Duas das maiores torcidas organizadas do Flamengo vestem as mesmas cores, acompanham o mesmo clube e ocupam a mesma arquibancada. Ainda assim, em diferentes momentos da história, Raça Rubro-Negra e Torcida Jovem se enfrentaram dentro e fora dos estádios, criando uma rivalidade que atravessa décadas e diferentes gerações.
A cena voltou a se repetir nos arredores do Maracanã, depois de Flamengo x Corinthians. Integrantes das duas organizadas entraram em confronto, em mais um episódio de uma relação marcada por períodos de convivência, tentativas de paz e novas explosões de violência. O episódio acarretou em mais uma punição vinda do Ministério Público: ambas estão suspensas das arquibancadas por dois jogos.
Não existe, porém, um único ponto capaz de explicar como tudo começou. A rivalidade entre Raça e Jovem foi construída aos poucos, por meio de disputas internas, diferenças de identidade e ideologia, competição por espaço e influência, além de alianças com organizadas de outros clubes espalhadas pelo país.
A Torcida Jovem surgiu em 1967, inicialmente com o nome Poder Jovem, a partir de uma dissidência da Charanga Rubro-Negra. O novo grupo queria mais autonomia para apoiar o Flamengo, protestar, cobrar jogadores e dirigentes e participar de forma mais ativa da vida do clube.
A Raça Rubro-Negra apareceu em 1977, também a partir de uma ruptura dentro de outra organizada, a Flamor. Entre os envolvidos na formação do grupo estavam pessoas ligadas à própria Jovem, o que mostra que a Raça não nasceu originalmente como uma adversária direta.
Quando a Raça começou a crescer, a Jovem já tinha espaço consolidado nas arquibancadas, e as duas passaram a disputar protagonismo dentro da torcida do Flamengo. Com identidades próprias e formas diferentes de atuação, também surgiram disputas por integrantes, faixas, território, caravanas, reconhecimento, influência e espaço no universo rubro-negro.
Em 2007, essa disputa apareceu de maneira bastante concreta. Durante Palmeiras x Flamengo, no antigo Parque Antártica, integrantes de Raça e Jovem brigaram por causa do espaço usado para pendurar faixas no setor destinado aos flamenguistas, obrigando a Polícia Militar a intervir para separar os grupos.
Na época, o comando responsável pela segurança informou ainda que uma bandeira da Raça havia sido queimada por integrantes da Jovem. Para jogos seguintes, chegou a ser planejada uma linha policial entre as duas organizadas, mesmo ambas acompanhando
o Flamengo e ocupando o mesmo setor visitante.
Ao mesmo tempo, um segundo elemento ampliou essa rivalidade: as alianças entre organizadas de clubes diferentes. No fim dos anos 1970 e durante parte dos anos 1980, grupos ligados a Flamengo e Corinthians mantinham relações próximas, e Raça e Jovem participavam desse mesmo ambiente de amizades interestaduais.
A Jovem possuía uma ligação com os Gaviões da Fiel. A Raça, por outro lado, mantinha proximidade com a Camisa 12. Durante cerca de uma década, essas relações coexistiram sem produzir uma divisão definitiva entre as duas principais organizadas do Flamengo.
O cenário começou a mudar em 1988. Naquele período, a Jovem rompeu sua relação com os Gaviões e passou a construir uma aproximação com a Independente, do São Paulo, relação impulsionada por lideranças das duas torcidas e que se transformaria em uma das alianças mais duradouras desse meio.
Nas organizadas, essas alianças costumam ir além de uma relação simbólica. Grupos parceiros recebem caravanas, oferecem apoio logístico em viagens, dividem espaços e mantêm relações entre suas lideranças. Em períodos de maior tensão, essas conexões também podem interferir diretamente em confrontos e rivalidades entre torcidas de clubes diferentes.
Em 2011, por exemplo, um confronto entre Raça e Jovem durante Flamengo x São Paulo, pela Copa São Paulo de Futebol Júnior, teve integrantes da Independente ao lado da Jovem.
Apesar dessa história, existiram períodos de convivência, aproximações e tentativas formais de reduzir as tensões. Em setembro de 2023, Raça, Jovem e Independente anunciaram publicamente um acordo de respeito, num gesto que buscava interromper uma sequência histórica de hostilidades.
Com o passar do tempo, a relação da própria Raça com a Independente entrou em uma fase de maior respeito, reduzindo uma antiga fonte de conflito. Outra divisão, porém, ganhou importância e passou a ocupar espaço na rivalidade entre as duas organizadas flamenguistas: as alianças construídas em torno do Cruzeiro.
