André Ventura e a terrível conspiração das perguntas.
André Ventura foi à SIC Notícias explicar como resolveria a crise da habitação. Levou números, propostas, indignação e a habitual coleção de culpados, mas infelizmente, Bernardo Ferrão e Ângela Silva também apareceram e tinham levado perguntas.
É uma prática muito desagradável do jornalismo, esta de convidar uma pessoa para falar e depois insistir em saber o que ela quer dizer. Convidam uma pessoa, oferecem-lhe uma cadeira, põem-lhe um copo de água à frente e depois comportam-se como se tivessem o direito de saber alguma coisa.
Ventura começou por explicar que as casas tinham aumentado 90%, as rendas 30%, os imigrantes eram muitos, o Governo tinha gasto centenas de milhões na REN e que o Estado estava a enriquecer à custa das famílias. Até aqui tudo bem. O desastre estava devidamente identificado e já tinha vários responsáveis, mas depois perguntaram-lhe quanto custavam as soluções, o que foi uma deselegância. Se aumentarmos as deduções fiscais, quanto custa? E quem não paga IRS, recebe o quê? Se reduzirmos o IMI, como compensamos as autarquias? E se as contas públicas não chegarem?
Ventura explicou que não acreditava que fosse necessário aumentar o défice, embora mais tarde tenha admitido que provavelmente poderia ser necessário. Parece uma contradição, mas não é, trata-se apenas de uma previsão que foi mudando de opinião à medida que os jornalistas faziam perguntas. Eu também sou favorável a contas certas, sobretudo quando não são as minhas, e Ventura também parece partilhar deste princípio.
Na TAP, por exemplo, disse exigir caderno de encargos, garantias, fiscalização e monitorização, porque quer conhecer todos os detalhes antes de decidir, o que acho admirável, uma vez que uma companhia aérea é uma coisa muito séria e não se deve embarcar sem saber para onde vamos. Nas propostas do Chega, aparentemente, podemos embarcar primeiro e perguntar pelo combustível depois, o que até vem a propósito, porque combustível foi precisamente o que não faltou à conversa.
Ventura indignou-se com as centenas de milhões aplicadas pelo Estado na REN e explicou que preferia usar aquele dinheiro para baixar os impostos sobre os combustíveis, mas Ferrão teve a inconveniência de perguntar "até quando?":
- "Até fevereiro."
É uma proposta interessante, porque o Governo compra uma participação numa empresa e Ventura prefere usar esse dinheiro para dar um desconto na gasolina durante alguns meses, o que é mais ou menos como vender o frigorífico para comprar comida até fevereiro. Durante uns tempos até podemos comer melhor, mas depois ficamos sem dinheiro, sem frigorífico e com o mesmo problema para resolver.
Quando lhe pediram contas, Ventura explicou que eram escolhas políticas, não números, o que finalmente me pareceu um princípio com que podia concordar, porque também não gosto de números quando chegam à minha conta bancária.
Mas a entrevista tinha outro assunto, as manifestações pela habitação, e foi então que André Ventura nos apresentou uma manifestação absolutamente extraordinária. Começámos com jovens preocupados com as rendas e pouco depois, já tínhamos brasileiros, revolucionários, extrema-esquerda, insultos à polícia, estátuas pintadas, ocupações ilegais, vandalismo, a RTP e Giorgia Meloni, o que me impressionou bastante, porque já tinha visto manifestações crescerem mas nunca uma chegar de Lisboa a Itália sem sair de um estúdio de televisão.
Claro que um manifestante que vandalize património ou desobedeça a uma ordem legítima da polícia deve responder pelos seus atos, mas o problema é que Ventura parecia querer que alguns manifestantes respondessem também pelos atos de todos os outros. Reparem, se um adepto do Benfica partir uma montra, fechamos a Luz. Se um adepto do Porto insultar um polícia, prendemos o plantel inteiro. E se alguém roubar uma carteira num concerto dos Xutos, o Tim vai imediatamente para interrogatório. Poupa-se imenso trabalho de investigação, porque se julgam meia dúzia e condena-se a manifestação inteira.
Ferrão tentou estragar a festa lembrando que nem todos os acampamentos tinham sido violentos, ao que Ventura explicou que alguns tinham sido, o que é irrefutável. Também todos conhecemos pessoas que foram multadas por excesso de velocidade, e felizmente isso ainda não obrigou a polícia a apreender todos os automóveis de Portugal.
