SEJA FELIZ EM HAVANA, COM OU SEM BARBA
"A esquerda não tem nem ideia do mundo em que vive." A frase não é minha. É de José Saramago, Nobel de Literatura, comunista de carteirinha e ateu que escreveu um "evangelho". Ele havia dito isso a um jornal argentino, com um palavrão no meio. O Nobel tinha licença para o palavrão. Eu tenho licença para traduzir o espírito da coisa.
Anos depois, Saramago reclamou que a esquerda respondera com o mais gelado dos silêncios. No mesmo texto, jurava que Marx nunca tivera tanta razão. Morreu em 2010, sem perceber que o problema estava no livro de sua cabeceira.
A esquerda não ignora o mundo por falta de leitura. Leu Marx, leu Gramsci, sublinhou tudo. Leu como quem decora o catecismo. Eu li como quem confere a conta do restaurante, e a conta nunca fechou. Quando a teoria briga com os fatos, o militante fica com a teoria, fiel à fórmula atribuída a Nelson Rodrigues: se os fatos estão contra mim, pior para os fatos.
Conheço essa turma de perto. Em 1992, eu apresentava o 25ª Hora, na TV Record, e convidei para uma entrevista um deputado federal em primeiro mandato chamado Jair Bolsonaro. Tínhamos passado pelas mesmas escolas, em épocas diferentes, mas essa história eu conto mais adiante. Bolsonaro usou cada minuto para dar a sua versão de 1964, que chamava de revolução. Não xingou nem ofendeu ninguém. Apenas enfileirou, em rede nacional, fatos que a grande imprensa preferia deixar na gaveta. Foi um estrondo.
No dia seguinte, chegou o pedido do PT: espaço para José Dirceu. Concedido. Dirceu sentou-se na mesma cadeira, teve o mesmo tempo e contou a sua versão do que chamava de ditadura militar, nome que a grande imprensa acabaria adotando como oficial. Na minha bancada, os dois lados falaram. Anote.
Corta para 1994. Fernando Henrique contra Luiz Inácio da Silva, o Lula. Fiz a escolha de quem não tinha escolha. Entre a esquerda caviar, que cita Max Weber no jantar, e a esquerda do Foro de São Paulo, que cita Fidel no comício, fiquei com o caviar, apesar de preferir uma boa feijoada.
Eu era um dos comentaristas do Record em Notícias, o debate do meio-dia. Comentando o tom raivoso da campanha petista, dirigi-me a José Dirceu, então candidato do PT ao governo de São Paulo, o mesmo que eu havia entrevistado dois anos antes, e disse, ao vivo: "Por favor, pega um avião, eu vou lhe dar um conselho, e vai para Cuba. Seja feliz em Havana."
No mesmo programa, o deputado estadual Edson Ferrarini, do PL, falou em guerrilheiros que haviam matado soldados inocentes. O juiz Celso José Pimentel, do TRE, viu calúnia, "em tese", em nossas falas. O tribunal suspendeu duas edições do programa, deu direito de resposta ao candidato e mandou a fita para a Procuradoria. A Folha de S.Paulo registrou tudo em 11 de agosto de 1994, e a página está logo abaixo. Em 1992, dei o microfone a Dirceu. Em 1994, ele foi ao tribunal calar o meu.
No programa seguinte, subi um degrau e mandei recado ao próprio Luiz Inácio da Silva, o Lula: "Tire a sua barba e mostre quem você realmente é ao povo brasileiro." Nova punição para a emissora, novo processo nas minhas costas.
Como acabou? Venci os dois processos na Justiça e não pedi nada em troca. São Paulo respondeu por mim: a Câmara Municipal me deu a Medalha Anchieta e o Título de Cidadão Paulistano. Deixei a vida seguir, e ela seguiu por caminhos curiosos.
Em 2002, por meio de um amigo, conheci o Frei Betto, um frade dominicano que havia participado da guerrilha urbana da ALN de Marighella e passado quatro anos preso pelo governo militar. Já em liberdade, escreveu "Fidel e a Religião". Fazia décadas que ele era confidente do barbudo. Logo na primeira conversa, contei-lhe a história das escolas: passei pela Escola Preparatória de Cadetes, em Campinas, e me formei, em 1982, na Academia Militar das Agulhas Negras, como oficial de Infantaria. Disse-lhe, também, que havia deixado o Exército em 1985, como primeiro-tenente, três anos antes do capitão Jair Bolsonaro. Imagine a cena: o ex-oficial de Infantaria frente a frente com o ex-guerrilheiro. Ele me olhou com cara de espanto. Natural.
Um frade e um pastor, em lados opostos de quase tudo. Sempre nos demos bem. Os livros dele chegavam com dedicatória: "Ao pastor Didini". Eu lia todos. Frei Betto me respondeu com dedicatórias. Dirceu e a campanha de Luiz Inácio da Silva, o Lula, com processos.
