@eibarbarasa Acho que tem um jeito, vc pede pra emitir um boleto de pagamento como vc fosse comprar a vista o carro, entra no aplicativo do seu banco e faz o pagamento com o saldo do crédito do cartão eu que dá pra usar o limite pra pagar boletos com um juros bom
Enquanto isso, no mundo invertido, um imenso debate tomou conta do Brasil às vésperas do Carnaval:
tudo porque, a Acadêmicos de Rio das Pedras, escola de samba estreante no Grupo Especial do Rio de Janeiro resolveu homenagear em seu enredo ninguém menos do que o Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante o exercício de seu segundo mandato.
O Jornal Nacional apresentou uma série de reportagens levantando questões éticas e legais da homenagem a um político no exercício do mandato, em especial em um ano eleitoral. Também empreendeu uma investigação inédita em que apurou-se que grande parte dos recursos utilizados pela referida escola de samba são provenientes de - veja só! - atividades ilícitas.
Na Globo News, sentados em suas indefectíveis poltroninhas, jornalistas, especialistas em Carnaval e outras pessoas muito inteligentes, foram unânimes em afirmar que é lamentável que uma agremiação estreante, sediada em uma comunidade carente, aposte, justamente em seu primeiro enredo na elite do Carnaval carioca, na homenagem a um político populista.
- O Carnaval perdeu sua essência popular, rendeu-se à polarização política - afirmou Natuza Nery.
- Nem no tempo da ditadura se viu uma coisa assim, o Carnaval deve ser resistência contra a opressão, não aliar-se a ela - completou Mirian Leitão.
Quase aos prantos, Daniela Lima interrompeu o debate dizendo:
- Gente! As escolas de samba precisam enaltecer a negritude, a ancestralidade, sei lá, sabe? Tipo, os Orixás das religiões de matriz africana! Nunca se vê essas coisas no Carnaval.
Entrevistado, o comentarista Milton Cunha disse que achava o enredo da Acadêmicos de Rio das Pedras "uó".
Em seu programa na internet, o jornalista Reinaldo Azevedo comparou a homenagem a Bolsonaro no Carnaval aos desfiles militares da Coreia do Norte, em homenagem ao ditador Kim Jong-un. Contudo, em outro programa da internet, o youtuber Monark declarou:
- A escola quer homenagear o Bolsonaro? Foda-se! Cada um faz o que quiser, se não gosta, não assiste. Cada um que faça o enredo que quiser, liberdade de expressão, ué.
O Ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a derrubada do canal de Monark e a remoção imediata do conteúdo da internet, sob ameaça de multa de quinhentos mil reais por dia para a plataforma.
No meio artístico também houve grande repercussão. Em Hollywood, o ator Wagner Moura declarou que os sinais da volta da ditadura são cada vez mais claros.
- É por isso que precisamos fazer mais filmes sobre aquele período sombrio da história brasileira, para que as pessoas despertem enquanto há tempo! - disse Wagner.
Poucos artistas se dispuseram a participar do desfile da Acadêmicos de Rio das Pedras: apenas as atrizes Regina Duarte e Cassia Kiss e alguns cantores sertanejos confirmaram presença, além da cantora Jojô Todinho, eleita rainha de bateria da escola.
Abordado por repórteres no "cercadinho", o presidente Bolsonaro pronunciou-se :
- Eu não tenho nada a ver com isso daí, talquêi? Eu nem tava sabendo, fizeram lá o enredo porque quiseram.
Perguntado se pretendia participar do desfile, o presidente declarou:
- Eu não sei sambar, não, talquêi? Isso aí é coisa lá, sabe, né? Pra aquele pessoal lá - disse o presidente de forma enigmática, provocando intensos risos entre seus apoiadores.
Questionado se pretendia indicar algum representante no desfile, já se afastando dos repórteres, o presidente disse:
- Se a Michele quiser ir com o maquiador ela vai, talquêi?
No meio político as opiniões se dividiram. O deputado Nikolas Ferreira, por exemplo, disse que não via problema nenhum em uma escola de samba homenagear o presidente:
- Os enredos das escolas sempre homenagearam figuras históricas. O presidente Bolsonaro já está nesse patamar - afirmou o deputado.
A oposição, porém, rebelou-se. O senador Randolfe Rodrigues, por exemplo, interrompeu a inauguração de uma importante obra no Amapá - um comedouro para cachorros sem dono, feito de canos de PVC e com telhadinho de chapa galvanizada - para declarar à imprensa presente ao evento:
- É um absurdo que o presidente se utilize de uma festa popular para autopromoção, principalmente em um ano de eleições! Nós vamos fazer de tudo para que esse desfile seja proibido, pois trata-se de um flagrante atentado à nossa democracia.
Os partidos PSOL e Rede ingressaram de maneira conjunta com uma representação no STF pedindo a suspensão do desfile da Acadêmicos de Rio das Pedras e que fosse investigada a possível participação do próprio presidente na escolha do enredo.
Sorteado para relatar o caso, o ministro Alexandre de Moraes deferiu liminarmente o pedido e determinou a proibição de todo o desfile do Grupo Especial até que os fatos fossem apurados. Pressionada, a Liga Independente das Escolas de Samba determinou a suspensão da Acadêmicos de Rio das Pedras.
- Se não vai desfilar é nota zero em todos os quesitos, a escola está rebaixada - declarou o presidente da liga.
Procurados para dar alguma declaração a respeito dos fatos, representantes da escola não puderam se pronunciar, pois, em uma decisão posterior, o ministro Alexandre de Moraes determinou a proibição de entrevistas e da veiculação do samba enredo em todo território nacional, bem como a suspensão das páginas ligadas à escola e seus dirigentes em todas as redes sociais.