OPINIÃO | Fernando Schüler ✍️ É bom observar, vez ou outra, o espanto de um estrangeiro com o que ocorre no Brasil e no STF
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Grande Fernando Schüler! Mais um baita artigo, para não variar. 👏👏
“É estarrecedor, mas também revelador”, escreveu o jornalista Glenn Greenwald, sobre o ministro “permanecer no STF, continuar julgando e prendendo pessoas”. Ele se referia às revelações dos diálogos da esposa do ministro diretamente no WhatsApp de Vorcaro, mandando o tal contrato de R$ 129 milhões. Glenn diz que não conhece escândalo judicial pior, mundo afora, na última década. E que “mesmo assim ele permanece impassível, com o mesmo imenso poder sobre o País”.
Glenn é americano. Diz o que pensa. Critica figuras de poder, não poupa esquerda ou direita, a partir de suas convicções. E por isso incomoda. Ele faz isso, entre muitas coisas, porque sabe que tem sua liberdade garantida por um País que há 235 anos consagrou seu Bill of Rights. E garante que as pessoas possam fazer exatamente isto: dizer o que pensam.
Greenwald diz que o ministro não deveria mais estar no STF. Pode-se concordar ou não com ele, mas a verdade é que há uma pergunta anterior a fazer. E muito mais simples: alguma coisa será investigada? Alguma iniciativa da PGR? Alguma ação no Congresso? De minha parte, penso que a resposta já foi dada. Por muitas razões, nos tornamos um estranho tipo de república feita de um núcleo de poder inimputável. Fora do sistema de controles republicanos, que converte em um estranho tipo de ofensa a mera ideia de que algo possa ser suspeito.
E não se trata apenas deste caso. O caso Master traz um componente ético crucial, mas o tema central do Brasil dos últimos anos é o desrespeito à regra do jogo. A longa cauda de flexibilizações legais praticada no País, nos anos recentes. Quem duvidar poderia procurar saber do destino de Eduardo Tagliaferro. O destino de um cidadão comum que deveria constranger o Brasil. O país que, diante de informações graves e incômodas, parece ter escolhido não apenas empurrar tudo para debaixo do tapete, mas converter o denunciante em réu. E logo o silêncio.
Cada um pode ter sobre isso a sua visão. Nós nos convertemos em um País em que você pode denunciar, a Malu Gaspar pode escrever 243 colunas, com fatos novos, aparecerem os contatos, os prints, os valores sem parâmetro de mercado, o que for. A única coisa que sabemos, no fim do dia, é que dificilmente alguma investigação chegará ao núcleo do poder. E que, se você for um “jornalista independente”, ou sem um bom pedigree, é melhor tomar cuidado. Desconfio que ninguém saiba disso melhor do que Vorcaro e suas equipes de defesa. E por isso procrastinam sua delação e fazem troça com o País há mais de três meses. Porque sabem de nosso incrível retrospecto e conseguem imaginar o que poderia resultar de uma delação “completa” sobre tudo que aconteceu.
O ponto central da frase indignada de Glenn é o estranhamento. O que ele está dizendo é o seguinte: vocês, brasileiros, foram se acostumando. Vocês são como aquele sapo na panela, que foi relaxando, enquanto a água ia esquentando, até serem devidamente cozinhados.
Isto aconteceu por muitas razões. A primeira delas foi o apoio de boa parte da sociedade, que por muitos anos aplaudiu nosso estado de exceção tropical, de fio a pavio, porque era importante “salvar a democracia”. Isto inclui boa parte de nossa “mídia profissional”, que só ligou o modo indignação depois do caso Master. E que hoje denuncia o absurdo brasileiro sobre o que, até há pouco, solenemente silenciava.
Outro ingrediente é o poder de fato. A proatividade ou a indiferença de um núcleo de poder que realmente parece acreditar que flutua acima dos constrangimentos da república. E fazem isso com razão. Porque, de fato, muita gente boa aceitou, no Brasil dos últimos anos, a premissa de que o que vale por aqui não é propriamente a lei ou a Constituição, mas o que um conjunto de autoridades diz que é a lei e a Constituição. De modo que não se pode praticar a censura prévia. Mas pode. Deve-se respeitar a instância devida. Ou não, a depender do contexto e da interpretação.
Agora mesmo está prestes a virar réu no Supremo um brasileiro que disse alguns impropérios a um ministro, em Coimbra, dois anos atrás. Um brasileiro comum, sem “foro”, mas está lá, processado no STF. Alguém preocupado com isso? O relator do processo é ao mesmo tempo vítima e juiz. Alguém preocupado?
