Aos interessados, compartilho a minha tese de doutorado defendida no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFSCar.
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"A força armada é, assim, como uma locomotiva: ir dentro dela é seguro, colocar-se à sua frente é correr o risco de ser esmagado. Nos momentos críticos, pois, todos querem estar na locomotiva - ao lado do maquinista, se possível"
Nelson Werneck Sodré.
Generais do Exército Brasileiro, começando por Eduardo Villas Bôas, deveriam ter sido responsabilizados desde 2014/15.
Diuturnamente usaram os quartéis como palanque eleitoral de Jair Bolsonaro.
Bolsonaro faz campanha dentro do 9° Grupo de Artilharia de Campanha (MS) com autorização do General Eduardo Villas Bôas, então comandante do Exército. Vídeo de 2017.
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Outra coisa que impressiona nessa história é que, enquanto os outros militares procuravam convencer seus chefes a aderirem ao "golpe", aparentemente o Gen. Mário Fernandes fazia tudo à revelia do Gen. Ramos, um dos poucos ministros a se livrar de qualquer responsabilização.
O Comando propôs e o Moraes disse "ok". (para quem não sabe como funciona, se a proposta veio do preso e o comando autorizou, é o mesmo que o comando propor: assim funciona uma cadeia de comando). O Forças Especiais Mário Fernandes que "fez o plano para assassinar o Moraes e Cia" vai revisar a doutrina militar. O equivalente "light" seria o Lula contratar o Sérgio Moro no Ministério da Justiça para rascunhar uma nova Constituição. Isso é uma amostra clara de que Moraes e Milicos não tão nem aí para a democracia, e o "golpe" se desdobrou como um enorme telecatch.
General Maynard Marques de Santa Rosa, ex-secretário de assuntos estratégicos do governo Bolsonaro, revela "apoio velado" do Exército ao Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido como torturador pelo Superior Tribunal de Justiça em 2012.
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Vídeo do Villas Bôas - mais um daqueles que só o @olemos_gui encontra - de 2017 é o riscado do que foi o plano militar de tomada do Planalto um ano depois. VB diz que depois da Lava-Jato o país chegaria em 2018 sem lideranças nem projetos. E que o Exército iria dar um jeito nisso. Como sabemos, ele já tinha no bolso o seu artefato de desconstrução da política (e daí do encaminhamento da "guerra contra o sistema", a farsa ideológica que dependeu da fraude de abril de 2018 para se eleger (prisão do Lula)), o dispositivo-🤡. Para fora ele ainda não revelava muito do plano (ele estava ali na mesma loja maçônica que o Mourão foi uns meses depois, bem sintomático), mas desde 2014 o 🤡-bomba já tinha sido acionado pela Central Militar. Foi um trabalho quieto, que se tornou barulhento em 2018, com a farsa de que os militares "embarcaram" no projeto Bolsonaro só de última hora, como se eles fossem os cooptados. Deu no que deu. Hoje o artefato 🤡 tá meio em curto numa cela, mas já estão preparando outros. Inclusive tem general que cuidava de sua engenharia revisando a doutrina militar da Força Terrestre de dentro da prisão (?), isto é, de dentro de uma das sedes do Partido Militar - o Comando Militar do Planalto, cujo comandante está um posto abaixo na hierarquia (3*). Quem sabe a coisa não está também, mais uma vez, sendo pensada com Washington? Não me espantaria. Tudo com bastante cautela para não mostrar quem está por trás e de novo aparecer uma solução "surpresa" (quem sabe o outro milico, o que agora ocupa um certo Governo de estado.... 🤔).
Link para a postagem original do Guilherme:
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Em março de 2017, o General Eduardo Villas Bôas, então cmdt do Exército, expôs a "relativa imparcialidade" e o papel de "protagonistas silenciosos" que os militares teriam nas eleições de 2018.
https://t.co/ecqPveSXPe
Já na @hucitec Hucitec Editora , o livro novo! (Em pré-venda, já produzindo na gráfica). Uma análise dos últimos anos, a partir de dois casos: hackeamentos e urnas. Com apresentação do @romulusmaya , o trabalho retoma muitas de nossas discussões! Nos prints uma sinopse e o sumário
https://t.co/uPB9JofFqr
PAZUELLO, O POLÍTICO | O projeto do General Villas Bôas e demais foi concluído com sucesso: os oficiais-superiores e as novas gerações de cadetes do Exército exergam o caminho para a política como natural, em suma, como missão de "servir ao país".
BOLSONARO: O GRANDE LÍDER DA MENOR DIREITA BRASILEIRA
A ascensão de Jair Bolsonaro à posição de líder de parte da direita – conhecida como bolsonarismo – é, ao mesmo tempo, um fenômeno e uma contradição: o maior líder de um grupo incapaz de se consolidar como força propositiva.
Sua liderança emergiu em meio a um vácuo de representatividade e de confiança no liberalismo e no conservadorismo, mas que nunca logrou deixar de ser um projeto de promoção e de poder pessoal.
Bolsonaro jamais pensou em formar coalizões políticas estáveis, de forma a estruturar, fortalecer e manter um Projeto de Nação, maduro, estadista e definitivo.
No Congresso, praticando uma mesmice política da qual dizia "estar fora", uniu-se ao "Centrão" que, em campanha, permitiu que fosse chamado de "ladrão", fragilizando não apenas o seu governo, mas toda a direita que nele acreditava.
Nos momentos de maior tensão, adotou o vai-e-vem entre o confronto vociferante e a retração estratégica. Ao mesmo tempo em que incitava multidões, Bolsonaro hesitava diante das consequências, pondo em xeque sua narrativa de firmeza e de coragem política.
A direita, que necessitava e ansiava por uma estratégia legislativa, recebeu um comando centrado no improviso e na dependência de um único protagonista, bem à semelhança do que se pretendia combater e mudar.
Bolsonaro é, sim, hoje – como disse sua esposa em Fortaleza –, o "maior líder da direita brasileira" , mas um líder tão estridente quanto vazio, sustentado por um movimento que, por falta de propostas e de outro projeto que não o de idolatria, está cada vez menor e menos capacitado para garantir um bom futuro para o Brasil.
https://t.co/IbsVX55d9d
Artigo que o @olemos_gui e eu escrevemos revendo e revisitando os conceitos de "Partido Fardado/Partido Militar" (link abaixo)
Resumo:
Historicamente, os estudos sobre militares no Brasil privilegiaram o tema da intervenção política das Forças Armadas. A partir de uma revisão da bibliografia da ciência política sobre o tema, este artigo examina as interpretações que enxergaram a instituição militar enquanto uma organização similar aos partidos políticos, através do uso dos conceitos de partido militar e partido fardado. A justificativa para se concentrar nesse enquadramento conceitual é que, no interior de muitas chaves possíveis para se ler o fenômeno do militarismo, foram as noções de partido as que mais ganharam consistência nessa subárea, a ponto de persistirem como chave analítica para períodos distintos, como a ditadura militar (1964-1985) e o governo Bolsonaro (2019-2022). Finalmente, apontamos, ainda que de maneira apenas sugestiva, para algumas questões da associação de categorias da política civil aos militares, propondo agregar às análises do partido militar e/ou fardado possíveis chaves interpretativas a partir de noções nativas às Forças Armadas e ao mundo militar.