Poderia não escrever nada sobre este momento escroto. Ninguém tá me obrigando a dar explicação. Aliás, até agora não tô devendo explicação pra nenhuma instituição nacional.
Mas eu tenho o hábito de tirar uma de gostoso com uns textinhos quando o Flamengo ganha os seus jogos, por isso acho que é meio palha que nas raras oportunidades em que isso não acontece eu fique na moita, acuado, sem querer chamar a atenção.
Como se me esquecesse que não chamar a atenção não é um direito franqueado ao torcedor rubro-negro médio, já estamos acostumados a esta pré-condição. Ao meu ver, ser Flamengo agora é ir pra pista, botar a cara. Não julgo quem prefere se entocar, cada um com seu cada um.
Afora todos os sinais, gestos, maneirismos e comportamentos diferenciais, o torcedor rubro-negro compartilha uma característica com a maioria dos torcedores menos bem vestidos: o ódio, a repulsa, o medo e o preconceito com as derrotas.
Por mais cor-de-rosa que seja a lente, por mais copo-cheísta que seja a teoria, não há como um rubro-negro ver algo de positivo em uma derrota. Importa pouco constatar que o Flamengo jogou à vera uma partida muito dura e disputada contra o supostamente melhor time do mundo e quase chegou lá. É o quase que fode com tudo.
O quase é insuficiente, um redutor da realidade. O Flamengo poderia ter jogado mal, retrancado, levando baile, que qualquer resultado pró Flamengo transformaria em um jogo histórico. Como não foi o que aconteceu em Doha, passa a valer o escroto, digo, passa valer o escrito, só que invertido, descercado pelos sete lados com um numero diferente do talão.
Todo o bonito feito ao longo de 120 minutos se desvanece, some, entra por um desvão da história e vai viver apenas nas memórias dos mais doentes e do goleiro do Paris. Que vai contar aos netos do dia em que jogando num estádio no meio do deserto chutaram 4 pênaltis em cima dele. Parabéns ao Flamengo pela bela trajetória, obrigado por um ano incrível e pelo balde de momentos inesquecíveis. Mas desse último jogo eu prefiro esquecer.
De que jogo vocês estão falando, mesmo?
Mengão Sempre