Depois veio a grande tese do tratamento especial à esquerda, porque segundo Ventura, se aqueles acampamentos fossem de direita, a história seria completamente diferente. Ferrão lembrou-lhe então o acampamento da restauração junto à Assembleia da República, durante a pandemia, onde o próprio Ventura esteve, pelo que afinal a história já tinha sido outra. Ventura explicou que os manifestantes de então obedeceram à polícia, mas Ângela Silva lembrou-lhe que aquele acampamento também não estava autorizado, ao que ele respondeu que nesse caso a polícia não o tinha desmantelado.
Comecei a ficar preocupado, porque a tese estava a perder peças a uma velocidade impressionante. Primeiro, a direita não podia acampar, depois podia desde que obedecesse, e a seguir soubemos que também tinha acampado sem autorização e ainda faltava o episódio do 25 de Abril, quando Ventura criticou a não autorização de outra manifestação da direita radical. Há políticos que defendem princípios inabaláveis, mas Ventura tem princípios com suspensão independente, que se adaptam muito bem às irregularidades do terreno.
A certa altura, falou dos estrangeiros que estavam no Rossio e Ferrão quis saber como sabia que eram estrangeiros, ao que Ventura respondeu que os tinha ouvido falar. Quando o jornalista observou que podiam ter nacionalidade portuguesa, ouviu-se um "bom, podem ter". Foi um momento enternecedor, porque acabávamos de assistir à naturalização de vários manifestantes em direto, sem filas na AIMA e sem uma única alteração à lei da nacionalidade.
Ventura também defendeu a atuação policial contra as ocupações ilegais do espaço público, posição que Luís Neves já tinha assumido. Pensei imediatamente que aquilo poderia ser o início de uma reconciliação, mas não. Ventura não concorda com Luís Neves em nada, incluindo as coisas em que concorda.
Durante toda esta conversa, Ferrão e Ângela Silva insistiam em voltar à habitação, às rendas, aos apoios, às pessoas que não pagam IRS, aos fundos imobiliários e às contas, o que era quase comovente, porque Ventura procurava mostrar-lhes o mundo inteiro e eles continuavam interessados em saber quem pagava a renda. A situação tornou-se tão grave que o entrevistado começou a explicar aos jornalistas como se faz uma entrevista, acusando-os de interromper, de não o deixarem concluir e de não estarem ali para concorrer com ele, o que é perfeitamente compreensível, porque ninguém, e em especial ele, gosta de ser interrompido quando está a tentar mudar de assunto.
Mas o melhor ainda estava para vir quando chegámos ao caso dos documentos alegadamente retirados do gabinete parlamentar de Ventura, um episódio sério que merece ser investigado e esclarecido. Perguntaram-lhe porque prestara depoimento por escrito e ele explicou que foi essa a modalidade solicitada, mas Ferrão observou que poderia ter-se disponibilizado para depor presencialmente. Claro que poderia, mas não lhe pediram. Portanto, se lhe pedissem, iria, fosse em Lisboa ou no Porto, mas como Ferrão insistiu que podia oferecer-se, voltámos à explicação de que não lhe tinham pedido. É uma conversa que conheço muito bem porque costumava tê-la com a minha mãe quando era criança, embora houvesse uma diferença importante, que é que ela acabava por me mandar arrumar o quarto.
De repente, a conversa já não era sobre a forma como Ventura prestara depoimento, mas sobre ameaças, incêndios, episódios anteriores, o seu estado de saúde e uma campanha de descrédito contra o Chega, pelo que a pergunta tinha desaparecido e, no seu lugar, estava uma conspiração. É uma habilidade política notável esta de nos perguntarem o que fizemos e conseguirmos responder com uma lista do que nos fizeram.
Depois Ângela Silva perguntou se Ventura estava melhor, o que parecia uma pergunta perfeitamente normal, mas ele identificou nela uma intenção jocosa, acusou a jornalista de gozar com a sua saúde e acabou a desejar-lhe boa sorte para os lugares que PS ou PSD eventualmente lhe arranjassem, consoante as suas preferências políticas. Ao fim de uma entrevista, já não era Ventura que precisava de esclarecer a utilização dos números, as contradições sobre os acampamentos ou o depoimento sobre o gabinete, era Ângela Silva que precisava de esclarecer a sua carreira política imaginária. Extraordinário.