Ninguém, sejamos sinceros. O medo cumpre uma função, aí, e é um sentimento legítimo. Se um jornalista foi banido, por que não aconteceria com muitos outros? Se Cleber Cabral, da Unafisco, terminou na Polícia Federal, após uma crítica, por que não aconteceria com outros dirigentes associativos? Se um deputado é processado por um discurso na Câmara, como os demais deveriam se comportar? É por estas razões que fomos deslizando. Aceitamos que se criasse uma lógica de exceção no País, que agora anda por conta própria.
Nunca me esqueço das lições de Bertrand de Jouvenel: o poder é como um organismo. Uma vez posto em movimento, não recua. E daí a obsessão moderna com os limites, com os pesos e contrapesos. Com tudo isso que assistimos ir perdendo força, no transe brasileiro recente.
De modo que é bom, vez ou outra, observar o espanto de um estrangeiro. Ele pode conhecer um pouco sobre o Brasil, mas nos enxerga à distância. Quem sabe como a justiça italiana e espanhola nos enxergaram, por estes tempos, negando extradições por razões que nos deveriam fazer pensar. O olhar do estrangeiro tem esta vantagem. Suas palavras, sabe-se lá, nos dão uma pista sobre coisas com as quais não deveríamos, definitivamente, ter nos habituados em nossa vida republicana.”
Que absurdo!! Vários ministros de Tribunais superiores recebendo 💰 de empresas envolvidas com organizações criminosas.
O que fizeram com a Justiça do 🇧🇷?
Mário Sabino sobre o PT e sua eterna mania de culpar os outros pelos seus fracassos. 👇
“O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, quer fazer crer que o fato de os Estados Unidos terem designado o PCC como grupo terrorista e as consequentes sanções aplicadas ao elos da facção causaram “prejuízo à investigação” que desencadeou a operação de hoje, comprometendo a localização do principal alvo, o suposto empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada.
Em entrevista coletiva, Andrei Rodrigues disse o seguinte:
“Alterou a nossa ação. Houve uma antecipação (da operação). Mas, de fato, se não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro e nós teríamos localizado essa pessoa (Shimada), mas infelizmente não localizamos. Então, houve prejuízo à investigação.”
Hum.
Sabe-se, agora, que Shimada e o seu pessoal envolvido com lavagem de dinheiro proveniente de tráfico internacional de drogas movimentaram mais de R$ 10 bilhões.
Quando o esquema começou a ser desvendado? Em 2023, graças ao trabalho da Homeland Security Investigations americana (pois é). Durante uma fiscalização no aeroporto de Fort Lauderdale, na Flórida, agentes seus detiveram um brasileiro, Ygor Fokin Saviolli, e encontram no celular dele fotos e mensagens e suspeitas. As informações foram transmitidas às autoridades daqui.
Ygor Foki Saviolli chefiava a lavagem grandiosa juntamente com Shimada.
De lá para cá, o que aconteceu? Shimada foi preso em 2024 e condenado em 2025. Mas, no Brasil dos habeas corpus, ele foi solto e continuou operando para o PCC e para toda a sorte de meliantes — entre eles, o Careca do INSS. Quer dizer, alguns dos nossos bravos rapazes ainda se recusam a aceitar a ideia de que há PCC nessa história.
Para Andrei Rodrigues, no entanto, a culpa por Shimada encontrar-se foragido deve ser atribuída aos americanos, que resolveram sancioná-lo e também os seus asseclas sem avisar o Brasil.
Como sou sujeito simplório, acho que a responsabilidade é mesmo dos brasileiros — que (obrigado, Estado Unidos) sabiam do esquema desde 2023, soltaram o condenado em 2025 e não se preocuparam em monitorá-lo desde que ele ganhou liberdade.
O diretor-geral da PF culpa os americanos, mas deveria culpar si próprio e o laxismo da Justiça nacional com bandidos de verdade.”
A ANJ pediu a abertura de investigação após mensagens indicarem uma possível devassa em dados pessoais e financeiros da jornalista Malu Gaspar
Segundo diálogos obtidos pela PF, Daniel Vorcaro, e o publicitário Thiago Miranda teriam atuado para tentar frear as apurações da repórter sobre o Master
ESTADÃO ANALISA 🎧 "Tudo sendo investigado, menos relações de Moraes e Toffoli com Vorcaro", diz Carlos Andreazza (@andreazzaeditor).
Assista ao episódio completo em https://t.co/Wweq1oG007 e acompanhe de segunda a sexta, às 7h, no YouTube.
Sim. Pois agentes públicos - incluindo ministros do Supremo - estão sujeitos ao escrutínio público, incluindo do jornalismo.
Por isso mesmo é uma distorção e um enfraquecimento da democracia quando jornalistas se submetem a governos, ideologias ou autoridades.
Qual a dúvida?
O diretor geral da polícia federal correu para dizer que os sancionados pelos EUA não são do PCC.
A indicada por lula ao STM foi exposta no esquema do INSS.
Ambos seguem nos cargos como se nada tivesse acontecido.
E a gente aqui discutindo eleições num estado de exceção.