Dizem que o inferno é o fim de tudo.
O lugar para onde todos aqueles cansados de procurar o paraíso
chegam com os próprios pés,
obrigados a curvar-se em servidão aos próprios pecados, na coexistência do torturador e do torturado.
Talvez a magoa de pagar pela sentença resida exatamente aí: na irracionalidade de ansiar pelo veredito final enquanto o cogito deseja segurar as mãos daquele que um dia significou tudo mas não era evidência.
Nós deveríamos falar sobre a dor de pagar por algo apenas para enxergar a verdade. Falando demais, persuadindo e enganando. Qual desses será? Querer o bem nem sempre significa querer a verdade.
Que belo sofístico, fala em nome desse bem, mas busca apenas aquilo que os dedos tocam; inflama paixões, mas evita a lógica incômoda de amar; promete verdades, mas cobra apenas o preço da ilusão criada pelos próprios olhos.