O homem que tinha ido à televisão denunciar os privilégios do sistema, terminou a distribuir suspeitas de futuros empregos aos jornalistas e ainda houve tempo para anunciar que a Iniciativa Liberal conta pouco e que as decisões importantes passam essencialmente por PS, PSD e Chega, o que é uma evolução admirável, porque Ventura passou anos a denunciar o sistema e agora já explica quem tem direito a sentar-se à mesa. O revolucionário chegou finalmente à administração do condomínio.
Mas voltemos à habitação porque apesar de tudo, há um problema muito sério por resolver. As casas são caras, as rendas esmagam rendimentos, a construção não acompanha as necessidades e há pessoas para quem o mercado não oferece qualquer solução. Ventura tem razão em apontar algumas dessas dificuldades e tem também o direito de apresentar propostas diferentes das do Governo, até de defender mais despesa pública, se explicar como a financia e quais são as consequências.
O que não pode é querer que uma proposta seja considerada uma solução apenas porque foi pronunciada com indignação suficiente. Há uma diferença entre dizer que vamos baixar impostos, aumentar apoios, reduzir combustíveis, proteger inquilinos e ajudar famílias e explicar como se faz tudo isso ao mesmo tempo. Uma coisa é um programa de governo, a outra é a lista de desejos para o Pai Natal.
E foi precisamente essa diferença que Ferrão e Ângela Silva tentaram explorar, sem precisarem de ganhar uma discussão aos gritos, porque lhes bastou conservar a memória da pergunta anterior, uma arma perigosíssima contra políticos que mudam de argumento a meio da resposta.
No fim fiquei com uma conclusão bastante simples:
André Ventura é um homem cheio de soluções e algumas até merecem ser discutidas seriamente, mas o problema é que mal começamos a discuti-las seriamente, André Ventura prefere discutir outra coisa.
A banha da cobra continua à venda. O que o vendedor não suporta é um cliente que leia o rótulo.
French Police rush to stop a group of masked thugs that have been committing vandalism.
Then they stop.
When they realize they are their Undercover Police mates.
Spoiler alert - I’m allowed to be selfish with my body.
Have you donated bone marrow? Part of your liver? Blood? Plasma? You know you could be saving lives. Why aren’t you??
I think the guy flipping burgers at McDonald’s should be able to afford rent, bills, and groceries with his paycheck alone. That’s kind of the whole point of having a job and I can’t believe this is considered a radical position for me to take.
Remember when men molested, abused, and damaged a sex robot at a tech expo? The problem isn’t whether a machine has feelings. It’s how some men seem to enjoy hurting something when they know they won’t face any consequences. That says a lot about them.
anyone who disagree gotta be coping man, yes u are pedo for wanting to fuck a fictional child™
and they act stupid like "oh short flat chested women dont exist?" bitch what woman wears a schoolbag, uniform and goes to kindergarden? lol
Billionaires should be illegal. Anything over a billion should be taxed 100% and go to public services. There's no reason for any single person to have that much money.
Los gringos son esclavos. Les parece bien que su presidente sea un pedófilo, que sus hijos mueran en tiroteos sin que nadie haga nada y que sus impuestos vayan a matar niños extranjeros en vez de tener sanidad pública; y aun por encima te llamarán de todo si a ti te parece mal
it's so weird how people in the quotes and replies are more worried about the rapist child than the LITTLE GIRL who was literally THE VICTIM.
ARE YOU GUYS EVEN HEARING YOURSELVES? y'all are defending a rapist who committed a RAPE .
HE LITERALLY INSERTED A FUCKING TOY INTO THE
boys are children before they're boys. girls are girls before they're children. like how men get to be people before they're men and women are women before they're people.
Las pibas van, se agrupan, denuncian, cuentan los que les pasa con todo lo que eso implica y la respuesta que reciben es “aprendan a perdonar”. Los pibes se sientan en una computadora a tomar coca cola y vender contenido de sus compañeras a adultos. Qué fácil es la vida así.
You guys realize this is actually happening right? In real life? Like off twitter, where real people live? Thousands of girls are being killed in India and China… you are AWARE of that right?
This tweet is in response to the uk banning depiction of choking in pornography, the second leading cause of brain damage in women under 40. In addition to banning incest and role-playing children..???
Generative AI is a political project orchestrated by the US government to pollute the information ecosystem until it becomes impossible to verify information, the goal is unchecked corruption and impunity