Sobre a doação ao NOVO: sim, pessoa física pode doar para partido, é legal, não precisa ser solicitado. Henrique Vorcaro, pai de Daniel, aparentemente cumpriu as formalidades. Ponto para a defesa.
Mas o @partidonovo30 ainda não respondeu à pergunta que importa: o doador é o pai do homem no centro de uma investigação envolvendo dois filhos do ex-presidente. A doação é legal. O contexto do doador é outro problema, especialmente para um partido que se vende como símbolo de ética e lisura.
Agora, o resto da história.
O que o áudio mostra
O senador Flávio Bolsonaro negociou com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master,hoje preso , um financiamento de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O áudio deixa claro que parcelas já haviam sido pagas. Flávio admitiu que pediu o dinheiro, chamando de busca de "patrocínio privado para um filme privado".
A produtora que não recebeu nada
A GOUP Entertainment afirma categoricamente que, entre os mais de uma dezena de investidores do Dark Horse, não consta um único centavo proveniente de Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer empresa sob seu controle societário. Metrópoles
Mas então quem recebeu os R$ 61 milhões que, segundo o Intercept, já foram pagos?
O fundo no Texas que não faz filmes
Os documentos societários obtidos pelo Intercept mostram que o dinheiro foi para o Havengate Development Fund LP, registrado no Texas, cujo agente legal é o escritório "Law Offices of Paulo Calixto PLLC" , Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. Os registros apontam o corretor de imóveis Altieris Santana como membro do quadro societário, e Paulo Calixto como membro e administrador. Intercept Brasil
O Havengate não é uma produtora. É um fundo de investimento imobiliário, controlado pelo advogado de Eduardo e por um corretor de imóveis, que nada têm a ver com cinema.
Em março de 2025, Eduardo Bolsonaro apareceu diretamente nas tratativas. Thiago Miranda encaminhou a Vorcaro uma captura de tela em que um número atribuído a Eduardo sugere alternativas para facilitar o envio dos recursos aos EUA e informa que Altieris Santana estaria disponível para reuniões presenciais relacionadas à operação. Intercept Brasil
Ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações, transferidos via Entre Investimentos e Participações, empresa que as autoridades suspeitam ser controlada ocultamente por Vorcaro.
Quem é a GOUP
Vale conhecer a produtora que negou tudo. A Go Up Entertainment tem como única sócia Karina Ferreira da Gama, com sede em um coworking na Avenida Paulista. Nos registros da Flórida, aparece também o nome de Michael Davis, produtor executivo do filme.
Karina não é uma empresária qualquer do audiovisual. O Instituto Conhecer Brasil, ONG da qual é presidente, recebeu mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de wi-fi em periferias, parte do serviço não foi prestada. Já a Academia Nacional de Cultura, outra pessoa jurídica de Karina, recebeu R$ 2,6 milhões em emendas pix de deputados do PL em 2024, para produção de um documentário que não saiu do papel.
O deputado Mário Frias (PL-SP), roteirista e produtor executivo do Dark Horse, além de destinar emendas às ONGs de Karina, já contratou uma de suas empresas na campanha eleitoral de 2022.
O paradoxo da negação
A nota da GOUP tem uma contradição interessante: a produtora alega que a legislação norte-americana aplicável a operações privadas de captação no setor audiovisual veda a divulgação da identidade dos investidores protegidos por NDAs, mas ainda assim afirma categoricamente que Vorcaro não está entre eles.
Ou os NDAs valem, e ela não pode falar sobre investidores. Ou não valem, e ela pode confirmar quem está na lista. As duas coisas ao mesmo tempo não fecham.
Outro detalhe: a nota não foi enviada à imprensa convencional. Foi encaminhada a Paulo Figueiredo, aliado histórico da família Bolsonaro.
As perguntas que ficam
➡️ A GOUP não recebeu. O Havengate sim. Por quê o dinheiro de um filme foi para um fundo imobiliário no Texas?
➡️ Por que Daniel Vorcaro enviou recursos para o advogado de Eduardo a pedido do senador Flávio?
