Trabalhei em aeroportos antes e depois da pandemia e notei que as pessoas retornaram muito menos tolerantes a absolutamente tudo. O ambiente aeroportuário já é naturalmente estressante: os passageiros chegam sobrecarregados com o acúmulo do pré-viagem e, diante de qualquer imprevisto corriqueiro da aviação, acabam descontando tudo nos atendentes.
As pessoas precisam entender duas coisas: primeiro, nem tudo o que se vê no TikTok é verdade principalmente em relação a perfis de advogados que buscam engajamento ensinando "fórmulas" para processar companhias aéreas. Segundo, aviação não é transporte rodoviário. Se na terra existem regras, no ar elas são multiplicadas devido aos rígidos padrões de segurança. Atrasos vão acontecer. E vale destacar: a empresa é a maior interessada em evitar atrasos, pois paga caro pelo tempo em que a aeronave fica em solo. Se um voo atrasa aqui, gera um efeito bola de neve em toda a malha aérea.
Para quem adora comparar o Brasil com os Estados Unidos, vale destacar uma diferença crucial: lá, as regras são seguidas à risca porque as consequências são reais. Quem descumpre normas ou parte para a agressão verbal ou física acaba preso e entra imediatamente para a lista de restrição (block list) da companhia. Infelizmente, a legislação brasileira ainda é falha nesse aspecto. Por aqui, a impunidade impera e nada acontece com esses passageiros indisciplinados. Pelo contrário: se bobear, os agentes de atendimento é que são prejudicados internamente pela empresa.