Acordo Supremo?
Não, Senhores.
Escrevo isto com o cansaço de quem advoga há mais de duas décadas e já não reconhece o ordenamento jurídico que jurou defender.
Assisto, com melancolia, parte da direita celebrar o arquivamento do feito de Eustáquio, a suposta remessa do INQ 4.781 ao Min. Fachin e a progressão de regime de Débora como se fossem sinais de recuo do Supremo.
Mas não são, e temo que estejamos todos fazendo papel de tolos.
1. A remessa ao Min. Fachin foi alívio de imagem, não restauração do devido processo legal.
Até hoje não sabemos o que, nem quem, integra o objeto desse inquérito. Nunca tivemos acesso, apesar da Súmula Vinculante 14. Agora a situação piorou: perdemos também o direito de petição (art. 5º, XXXIV, "a", da CF). No balcão, não recebem. No sistema eletrônico, é impossível, porque os autos são físicos. Por e-mail, não respondem e nem confirmam o recebimento.
Talvez esse fosse o último direito que nos restava, depois que todas as prerrogativas da Lei 8.906/94 foram violadas sob o silêncio do CFOAB e de sua presidência. Pior que o silêncio: disseram que mentíamos, porque o relator "lhes havia assegurado" que o acesso fora franqueado.
Despachar com o Ministro tornou-se uma lenda, um instituto que um dia existiu. Somos ignorados de todas as formas.
2. O inquérito foi fatiado, e os feitos derivados permanecem com o mesmo relator (Moraes), igualmente inacessíveis.
Não sei dizer quantos são. Descubro a existência de um procedimento quando a imprensa noticia uma decisão e me liga perguntando sobre ela e tenho de responder, constrangido: "Também estou sabendo agora, por você. Nem eu nem meu cliente fomos intimados de nada."
Contraditório? Ampla defesa? Juiz natural? Viraram verbetes de manual ou de jargões rançosos emanados em sessões plenária para defender o Relator em casos envolvendo seu próprio nome em gravíssimos escândalos de corrupção. Afora desse âmbito, esses princípios simplesmente não existem para os "supremos".
3. O Supremo não recuou um milímetro.
A progressão de Débora do regime fechado ao semiaberto é uma boa notícia diante de tudo o que ela sofreu. Mas é apenas a execução ordinária da pena. Recuo seria reconhecer, de ofício, a nulidade absoluta desse processo e devolver a pobre moça, sua liberdade plena. Conceder progressão não é clemência. É o mínimo que a lei já impõe. E cumprir a lei não deveria ser símbolo de recuo, sobretudo a quem tem o dever de cumprí-la.
4. E as famílias?
Penso nas famílias de Clériston Pereira da Cunha, Flávia de Medeiros Ardovino Rosa, Antônio Marques da Silva, Giovanni Carlos dos Santos, Eder Aparecido Jacinto, Kleber Freitas, Jony Figueiredo da Silva, Marco Aurélio, José Fernando Honorato Azevedo, Cláudio Fernando Gonçalves, José Éder Lisboa e Ronaldo Edison Richard.
São vidas que se perderam sob esse regime de exceção, chancelado pela Corte, referendados por figuras como Gilmar Mendes e Flavio Dino que ja ofenderam gravemente a memória dessas pessoas com graves ofensas em plenário.
Penso na família de Rodismar Regasse Liro, autista, com saúde frágil, que segue preso e ainda está vivo e em tantos outros que continuam encarcerados injustamente em processos manifestamente NULOS de pleno Direito.
Dito isso, repito: não basta o impeachment, por crime de responsabilidade, nos termos da Lei 1.079/50. O que queremos ver é a responsabilização civil, com a reparação integral de danos morais, materiais e lucros cessantes a todas as vítimas, inclusive pela via regressiva.
O que queremos ver é a responsabilização penal, com a pena privativa de liberdade cabível, por cada abuso já praticado e pelos que ainda virão à tona.
Aos novos Senadores eleitos, faço um único apelo, com a pouca esperança que me resta:
SEM ANISTIA PARA MORAES!
@flavioahoy@leandroruschel passei pano para essa ele ontem mesmo, tentando ver o lado dele que foi pressionado pelos caras nos últimos doze meses. E hoje, finalmente, que os caras estão recuando ele me vem com essa. Totalmente sem necessidade.
Se criou uma mania de dizer que tudo que a IA faz cria uma débito técnico como se antigamente profissionais sempre tomassem as melhores decisões.
Não canso de lembrar: LLM é uma máquina de imitar. Já provado cientificamente.
@Byanu O Sr só tem me dado alegrias nas últimas semanas. Parabéns e continue com o bom trabalho da correta observabilidade das leis e das normas nacionais e internacionais 🤣
@rafaelgloves Ele passou a eleição inteira falando que a terceira via ia levar. Até parei de seguir pq tava chato pra kcet, agora fez igual a CNT MDA 😂🤣😂🤣
Parece ocorrer em Brasília uma situação análoga à de junho de 2013, que citei em meu livro: ameaças de violência em prédios que não são considerados parte do território brasileiro.
Há 13 (!) anos, vândalos (a tal "minoria de") invadiu o Itamaraty nos protestos que começaram com preço da passagem de ônibus. O que o Ministério das Relações Exteriores tem a ver? Por que não o Ministério da Justiça, ali do lado?
É justamente o eixo central do meu livro: movimentos de massa (cf. Elias Canetti, Eric Hoffer, Ortega y Gasset etc) promovem o caos esperando a resposta das autoridades. É justamente quando um movimento se torna uma revolução, acusando a ordem institucional vigente de truculência. Por isso meu livro é contra a invasão de prédios públicos, mesmo com Dilma Rousseff lá dentro.
O Itamaraty seria estratégico em 2013, sendo um prédio diplomático. Não se alegaria mais uma "disputa" com a Polícia Militar: quem faz a segurança do Itamaraty é a Polícia Federal. A alavancagem do movimento seria estupenda, literalmente, do dia para a noite. Uma revolução não ocorreu no país apenas por algumas vidraças de distância.
Hoje, exatamente os 5 países da Five Eyes Alliance (EUA, Canadá, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia) fecharam as embaixadas com informações sobre o risco de atentados terroristas. A Alemanha também emitiu alerta sobre viagens ao Brasil. Israel e Argentina são esperados para os próximos dias.
Imagine se houver um atentado, geralmente de leve potencial ofensivo - mas o suficiente para causar pânico - contra uma embaixada americana - e um agente americano atua não dentro da embaixada, mas fora do prédio, em solo brasileiro, no fim-de-semana de uma eleição?
Não existe deixa mais perfeita para anular a eleição e alegar interferência estrangeira, gritando a nova palavrinha mágica para ser repetida pelo rebanho: "soberania".
@oviniciuslana Estou usando geral, mas o principal benefício aqui é poder usar todas as minhas assinaturas e não ficar parado quando zera quota. Uso o kanban dele, mas sinceramente não achei vantagem nenhuma no desenvolvimento de um grande projeto, acho até que me atrasou e muito
@ickasdev@typesafeai E veja como tudo é Marketing: na hora começaram os gritos de “acabou para o Jev”. Ngm testou porcaria nenhuma, nem prestaram atenção que era um GPT Luna, nem se questionaram como isso foi montado
@hugofreitas_r Exato. Fora que com Bolsonaro livre, Jair diria uma coisa, Flávio outra, Eduardo lá de fora outra. Jornalistas fariam entrevistas com Jair, que implicariam Flávio e etc. Ao calar o Jair, simplificou a própria organização interna.
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