A Jovem, que no passado manteve proximidade com a Máfia Azul, rompeu essa relação e se aproximou da Pavilhão Independente, outra organizada cruzeirense. A Raça seguiu caminho diferente e fortaleceu sua relação com a Máfia Azul, formando uma nova divisão entre grupos ligados às duas maiores organizadas do Flamengo.
O resultado reproduziu uma lógica já conhecida. De um lado ficaram Jovem e Pavilhão. Do outro, Raça e Máfia Azul. Como as duas organizadas do Cruzeiro também possuem um histórico de conflitos, novamente duas torcidas do Flamengo passaram a se relacionar com lados diferentes de uma disputa externa.
Mesmo quando uma antiga aliança perde força, outra relação pode ocupar seu lugar. Ao mesmo tempo, confrontos anteriores deixam provocações, respostas e disputas que continuam circulando entre integrantes, mesmo quando a causa original já perdeu importância.
Por isso, não existe uma única origem para a briga entre Raça e Jovem. A rivalidade foi construída aos poucos, primeiro, dentro da arquibancada rubro-negra e, depois, ampliada por uma rede nacional de alianças, conflitos, memórias e disputas que ultrapassaram os limites do próprio Flamengo.
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Como o Maranhão salvou a Seleção Brasileira
O Maranhão foi essencial para o Brasil ganhar o Penta, mas ninguém te contou isso. Em 2001, uma seleção desacreditada e envolvida em polêmicas foi até São Luís em busca de acolhimento e foi recebida com festa pelo povo. A energia e a força da cultura do Maranhão ajudaram o Brasil na reta decisiva das Eliminatórias, mas essa história é esquecida até pela própria seleção, que nunca voltou para agradecer aos maranhenses. Entre entender a magia da Ilha Magnética e resgatar uma memória única do nosso futebol, O PELEJA foi até São Luís para redescobrir o significado de uma seleção verdadeiramente brasileira.
#Maranhão #SeleçãoBrasileira #Penta #Copa2002 #Cultura
Fui entender por que a seleção argentina usou bruxaria na Copa
Na Argentina, futebol e misticismo são quase que a mesma coisa. Promessas, cábalas, jogadores santos, bruxas e rituais fazem parte do imaginário de uma seleção cercada por histórias que desafiam a lógica. Nesse documentário, o PELEJA investiga como essas crenças se tornaram parte da identidade do argentino e por que, pra muitos torcedores, o futebol também é uma questão de fé.
#copa #argentina #seleçãoargentina #misticismo
Por que ninguém queria essa Copa nos Estados Unidos
Mais de 10 mil dólares em um ingresso e torcedores de seleções classificadas que nem podem entrar no país-sede. A Copa do Mundo mais lucrativa da história também é uma das mais problemáticas e mostra que, enquanto os bolsos da FIFA estiverem cheios, abuso de poder, bombardeio e exclusão são detalhes irrelevantes.
Neste episódio do Ponto a Ponto, o PELEJA te explica o caos da Copa do Mundo.
#CopaDoMundo #CopaDoMundo2026 #EstadosUnidos #FIFA #PELEJA
Mais do que a final de um torneio, o TOMA O JOGO, movimento criado pela @nikefootball, se tornou um rolê cultural no centro de São Paulo com direito a batalha de rima, looks estilosos e, claro, futebol de rua.
O PELEJA colou lá e te conta o que viu de melhor:
https://t.co/3Wdxca6wZb
#NikeToma #Nike #FutebolDeRua #BatalhaDeRima #HipHop #Streetwear #Moda #CentroSP
Como nasce uma aliança entre torcidas de países diferentes? Foi com essa pergunta que o PELEJA colou nos arredores de São Januário pra acompanhar, de perto, o início da relação entre a Força Jovem, do Vasco, e a La Barra 79, do Olimpia.
#Vasco#VascoDaGama#Olimpia #TorcidaOrganizada #ForçaJovem #LaBarra79 #Sulamericana
O que ninguém te contou sobre o futebol “de graça” na internet
Propagandas que parecem sem fim, pausas que fatiam o jogo e competições pensadas apenas pra fazer grana. A forma de assistir futebol hoje é quase totalmente diferente de alguns anos atrás. Muita gente acredita que o jeito antigo se esgotou e que é preciso encontrar novas formas de ter sua atenção: seja indo de vez pro digital, criando novos campeonatos ou até apostando em um futebol express.
Só que esse movimento traz várias contradições. E é isso que o PELEJA te explica nesse episódio do Ponto a Ponto.
