assessor na área de economia. Em 2024, algumas das pautas mais importantes do país foram votadas, como a segunda fase da Reforma Tributária e o fim do abono salarial para quem ganha mais de 1,5 salário mínimo (gravíssimo, pois impacta diretamente justamente quem sofre na escala 6x1).
Durante toda a Reforma Tributária, por exemplo, nunca troquei uma palavra com a LÍDER da bancada sobre esses temas. Eu era o responsável pela pauta.
Ela nunca estudou uma nota técnica sobre esse tema, nem sequer queria saber do que se tratava, quais eram as polêmicas, quais eram as possibilidades. Nunca participou de absolutamente nada. Total descaso com suas responsabilidades como líder. Não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo no Congresso sobre esse e tantos outros assuntos FUNDAMENTAIS PARA A CLASSE TRABALHADORA.
Na votação do fim do abono salarial para quem ganha mais de 1,5 salário mínimo (uma espécie de 14º salário para o trabalhador formal que está, em muitos casos, na escala 6x1), ela não fez ABSOLUTAMENTE NADA para reverter isso. É só olhar as redes sociais dela na época. É factual.
E ela não era uma parlamentar qualquer. Era a LÍDER. A representante do partido, da bancada e de toda a militância.
Eram outros parlamentares da bancada que assumiam responsabilidades que deveriam ser da líder. A construção de emendas e destaques, as reuniões e toda a articulação em torno dessas pautas ficavam a cargo de outros parlamentares. Eu nem tentava mais falar com ela. Era inacessível, uma verdadeira diva pop.
Duvidam do que eu falo? Peguem, então, a participação dela nas notas taquigráficas e nos vídeos dessas votações históricas e importantes. Está lá. É factual. Tudo registrado. Vamos ver se estou mentindo.
Ela é uma influencer de redes sociais brilhante e da mais alta importância, fundamental na luta contra a escala 6x1, mas é péssima como parlamentar.
E repito: ser parlamentar não é o mesmo que ser influencer. Ser uma boa parlamentar é duríssimo. Tem que se dedicar, trabalhar, estudar, se preparar. Fazer muita coisa nos bastidores que não dá like, não tem glamour, mas é fundamental para a luta institucional.
Podem me cancelar, mas certas coisas precisam ser ditas e debatidas.
Todo mundo sempre teve medo de debater isso publicamente. Medo do cancelamento. Eu me incluo. Mas já tô de saco cheio de ler tanta inverdade sobre a atuação parlamentar dela.
Digo isso como eleitor. É uma declaração pessoal, de minha inteira e exclusiva responsabilidade.
NÓS temos todo o direito de cobrar parlamentares e políticos.