Uma vez me perguntaram quem era o meu "marxista preferido". Eu respondi: Eduard Bernstein. O sujeito não entendeu, mas Bernstein foi o primeiro socialista realmente científico e o responsável, mesmo sem a intenção, pela crise que matou o marxismo como proposta científica.
Em 1899, ele escreveu uma série de artigos intitulada "Problemas do Socialismo", como um "Desafio à Marx". O que Bernstein fez? Ele decidiu ser científico e foi analisar as estatísticas disponíveis e concluiu que o capitalismo estava melhorando a qualidade de vida da classe trabalhadora e que as expectativas de uma crise "interna das contradições do capitalismo" não era nada crível. Ele exortou os outros marxistas e serem igualmente científicos e repensarem o marxismo como proposta revolucionário.
O resultado? Ele foi expulso do Partido Social Democrata da Alemanha e virou persona non grata. Tudo porque ele foi ver as estatísticas e cobrou um pouco de pensamento crítico dos seus colegas marxistas. Chad demais.
Comentei com Olavo, em nosso podcast de 2006, que, segundo um venezuelano com quem conversara, uma economia em frangalhos não faria o povo se revoltar. Olavo respondeu que a pobreza consolida ditaduras, que apenas a ascensão econômica de uma classe social a faz querer participar também do poder. Assim como a rebelião, "uma revolução custa dinheiro", disse ele. Logo, se o comentário abaixo não for uma piada, tanto pior para o comentarista. Eis o trecho da transcrição do podcast: