Nos últimos dias muito se falou do rally nas agrícolas SLCE3 e SMTO3, mas existe uma tese de agro que quase ninguém acompanha: LAND3!
A LAND3 nasceu da cisão entre as terras e a operação agrícola da antiga Terra Santa, e hoje é um player puro de terras: 80,2 mil hectares em Mato Grosso, dos quais 39,1 mil arrendados à SLC Agrícola até 2045/46, a 20,5 sacas de soja por hectare. Para empresas de ativos reais, o mercado olha muito o Preço/NAV (valor líquido dos ativos), e aqui ele mostra 0,32x, um desconto de 67,5% sobre o laudo de R$ 2,7 bilhões. A verdade é que olhar só o P/NAV é enganoso: existe um contrato de arrendamento no meio, e o valuation correto é a soma das partes, fluxo de caixa do arrendamento + valor líquido das terras.
E é exatamente nessa conta que a tese fica interessante. O VPL do contrato até 2045/46 vale cerca de R$ 3,49 por ação (Ke de 17,9%), contra um preço de tela de R$ 9,02. Ou seja, descontado o contrato, o mercado está pagando as terras a apenas 20% do laudo!
O mais bonito é que a tese não depende de a empresa vender fazenda. A receita é sacas vezes preço, com custo fixo de apenas R$ 22 milhões, então um re-rating da soja passa quase integral ao EBITDA e ainda reavalia o próprio laudo da terra. Dois motores na mesma ação.
A matriz abaixo cruza os dois: soja no nível do pico de 2022 (~R$ 190/saca) já entregaria +72% sem fechar um ponto sequer de desconto, e os dois motores juntos levariam o papel para perto de R$ 24. Nos parece cedo para o timing, mas a direção da assimetria é clara. Agro é top, agro é pop, agro é Santa Fé!
Análise interna com base em dados públicos (release 2T26, ITR e laudo S&P Global). Não constitui recomendação de investimento.
ZUMBI ELEITORAL
Inércia e teto: o fim de um longo ciclo.
Leia com calma, fique mais otimista e compartilhe com aquele amigo que está cansado desse filme de terror.
A imagem do zumbi não é etarismo.
Funciona apenas como metáfora de um ciclo político que continua andando mesmo depois de ter perdido vitalidade.
Em 2026,
a discussão tende a deixar de ser apenas sobre disputa eleitoral e passar a ser sobre encerramento de arranjos que entregam menos do que prometem e custam mais caro do que podemos pagar.
O que está vindo é estrutural
e não é aposta de curto prazo.
REELEIÇÃO: o vírus da continuidade
Quando a reeleição entrou no sistema, ela mudou o comportamento de todos ao redor.
A lógica deixou de ser governar e fazer o bem. Passou a ser governar já disputando a próxima, com o incentivo permanente de manter maioria, manter máquina, manter narrativa, manter amigos, manter regalias.
Lula deveria se envergonhar querendo um quarto mandato. Sua política virou um organismo com infecção crônica. Não morre, mas também não melhora.
A democracia e cobertor curto
Toda democracia administra tensões entre proteção social, liberdade econômica e crescimento.
É sempre assim, e não dá para ter tudo ao mesmo tempo. Quando a sociedade percebe excesso de controle e custo alto, pede ar, pede mudança.
Quando percebe abandonoou risco social, pede amparo. O pêndulo vai e volta, não por ideologia, mas por exaustão prática.
O mundo vive esse filme pós pandemia
Nos Estados Unidos,
a alternância natural entre partidos sempre ajuda a organizar esse atrito, mesmo quando a polarização aumenta.
Na Argentina
a ascensão de Javier Milei foi lida por muitos como reação a um Estado considerado caro e ineficiente.
Em partes da Europa e da América Latina, cresce esse impulso, cobrança por entrega e ceticismo com promessas que dependem apenas de expansão estatal. O mundo está mudando e todos estão percebendo.
O Brasil entra no cemitério do ciclo
O Brasil vive isso desde 1994,
um ciclo longo em que estabilização, inclusão social e coalizões caras organizaram a política desde então.
Esse surgiu e foi ficando pesado, mais pesado, caro e previsível no pior sentido. Como um zumbi lento.
Anda, fala, ocupa espaço, mas não responde ao que o eleitor mais cobra hoje:
resultado mensurável, moral e confiança.
1994 e a primeira ressurreição
A estabilização monetária reorganizou o país e mudou a pauta. A pergunta inevitável que ganhou força naquela época é DESIGUALDADE.
A política social se tornou eixo central e passou a ser o território onde coalizões se legitimaram.
O Estado virou a ferramenta preferida de construção de consenso através de bondades. Uma mãezona gastadora.
1995 a 2010: o corpo ganha massa
Entre 1995 e 2002,
Fernando Henrique Cardoso governou com coalizão ampla, estruturando base social e consolidando programas que depois se tornam permanentes.
Não foi Lula que inventou os programas sociais que existem até hoje.
Entre 2003 e 2010, Luiz Inácio Lula da Silva se aproveita disso, amplia a escala, o orçamento e a visibilidade dessas políticas, e adiciona novas frentes.
Inclusão e proteção viram prioridade estável inegociável. O Estado cresce e, junto dele, cresce a carga de sustentar essa máquina pesada.
2014: cheirinho de decomposição no ar
Em 2014,
o modelo dá sinais claros de esgotamento. Corrupção sistêmica, recessão, confiança em queda e deterioração fiscal começam a corroer o pacto.
O eleitor passa a associar parte do arranjo a custo alto, baixa eficiência e pouca previsibilidade.
É o momento em que o monstro ficou visível, teve a cabeça cortada. Entre zumbis e vampiros, o Estado andou, mas ainda não convenceu.
2018 e o surto
Em 2018,
o eleitor procura ruptura.
Jair Bolsonaro vence como resposta errada a essa demanda. A guerra cultural domina o ambiente e, em vários momentos, a agenda estrutural perde espaço para um conflito chato, bobo e permanente.
O ciclo não é substituído por um novo, por meros detalhes e erros infantis. Além disso, naquela época surgiu outro surto, a covid, e tudo, a partir dali, se complicou.
O movimento natural é interrompido por barulho e disputa simbólica. A máquina continua ali, só que agora em convulsão.
2022 e a volta do velho roteiro:
a sobrevida do lulismo
Em 2022,
o país vai para um segundo turno dominado por rejeições. Lula retorna com coalizão ampla.
A pacificação não se consolida, por óbvio. Para o eleitor, o governo parece retomar métodos já conhecidos e ultrapassados, com negociação constante e Estado pesado como eixo.
O ciclo volta a andar, mas com a mesma expressão vazia. Não é novidade. É persistência chata. Aquele vilão do filme de terror, que aparece lento, insistente e aterrorizante perseguindo as vítimas.
2023 em diante começa o contrapeso
De 2023 em diante,
o Congresso Nacional se inclina para o centro direita.
É nitido.
A pauta de responsabilidade fiscal, eficiência administrativa e liberdade para empreender ganha mais espaço, inclusive fora dos círculos especializados.
O eleitor do meio passa a discutir custo, moral, previsibilidade e entrega com mais nitidez. Isso muda o ambiente, mesmo sem mudar o governo.
2024 e a capilaridade muda de mãos
As eleições municipais reforçam a leitura de avanço de forças de centro e centro direita em parte relevante do território. A esquerda perde presença local em muitos lugares, o que impacta rede, narrativa e capacidade de mobilização.
Não define 2026 ainda, mas altera infraestrutura política e desenho de alianças.
2026 e o funeral do arranjo
É aqui que a metáfora ganha sentido.
2026 tende a ser lida como fechamento de ciclo.
O eleitor não quer apenas trocar o condutor. Quer reduzir o peso do veículo.
O tal impulso é por previsibilidade, moral, cultural, Estado mais enxuto e governabilidade menos baseada em improviso e expansão permanente.
A crise institucional pode acelerar essa marcha
Quando instituições parecem frágeis (como é o caso), o desejo de mudança costuma crescer.
Não por virtude do novo, mas por saturação do velho. A crise no Judiciário, a tensão entre poderes e o desgaste do ambiente político funcionam como catalisadores.
Em vez de frear, o eleitor tende a apertar o acelerador da troca. Lula vai tentar se desgrudar disso, mas não vai conseguir. Ele e o Supremo são sócios em linha de pensamento e o eleitor sabe disso.
STF e instinto de sobrevivência
O Supremo Tribunal Federal não opera como bloco ideológico estável de esquerda ou direita, como muitos pensam.
Em ano eleitoral, o vetor mais previsível é autopreservação institucional.
A Corte tende a preferir um processo com menos risco de contestação, menos tensão pós urna e menos chance de crise existencial também.
Isso empurra o sistema para nomes percebidos como moderados, competitivos e menos disruptivos.
Imagina bem se o STF iria gostar de ver subindo a rampa um Lula 4? Diante de tudo que está acontecendo, até o supremo sente medo da opinião pública, acredite.
Por que Lula pode não ser o centro da disputa
A hipótese é objetiva. Lula tende a só entrar para ganhar. Se os números não indicarem competitividade e se o ambiente exigir previsibilidade e redução de risco, a própria coalizão pragmática pode buscar alternativa.
Idade pesa como variável real em uma campanha longa. Há também o desgaste acumulado, concorrentes bem mais jovens, o teto imposto pela rejeição e o interesse em preservar legado de 3 mandatos.
Em política, coalizão de conveniência dura enquanto a conveniência dura. Não há um aditivo do sistema com o Lula para 2026 e ele sabe disso.
O fator externo endurece o jogo
Um cenário internacional mais duro, associado à postura de Donald Trump, tende a aumentar cobrança por pragmatismo, alinhamento, interesses e coordenação mútua.
Estados Unidos querem o hemisfério para eles, essa é a verdade. Não decide voto brasileiro, mas altera contexto e pressiona por previsibilidade geopolítica na região.
A eleição passa a exigir mais do que retórica. A negociação de Terras Raras pelo tarifaço vai parecer jogo de criança, pela pressão que ainda pode vir. Acompanhe isso de perto e terá surpresas.
Governadores e reta final
Se houver convergência de lideranças estaduais em torno de um bloco contra o incumbente, o segundo turno tende a se organizar por voto útil e rejeição, como em outros momentos.
Por tanto, a reta final, nesse desenho, costuma ser menos sobre carisma e mais sobre coalizão contra o mandatário atual.
E coalizão novamente, mas neste momento, se faz na geração de políticos mais bem aprovada da história.
São os governadores do Sul e do Sudeste. Quase todos ligados à direita e sem nenhum alinhamento com Lula.
Março e abril como termômetro
Sem depender de urna, há janelas importantes em que o país se revela. Março e abril de 2026, logo após o carnaval, tendem a ser um período em que a agenda se concentra e o humor do eleitor fica mais legível.
É quando expectativas econômicas do ano se assentam e quando sinais de viabilidade se tornam mais difíceis de esconder. Fique atento em tudo que acontecer nesse período. É uma prévia das eleições.
A ironia disso tudo
O ciclo iniciado com a estabilização e consolidado com a lógica da continuidade pode terminar no mesmo ponto sensível que o sustentou:
O FIM DA REELEIÇÃO.
Guarde isso.
O candidato que se comprometer com isso conquistará a opinião pública.
Mas não basta prometer, como muitos fizeram. Tem que lançar uma PEC já em 2026, mostrar sua força e aprovar no Parlamento.
Se a reeleição foi o vírus que estendeu a vida do arranjo, sua revisão pode virar a moeda de previsibilidade pedida pelo sistema.
A metáfora do zumbi é essa.
Ninguém precisa de quatro mandatos para mostrar o que é capaz de fazer.
Até os mais idiotas sabem disso.
Não é sobre um personagem apenas. É sobre um corpo político que continuou se movendo por inércia, mesmo depois de ter perdido a capacidade de convencer.
Essa lógica ajuda a entender por que, em 2026, Lula pode deixar de ser funcional para setores que o apoiaram em 2022 por conveniência.
A coalizão que sustenta o governo é pragmática. Quando a conveniência muda, o alinhamento muda.
Há também um teto claro de crescimento imposto pela rejeição e a dificuldade de ampliar base no eleitor do meio.
O desgaste institucional atual empurra na mesma direção.
A opinião pública dá sinais de exaustão com a repetição do mesmo enredo e cresce a demanda por responsabilização visível.
Em ambiente assim, o sistema tende a procurar um culpado claro, alguém para ser lançado à arena.
O resultado provável é uma disputa por repasse de custo político.
Cada lado tenta empurrar o ônus para o outro, até que alguém vire o boi de piranha do ciclo.
Parlamento, judiciário e executivo não vão passar ilesos. Alguém será sacrificado. Eles já estão se empurrando.
Essa conta não fica sem dono por muito tempo.
Se essa leitura se confirmar,
2026 dificilmente passa sem mudança estrutural relevante.
Esse ciclo vai buscar fechamento, por rearranjo de alianças, por mudança de regra ou por troca do eixo que hoje sustenta a governabilidade.
ZUMBI ELEITORAL
Inércia e teto: o fim de um longo ciclo.
Leia com calma, fique mais otimista e compartilhe com aquele amigo que está cansado desse filme de terror.
A imagem do zumbi não é etarismo.
Funciona apenas como metáfora de um ciclo político que continua andando mesmo depois de ter perdido vitalidade.
Em 2026,
a discussão tende a deixar de ser apenas sobre disputa eleitoral e passar a ser sobre encerramento de arranjos que entregam menos do que prometem e custam mais caro do que podemos pagar.
O que está vindo é estrutural
e não é aposta de curto prazo.
REELEIÇÃO: o vírus da continuidade
Quando a reeleição entrou no sistema, ela mudou o comportamento de todos ao redor.
A lógica deixou de ser governar e fazer o bem. Passou a ser governar já disputando a próxima, com o incentivo permanente de manter maioria, manter máquina, manter narrativa, manter amigos, manter regalias.
Lula deveria se envergonhar querendo um quarto mandato. Sua política virou um organismo com infecção crônica. Não morre, mas também não melhora.
A democracia e cobertor curto
Toda democracia administra tensões entre proteção social, liberdade econômica e crescimento.
É sempre assim, e não dá para ter tudo ao mesmo tempo. Quando a sociedade percebe excesso de controle e custo alto, pede ar, pede mudança.
Quando percebe abandonoou risco social, pede amparo. O pêndulo vai e volta, não por ideologia, mas por exaustão prática.
O mundo vive esse filme pós pandemia
Nos Estados Unidos,
a alternância natural entre partidos sempre ajuda a organizar esse atrito, mesmo quando a polarização aumenta.
Na Argentina
a ascensão de Javier Milei foi lida por muitos como reação a um Estado considerado caro e ineficiente.
Em partes da Europa e da América Latina, cresce esse impulso, cobrança por entrega e ceticismo com promessas que dependem apenas de expansão estatal. O mundo está mudando e todos estão percebendo.
O Brasil entra no cemitério do ciclo
O Brasil vive isso desde 1994,
um ciclo longo em que estabilização, inclusão social e coalizões caras organizaram a política desde então.
Esse surgiu e foi ficando pesado, mais pesado, caro e previsível no pior sentido. Como um zumbi lento.
Anda, fala, ocupa espaço, mas não responde ao que o eleitor mais cobra hoje:
resultado mensurável, moral e confiança.
1994 e a primeira ressurreição
A estabilização monetária reorganizou o país e mudou a pauta. A pergunta inevitável que ganhou força naquela época é DESIGUALDADE.
A política social se tornou eixo central e passou a ser o território onde coalizões se legitimaram.
O Estado virou a ferramenta preferida de construção de consenso através de bondades. Uma mãezona gastadora.
1995 a 2010: o corpo ganha massa
Entre 1995 e 2002,
Fernando Henrique Cardoso governou com coalizão ampla, estruturando base social e consolidando programas que depois se tornam permanentes.
Não foi Lula que inventou os programas sociais que existem até hoje.
Entre 2003 e 2010, Luiz Inácio Lula da Silva se aproveita disso, amplia a escala, o orçamento e a visibilidade dessas políticas, e adiciona novas frentes.
Inclusão e proteção viram prioridade estável inegociável. O Estado cresce e, junto dele, cresce a carga de sustentar essa máquina pesada.
2014: cheirinho de decomposição no ar
Em 2014,
o modelo dá sinais claros de esgotamento. Corrupção sistêmica, recessão, confiança em queda e deterioração fiscal começam a corroer o pacto.
O eleitor passa a associar parte do arranjo a custo alto, baixa eficiência e pouca previsibilidade.
É o momento em que o monstro ficou visível, teve a cabeça cortada. Entre zumbis e vampiros, o Estado andou, mas ainda não convenceu.
2018 e o surto
Em 2018,
o eleitor procura ruptura.
Jair Bolsonaro vence como resposta errada a essa demanda. A guerra cultural domina o ambiente e, em vários momentos, a agenda estrutural perde espaço para um conflito chato, bobo e permanente.
O ciclo não é substituído por um novo, por meros detalhes e erros infantis. Além disso, naquela época surgiu outro surto, a covid, e tudo, a partir dali, se complicou.
O movimento natural é interrompido por barulho e disputa simbólica. A máquina continua ali, só que agora em convulsão.
2022 e a volta do velho roteiro:
a sobrevida do lulismo
Em 2022,
o país vai para um segundo turno dominado por rejeições. Lula retorna com coalizão ampla.
A pacificação não se consolida, por óbvio. Para o eleitor, o governo parece retomar métodos já conhecidos e ultrapassados, com negociação constante e Estado pesado como eixo.
O ciclo volta a andar, mas com a mesma expressão vazia. Não é novidade. É persistência chata. Aquele vilão do filme de terror, que aparece lento, insistente e aterrorizante perseguindo as vítimas.
2023 em diante começa o contrapeso
De 2023 em diante,
o Congresso Nacional se inclina para o centro direita.
É nitido.
A pauta de responsabilidade fiscal, eficiência administrativa e liberdade para empreender ganha mais espaço, inclusive fora dos círculos especializados.
O eleitor do meio passa a discutir custo, moral, previsibilidade e entrega com mais nitidez. Isso muda o ambiente, mesmo sem mudar o governo.
2024 e a capilaridade muda de mãos
As eleições municipais reforçam a leitura de avanço de forças de centro e centro direita em parte relevante do território. A esquerda perde presença local em muitos lugares, o que impacta rede, narrativa e capacidade de mobilização.
Não define 2026 ainda, mas altera infraestrutura política e desenho de alianças.
2026 e o funeral do arranjo
É aqui que a metáfora ganha sentido.
2026 tende a ser lida como fechamento de ciclo.
O eleitor não quer apenas trocar o condutor. Quer reduzir o peso do veículo.
O tal impulso é por previsibilidade, moral, cultural, Estado mais enxuto e governabilidade menos baseada em improviso e expansão permanente.
A crise institucional pode acelerar essa marcha
Quando instituições parecem frágeis (como é o caso), o desejo de mudança costuma crescer.
Não por virtude do novo, mas por saturação do velho. A crise no Judiciário, a tensão entre poderes e o desgaste do ambiente político funcionam como catalisadores.
Em vez de frear, o eleitor tende a apertar o acelerador da troca. Lula vai tentar se desgrudar disso, mas não vai conseguir. Ele e o Supremo são sócios em linha de pensamento e o eleitor sabe disso.
STF e instinto de sobrevivência
O Supremo Tribunal Federal não opera como bloco ideológico estável de esquerda ou direita, como muitos pensam.
Em ano eleitoral, o vetor mais previsível é autopreservação institucional.
A Corte tende a preferir um processo com menos risco de contestação, menos tensão pós urna e menos chance de crise existencial também.
Isso empurra o sistema para nomes percebidos como moderados, competitivos e menos disruptivos.
Imagina bem se o STF iria gostar de ver subindo a rampa um Lula 4? Diante de tudo que está acontecendo, até o supremo sente medo da opinião pública, acredite.
Por que Lula pode não ser o centro da disputa
A hipótese é objetiva. Lula tende a só entrar para ganhar. Se os números não indicarem competitividade e se o ambiente exigir previsibilidade e redução de risco, a própria coalizão pragmática pode buscar alternativa.
Idade pesa como variável real em uma campanha longa. Há também o desgaste acumulado, concorrentes bem mais jovens, o teto imposto pela rejeição e o interesse em preservar legado de 3 mandatos.
Em política, coalizão de conveniência dura enquanto a conveniência dura. Não há um aditivo do sistema com o Lula para 2026 e ele sabe disso.
O fator externo endurece o jogo
Um cenário internacional mais duro, associado à postura de Donald Trump, tende a aumentar cobrança por pragmatismo, alinhamento, interesses e coordenação mútua.
Estados Unidos querem o hemisfério para eles, essa é a verdade. Não decide voto brasileiro, mas altera contexto e pressiona por previsibilidade geopolítica na região.
A eleição passa a exigir mais do que retórica. A negociação de Terras Raras pelo tarifaço vai parecer jogo de criança, pela pressão que ainda pode vir. Acompanhe isso de perto e terá surpresas.
Governadores e reta final
Se houver convergência de lideranças estaduais em torno de um bloco contra o incumbente, o segundo turno tende a se organizar por voto útil e rejeição, como em outros momentos.
Por tanto, a reta final, nesse desenho, costuma ser menos sobre carisma e mais sobre coalizão contra o mandatário atual.
E coalizão novamente, mas neste momento, se faz na geração de políticos mais bem aprovada da história.
São os governadores do Sul e do Sudeste. Quase todos ligados à direita e sem nenhum alinhamento com Lula.
Março e abril como termômetro
Sem depender de urna, há janelas importantes em que o país se revela. Março e abril de 2026, logo após o carnaval, tendem a ser um período em que a agenda se concentra e o humor do eleitor fica mais legível.
É quando expectativas econômicas do ano se assentam e quando sinais de viabilidade se tornam mais difíceis de esconder. Fique atento em tudo que acontecer nesse período. É uma prévia das eleições.
A ironia disso tudo
O ciclo iniciado com a estabilização e consolidado com a lógica da continuidade pode terminar no mesmo ponto sensível que o sustentou:
O FIM DA REELEIÇÃO.
Guarde isso.
O candidato que se comprometer com isso conquistará a opinião pública.
Mas não basta prometer, como muitos fizeram. Tem que lançar uma PEC já em 2026, mostrar sua força e aprovar no Parlamento.
Se a reeleição foi o vírus que estendeu a vida do arranjo, sua revisão pode virar a moeda de previsibilidade pedida pelo sistema.
A metáfora do zumbi é essa.
Ninguém precisa de quatro mandatos para mostrar o que é capaz de fazer.
Até os mais idiotas sabem disso.
Não é sobre um personagem apenas. É sobre um corpo político que continuou se movendo por inércia, mesmo depois de ter perdido a capacidade de convencer.
Essa lógica ajuda a entender por que, em 2026, Lula pode deixar de ser funcional para setores que o apoiaram em 2022 por conveniência.
A coalizão que sustenta o governo é pragmática. Quando a conveniência muda, o alinhamento muda.
Há também um teto claro de crescimento imposto pela rejeição e a dificuldade de ampliar base no eleitor do meio.
O desgaste institucional atual empurra na mesma direção.
A opinião pública dá sinais de exaustão com a repetição do mesmo enredo e cresce a demanda por responsabilização visível.
Em ambiente assim, o sistema tende a procurar um culpado claro, alguém para ser lançado à arena.
O resultado provável é uma disputa por repasse de custo político.
Cada lado tenta empurrar o ônus para o outro, até que alguém vire o boi de piranha do ciclo.
Parlamento, judiciário e executivo não vão passar ilesos. Alguém será sacrificado. Eles já estão se empurrando.
Essa conta não fica sem dono por muito tempo.
Se essa leitura se confirmar,
2026 dificilmente passa sem mudança estrutural relevante.
Esse ciclo vai buscar fechamento, por rearranjo de alianças, por mudança de regra ou por troca do eixo que hoje sustenta a governabilidade.