olhos são selvagens; meus lábios, firmemente comprimidos.O pássaro voa; a flor dança; mas eu ouço sempre o embate monótono das ondas; e a besta acorrentada pateia na praia. Pateia sem parar.
E irrompi aqui, vendo você verde como um arbusto, como um ramo, Louis, muito quieto, os olhos fixos. “Está morto?”, pensei e beijei você, meu coração saltando debaixo da roupa cor-de-rosa como as folhas que continuam a se mover, embora nada faça com que se movam.
Ah, essa dor, essa agonia! Desfaleço,fracasso. Agora, meu corpo descongela; estou aberta, estou incandescente. Agora, o rio se derrama, vasta maré fertilizante rompendo eclusas, insinuando-se à força por entre as gretas, inundando livremente a terra.
– Mas, quando nos sentamos juntos – disse Bernard –, fundimo-nos um no outro com frases. Ficamos unidos por uma espécie de nevoeiro. Transformamo-nos num território imaterial.
Lá está Percival com seu chapéu de feltro. Ele me esquecerá. Deixará sem resposta minhas cartas, que ficarão em meio a suas espingardas, seus cães. Eu lhe mandarei poemas, talvez ele responda com um cartão-postal. Mas é por isso que o amo.
Quando ouvi você chorar, eu a segui; vi quando colocou no chão seu lenço amassado; a ira e o ódio amarrados dentro dele. Mas isso logo passará.Agora, nossos corpos estão próximos. Você ouve minha respiração.
Aqui neste círculo de relva sentamo-nos juntos, ligados pelo tremendo poder de uma compulsão interna. As árvores acenam, as nuvens passam, chegará o tempo em que todos esses solilóquios serão partilhados.
Proporei um encontro – debaixo de um relógio, ou numa encruzilhada; esperarei, e ele não virá. É por isso que o amo. Ele se afastará da minha vida, esquecido, quase inteiramente ignorante do que foi para mim.
Quando estou só, é com frequência que me deixo cair no vazio. Tenho de ter cuidado e ver onde ponho os pés, não vá tropeçar na orla do mundo e cair no vazio.
O silêncio se fechará atrás de nós. Se olho para trás, por cima deste crânio calvo, posso ver o silêncio já se fechando, e assombras das nuvens perseguindo-se umas às outras sobre o pântano vazio; o silêncio fecha-se depois da nossa passagem.
está afastado de nós todos, num universo pagão. Mas vejam — ele toca a nuca com a mão. Um gesto assim pode deixar-nos irremediavelmente apaixonados pelo resto da vida.
Vou sentar-me na margem trêmula do rio e contemplar os grandes, fúlgidos, nenúfares. Eles derramam sobre o carvalho que cobre a sebe a sua luz úmida como um raio de luar