Tenho uma “família tradicional”. O meu casamento foi celebrado por um Arcebispo, um Bispo, 3 padres e teve a benção do Papa João Paulo II. No bingo das famílias tradicionais isto deve dar pontos.
Eduquei as minhas filhas em escolas católicas e na laica Escola Alemã de Lisboa.
Enquanto eu viajava pelo mundo o dono de casa e pai delas exercia a santidade da paternidade e mudava fraldas, levava-as à escola e ao conservatório para depois se sentar no computador a pensar em termodinâmica aplicada e desenvolvimento de drones. Foi a nossa escolha.
As filhas biológicas e as adoptadas cresceram felizes, tiraram a carta de moto aos 16, e a de carro aos 17. Viajam sozinhas, são autónomas e foram educadas para a autonomia e responsabilidade.
Vivem sozinhas - e pagam parte das contas - desde os 18 anos. A vida é delas, o corpo é delas. São como a mãe e o pai: feministas.
Era o que faltava que fossem homens a ditar o que seja a mulheres ou que modelo de família, de escolha profissional devem ter.
E sim sou católica e faço parte do movimento de feministas católicas que acredita que família é onde há amor. O mandamento maior do cristianismo é: ama o teu próximo como a ti mesmo.