Ainda me encontro tapado de nojo, mas uma vitória paraguaya diante do selecionado local, um desastre organizativo e boas notícias vindas do Oriente Médio podem me fazer apreciar o Mundial com interesse. Por enquanto, anoto que os mexicanos entraram de gaiatos nesse triste festim.
Vou, como quase todos os meses, cortar o cabelo no Salão Fígaro; chego depois das seis da tarde, está quase fechando. Me atende um barbeiro que não conheço. Junto comigo, adentra o salão um desconhecido e se senta junto a outro funcionário, e este sim reconheço - é antigo ali.
Depois que me cortam o cabelo e saio à Ladeira, recordo: tenho uma lembrança de sangue do barbeiro que contou a história fatal. Em um 31 de dezembro, não sei quantos anos atrás, deixou uma pequena marca de sangue e navalha no meu pescoço, que ardia - leve - na noite de ano novo.
O barbeiro que conheço, mas não sei o nome, diz ao que chega: e esta semana que tivemos um morto aqui no salão. Um morto?, pergunta o homem. Um morto, naquela cadeira. Se sentou para cortar o cabelo e morreu antes de começarem o corte. Veio ambulância, perícia, uma função.
Revivi meu obsoleto (não para mim; para os robôs da Amazon) Kindle para ler, depois de longuíssimo adiamento, a "Novela luminosa", de Levrero – e me encontro no centro tardio de uma obra que, mesmo sem perceber de todo, busco desde a leitura de "La ciudad", quinze anos atrás.
@marcelo_falci Não tem como manter esse caminho depois de hoje. Jornada constrangedora. O elenco é irregular e mal armado, sim, mas o treinador se esforçar para deixar as coisas mais difíceis e o time mais frágil.
Bastante tempo dediquei na Superior Norte da Arena para evangelizar sobre a dignidade do futebol de Kichán Pavón, que, sem ser nenhum Arce ou Schelotto, contribui honestamente para o Grêmio. Me alegro que as vaias tenham se tornado aplausos já há algumas semanas.
En la figura de Zelmar Michelini, socio del Club Atlético Defensor y víctima del terrorismo de Estado, homenajeamos a todas las personas que dieron su vida en defensa de la Democracia y la Libertad.
Faz frio em Porto Alegre: aquele que se postar em uma boa mesa no bar Tuim poderá catalogar, em poucos minutos de trânsito humano na Ladeira, uma miríade de sobretudos agora puídos, mas muito elegantes há trinta ou cinquenta anos, quando comprados em Livramento ou Pelotas.
Poucas cidades melhoram tanto no outono como Porto Alegre: das manhãs de percorrer dois bairros, em passo lento, ao sol, aos letreiros luminosos no ar quase gelado da noite, passando pelo cinza do Centro, enfim à vontade no espaço áspero.
O arqueiro Ignacio Arce, do Riestra, ao estampar na camisa um macaquinho que mostra um alfajor (?), se insere numa série de goleiros que levam o bestiário ao uniforme: com protagonismo paraguayo (e prováveis anônimos não rastreados), a escola vai de Chilavert a Ricardo Tavarelli.
Agora que o texto deixa de rodar no passo ambíguo do arquivo e do manuscrito, cabe agradecer a leitura perene dos que o acompanharam em períodos recentes: obrigado pelo generoso tempo, @oMarcodeMenezes, @LAEFarinatti, @GSeerig.
Os contos dos últimos anos encontraram paragem e, na semana que vem, alcançam a rua. Para começar, a rua da Praia, em Porto Alegre.
Lançaremos o "Praças perdidas", editado pela flamante Trote, na tarde do sábado, 16 de maio: estão todos convidados!
@BBWhite__ O único problema segue sendo a chegada em jogos às 19h ou 19h30, como seria em quase qualquer outro lugar da cidade e em outras capitais. No mais, a Linha Futebol funciona muito bem e faz Mercado – estádio em coisa de vinte minutos. Nos primeiros anos, sim, se sofreu.