➡️ Eduardo apareceu diretamente nas tratativas. Qual era exatamente o seu papel?
➡️ É coincidência o pai do interlocutor de Flávio aparecer como doador do NOVO?
➡️ E por que a nota de uma produtora cinematográfica foi enviada a um aliado político, e não à imprensa?
A defesa que só responde à pergunta mais fácil não está defendendo , está desviando.
A teia de empresas e ONGs — tudo no mesmo endereço
A Go Up Entertainment, o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura compartilham o mesmo endereço: um coworking na Avenida Paulista. Karina é sócia única ou presidente de todas. Intercept Brasil
1. Instituto Conhecer Brasil (ICB) — R$ 108 milhões da Prefeitura de SP
O ICB não tinha nenhuma experiência prévia em telecomunicações, e foi o único concorrente em um edital que tinha ao menos 20 irregularidades, segundo o Tribunal de Contas do Município. O órgão questionou a escolha de uma ONG para prestação do serviço com critérios genéricos e recomendou pelo não prosseguimento do edital. Intercept Brasil
Investigação aponta que o serviço custou até oito vezes mais do que o praticado por empresas públicas — R$ 1.800 por ponto contra R$ 230. Além disso, R$ 26 milhões foram pagos por serviços que, segundo auditorias, não foram prestados integralmente.
O contrato foi assinado em junho de 2024. A prefeitura pediu para antecipar a instalação de vários pontos, o que permitiu que mais de mil localidades recebessem Wi-Fi gratuito durante o período eleitoral, no qual Nunes concorria e acabou reeleito. Depois, o ritmo desacelerou. Threads
O ICB subcontratou a UltraIP (R$ 30 mi), a Favela Conectada (R$ 12 mi — sediada em uma casa residencial), além das empresas Complexys e Fast Future.
2. Academia Nacional de Cultura (ANC) — R$ 2,6 mi em Emendas Pix
A ANC captou R$ 2,6 milhões em emendas Pix de parlamentares bolsonaristas do PL: Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollon, além de R$ 200 mil de Gil Diniz, para uma série documental que ainda não foi lançada. Revista Fórum
A ANC não tem CNAE para produção audiovisual. Ramagem e Zambelli perderam seus mandatos por condenações no STF.
3. As investigações abertas
O ministro Dino intimou Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon para apresentar explicações em até cinco dias úteis sobre as irregularidades apontadas. A Crítica
Tabata Amaral acionou o STF, apontando que o ecossistema formado pelas quatro empresas de Karina tem sido destinatário de fluxos financeiros distintos, mas originados de fontes politicamente conexas.
Não deixe esse vídeo cair no esquecimento
Se possível faça o download e salve no seu aparelho antes que a nossa "justiça" decida que é fake news falar que o Lula defende ladrão
Golaço do Brasil! 🇧🇷🙌
Um basta à politização do STF! Um basta ao comportamento vergonhoso de ministros! Um basta às perseguições!
Vamos acabar com a farra dos intocaveis!
🚨URGENTE - Deputado Nikolas Ferreira expõe toda a vida de Jorge Messias e o que ele fez nos últimos anos
“O mesmo homem que quer dar ao governo o poder de censurar o que circula na internet, vai sentar no tribunal que decide se isso é constitucional ou não!”
Pelo amor de Deus.
Se controla, Alexandre.
O ministro Alexandre de Moraes aproveitou o julgamento de um processo do deputado Gustavo Gayer contra um outro deputado e simplesmente começou a mandar indiretas para o Romeu Zema.
Um completo desvio de finalidade.
Um desrespeito com o dinheiro público.
Um desrespeito com o Direito e com o processo penal.
Um desrespeito com o STF.
Os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes têm que aprender que não é porque tem um microfone ali na mesa que eles podem falar qualquer coisa.
A sessão de julgamento dos processos é DOS PROCESSOS.
Não é pra cantar.
Não é pra recitar poesia.
Não é pra mandar recados políticos.
Se quiserem um microfone e uma bancada para dar recados políticos, candidatem-se ao Congresso.