Trinta e dois anos depois daquele agosto, faço as contas. Quem tinha 20 anos em 1994 tem hoje 52. Salvo os militantes da UNE, duvido que essa geração conheça esses fatos. Nikolas Ferreira ainda levaria dois anos para nascer. Flávio Bolsonaro era um menino de 13. Sergio Moro tinha acabado de fazer 22 e estudava Direito em Maringá. Boa parte dos protagonistas de hoje não viu o filme. Eu estava no elenco.
No domingo, dia 4, São Paulo votou. E justamente aqui, na terra da Record, onde o programa acabou censurado. A grande maioria dos eleitores não viu aquele filme, mas parece ter assistido à reprise. Zé Dirceu tentou voltar à Câmara e ficou de fora. Não foi para Havana, claro, mas também não foi para Brasília. E Luiz Inácio da Silva, o Lula, continua de barba.
Eu também continuo por aqui, graças a Deus, com histórias inéditas... para quem gosta de reprise.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.
CASO CHRISTA PIKE:
A CADEIRA ELÉTRICA E O SINAL DE CAIM
Marsha Blackburn quer trazer de volta a cadeira elétrica. A senadora e candidata republicana ao governo do Tennessee fez a promessa na manhã seguinte à execução fracassada de Christa Pike: “Como sua governadora, farei exatamente isso.”
Acontece que a lei do Tennessee já permite a eletrocução quando a injeção letal não pode ser aplicada, e quem cometeu o crime antes de 1999 pode escolher morrer na cadeira. Christa Pike matou Colleen Slemmer em janeiro de 1995. Os colegas de partido querem ir além. O presidente da Câmara estadual, Cameron Sexton, disse que nenhum método está fora da mesa, e o senador estadual Todd Gardenhire acha a cadeira o caminho “mais rápido e mais simples”. A injeção também foi vendida como simples. Foram duas doses de pentobarbital, e a história se arrasta até hoje.
Enquanto os políticos discutem como executá-la, Pike reaprende a andar. Ela acordou na terça-feira no centro médico da Universidade Vanderbilt, em Nashville, depois de quase uma semana inconsciente. Na véspera, segundo o advogado Randy Spivey, a defesa acreditava que ela tinha morte cerebral. Na quarta, deu os primeiros passos pelo quarto, contou à BBC outro advogado, Stephen Ferrell. Ele não a viu, mas soube que os braços continuam tão inchados que ela mal consegue usá-los.
Os advogados de Pike agradeceram as orações de milhares de pessoas pelo mundo. Também oro, mas não festejo. Aprendi que a justiça divina sempre tem voz nestes casos. Pike anda pelo quarto. Colleen ficou em janeiro de 1995, num canto ermo do campus da Universidade do Tennessee, em Knoxville, onde foi torturada e morta aos 19 anos.
A mãe de Colleen, May Martinez, dirigiu quase mil quilômetros até Nashville para lembrar que a filha se foi. Fez um ursinho com uma camiseta de Colleen, aquela de “computer geek”, das aulas de computação. Chamou a noite da execução de “uma bagunça”. Agora, quando lhe perguntam o que deve acontecer, responde que não importa o que ela pensa. Faz 31 anos que ela pensa numa filha que não passou dos 19.
É por mães como May que muita gente defende a pena de morte, e com a Bíblia aberta. No Gênesis, depois do dilúvio, Deus diz a Noé que quem derramar o sangue do homem terá o seu sangue derramado pelo homem. Quem pensa assim lê a mesma Bíblia que eu leio. Mas, em Deuteronômio, as Escrituras dizem que a vingança pertence ao Senhor, e o profeta Ezequiel registra que Deus não tem prazer na morte do ímpio. Incoerência bíblica? Não. Incoerência humana.
O primeiro homicídio da Bíblia aconteceu cinco capítulos antes de Noé. Caim matou Abel, e Deus disse que a voz do sangue do irmão clamava a Ele desde a terra. Abel não foi esquecido. Caim foi amaldiçoado e saiu errante pelo mundo. Mas Deus avisou que quem o matasse seria castigado sete vezes. A incoerência é nossa, que escolhemos o versículo que cabe no palanque.
A justiça dos homens tem outro ofício, que é proteger a sociedade e punir. Uma prisão perpétua sem condicional, como pede a defesa, pune. O que não cabe a nenhum governo é posar de Deus e errar duas vezes. Em cinco meses, o Tennessee fracassou em duas execuções, e o mesmo médico participou das duas.
Um americano respondeu a um post meu no X que todo esse vai e volta não muda nada: vão matá-la de qualquer jeito. Pode ser. A lei permite tentar de novo. A mãe de Colleen acha que o Estado não fará outra tentativa. Em novembro, os eleitores do Tennessee darão o seu palpite.
Deus também teve um assassino nas mãos... mas colocou um sinal.