#MundoDigital #EraDigital #Brainrot #FutebolModerno #PELEJA
Boston parece um estado do Brasil de tanto brasileiro lá
Existe um lugar nos EUA que qualquer brasileiro se sente em casa. Apesar do frio, Boston se tornou com o tempo a cidade que abriga a maior comunidade brasileira por lá. Consequência de uma onda imigração que rola por décadas e ajuda a entender porque tinha tanta gente de amarelo no amistoso contra França.
O vídeo completo tá no canal Youtube do Podpah e faz parte da série VISITANTES, uma parceria do PELEJA com Podpah.
#Boston #EUA #CopaDoMundo2026 #PELEJA #Podpah
Por que proibir a cerveja no futebol é mais político do que parece
Se você quiser tomar bebida alcoólica em alguns estádios do Brasil, talvez precise esconder na meia. E isso não rola só aqui: em vários lugares do mundo, leis proíbem a venda e o consumo de álcool nas arquibancadas em nome da segurança.
No novo episódio do Ponto a Ponto, o PELEJA te ajuda a entender como política, dinheiro e poder moldaram essa proibição, e porque a cerveja no futebol é uma treta muito maior do que parece.
#Bebida #BebidaAlcoólica #Cerveja #Estádio #PELEJA
Em dia de Superclásico argentino entre River Plate e Boca Juniors, as diferenças entre os clubes, culturas e bairros fica ainda mais evidente. O PELEJA colou em Buenos Aires pra entender como é um River e Boca com 80 mil no estádio. O link pra assistir o vídeo completo tá nos stories.
#peleja #RiverPlate #BocaJuniors
Fui na caravana da torcida do Santos contra um rival de pista
Se para grande mídia o assunto do Santos é só Neymar, a arquibancada tá vivendo outros dilemas. Em um momento em que a Torcida Jovem do Santos tá ganhando novos rivais na pista, o PELEJA acompanhou essa organizada que tem as caravanas no seu DNA e que viaja até para jogos dentro da própria casa.
#Peleja #TorcidaJovemSantos #Futebol #SantosFC
Há 14 anos, uma briga entre corintianos e palmeirenses tomou proporções tão grandes que resultou em 25 réus na Justiça e na criação da medida da torcida única anos depois, em São Paulo.
A Batalha da Inajar de Souza pode ser contada em seis atos, que mostram desde os bastidores dos confrontos entre Mancha Verde e Gaviões da Fiel até a percepção pública dos fatos.
#BatalhaDaInajar #Corinthians #GaviõesDaFiel #Palmeiras #ManchaVerde #TorcidaOrganizada #Briga #TorcidaÚnica
Por que tem tanto jogador viciado em remédio
O artilheiro do seu time está tomando remédio controlado para dormir e no vestiário tem mais anti-inflamatório do que chuteira. Para manter o alto nível e fazer a máquina de dinheiro girar, os jogadores precisam estar no auge físico e mental o tempo todo, e é difícil se manter assim sem cair em alguns vícios.
Neste episódio do Ponto a Ponto, o PELEJA te explica como o futebol se tornou o jogo das pílulas.
#SaúdeNoEsporte #Doping #Vício #SaúdeMental #Fisiologia #PELEJA
Por que o futebol quer esconder a "macumba"
Ainda que digam que futebol e religião não se misturam, em todo jogo você vê demonstrações de fé em campo. Só que nem todas as crenças parecem ter um espaço real e seguro nos estádios.
O PELEJA foi entender como os batuques dos terreiros e as origens das religiões de matrizes africanas ajudaram a moldar o futebol e as arquibancadas brasileiras de hoje.
#ReligiõesDeMatrizAfricana #Religião #MatrizAfricana #Torcida #CulturaPopular #PELEJA
Por que o Brasil joga tantas vezes em Boston? O PELEJA tá no Gillette Stadium pra explicar um pouco mais disso. Hoje jogam Brasil x França, em amistoso de preparação para a Copa do Mundo.
Conteúdo editorial com apoio de @BetwarriorBr#SeleçãoBrasileira#Amistosos #CopaDoMundo2026 #GilletteStadium #Boston
Apesar de não estar diretamente ligado ao discurso redpill, que tem crescido cada vez mais nas redes, o futebol é, historicamente, um dos principais espaços onde a misoginia se manifesta.
O PELEJA conversou com Ana Carolina Vimieiro, professora da UFMG, para entender o que explica isso: https://t.co/xInhY0Z20b
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Há exatos 14 anos, uma briga entre corintianos e palmeirenses tomou proporções tão grandes que resultou em 25 réus na Justiça e na criação da medida da torcida única anos depois, em São Paulo.
O repórter Kaique Dalapola ouviu torcedores e traz os bastidores dos confrontos entre Mancha Verde e Gaviões da Fiel que levaram ao embate de 25 de março de 2012: https://t.co/5r5BRhGRre
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