LITO, MADERITE E O TEMPO
O vídeo de Lito hoje me atravessou de um jeito difícil de explicar.
Talvez porque, diante de tanta dor, todas as coisas que pareciam enormes diminuam de tamanho.
O dinheiro, o trabalho, os compromissos, as disputas políticas, as preocupações e principalmente, a PRESSA.
A nossa eterna pressa para tudo que não é importante.
Quando a vida nos coloca diante desse limite que Lito está vivendo, quase ninguém pede mais sucesso, mais reconhecimento ou mais conquistas.
Pedimos mais TEMPO.
Mais um dia.
Mais uma conversa.
Mais uma viagem de avião.
Mais uma brincadeira com o filho.
Mais um abraço em quem amamos.
Lito disse, com a voz embargada pelo choro:
“Eu queria ter muito mais TEMPO com ele.”
E nessa frase cabe quase tudo.
Curiosamente, Lito passou anos nos ensinando exatamente isso, mesmo sem dizer dessa forma.
É isso mesmo.
Quando falava para as pessoas perderem o MEDO de voar, viajarem e conhecerem o mundo com suas famílias, ele não estava falando apenas sobre segurança aérea.
Estava dizendo:
Não permita que o medo roube a vida que você ainda pode viver.
Henrique Maderite, outro que sempre fui fã, dizia a mesma coisa em outro contexto.
No idioma da cerveja, da risada, do interior de Minas e da sexta ao meio dia:
“Sextou, papai. Quem fez, fez.”
Por trás do bordão havia uma verdade muito maior que a brincadeira.
O trabalho nunca termina.
As obrigações nunca terminam.
A lista de problemas nunca termina.
A vida, sim!
Por isso, pare um pouco. Celebre. Esteja com os seus. Faça aquilo que lhe traz alegria enquanto ainda existe tempo.
É difícil, eu sei muito bem.
Em homenagem ao Lito, ou a sua família.
Emita a tal passagem que você está enrolando decidir.
Um nos ensinava a voar.
O outro nos ensinava a parar.
Um combatia o medo que impedia de curtir.
O outro combatia a pressa, que adiava curtir.
Mas os dois apontavam para o mesmo lugar:
Não adie a vida.
Talvez a maior tragédia não seja apenas ter pouco tempo.
Talvez seja desperdiçar o pouco tempo que temos com aquilo que não importa e perceber isso somente quando ele começa a faltar.
Temos o péssimo hábito de entregar às pessoas que amamos apenas o tempo que sobra.
Depois do trabalho.
Depois dos compromissos.
Depois das preocupações.
Depois de resolvermos tudo, quando estamos completamente esgotados.
Mas nunca resolveremos tudo.
Falo por mim.
Lito, este texto não é uma despedida.
Como você mesmo disse, o jogo só acaba quando termina. Vai pra cima!
Torço profundamente por você. Oro para que Deus cuide da sua saúde, fortaleça Mila e seu filho e permita o milagre que tanta a gente tanto deseja.
Obrigado pelo vídeo de hoje!
Obrigado por nos lembrar, mais uma vez, que o tempo com quem amamos não pode ocupar apenas um espaço vazio em nossa agenda.
Precisa estar no topo de prioridades dela.
Porque, no fim, a pergunta mais importante não será quanto produzimos, quanto acumulamos ou quantos problemas resolvemos.
O checklist real é outro.
Será com quem estivemos.
Quanto amamos.
E quanto de nós entregamos enquanto ainda havia… TEMPO.
@glauber_doc@LuccaLudovica No internato, ouvi do R4 da vascular: Existe cano que leva ouro e cano que leva 💩.
Sobrei pra turma que prefere o segundo tipo.
Sabe a tal da angioplastia? Aquilo de colocar um stent e dilatar uma artéria do coração pra tratar um infarto?
A primeira angioplastia foi feita há 62 anos, em 16 de janeiro de 1964, por um radiologista americano taxado de louco, que resolveu dilatar um estreitamento de uma artéria de perna numa idosa de 82 anos que recusava a amputação. Tudo era precário e com poucos materiais criados pra isso.
Dotter depois recebeu o Nobel de Medicina, mesmo sendo rejeitado pelos seus colegas que não acreditaram na técnica.
Se hoje você é salvo de um infarto depois ao fazer um cateterismo e abrir uma artéria entupida, agradeça a esse americano corajoso e destemido que mudou a história da medicina há 62 anos.
Neste dia, 16 de janeiro, comemoramos o Dia Mundial da Radiologista Intervencionista. #WorldIRDay
Thirty Years of Ortho: What I’d Tell the Next Generation
I’ve been an orthopedic surgeon for three decades. Long enough to see techniques come and go, implants rise and fall, and the pendulum of “standard practice” swing back and forth more times than I can count.
What hasn’t changed are the pressures that come with the job… and the quiet lessons you don’t fully understand until you’ve liv,ed them.
If I were talking to the next generation—residents, fellows, the young attendings just getting their legs under them… this is what I’d tell them.
You can’t build a meaningful career on RVUs. You can meet every target and still feel empty. A career that lasts is built on trust, judgment, and relationships. You don’t measure that in productivity metrics.
A good surgeon listens more than they talk. People think surgery is a technical field, but the real work is in understanding what someone is actually asking of you. Most patients are just scared. They don’t need your scalpel, no matter what the MRI shows. Half the mistakes in this profession start with bad listening.
Master the anatomy. Master the craft. But learn the limits too. Early in your career, you’re focused on what you can do. With experience, you start to appreciate what you shouldn’t do. Judgment is a superpower.
Protect your time, or the system will take every minute you allow it to.
Learn to say no!!! There’s no shortage of demands. Notes. Inboxes. Meetings. Every one of them feels urgent. Some of you might actually feel important when you go to meetings... But... None of them is worth sacrificing your sanity or the people waiting for you at home.
Seek colleagues, not titles. Promotions and committee seats feel important for a season, but it’s just fluff, and nothing gets accomplished in those meetings anyway.
Your strength matters more than you realize. Not your technical strength—your physical and emotional strength. You can’t take care of people if your own health fades. Move, lift, sleep, and protect your energy. A worn-out surgeon becomes brittle.
Be the doctor you’d want for your family.
You need a life outside the operating room if you want a long life inside it. The surgeons who last aren’t the ones who work the most—they’re the ones who stay grounded. They have people they care about, interests that pull them away from medicine, and enough perspective to know that identity and work are not the same thing.
Thirty years in, the operations are only part of the story. What keeps you going is the purpose behind the work—helping people move, reassuring them when they’re scared, giving them back pieces of their life.
That’s the part that never gets old.
Tonight it finally clicked for me.
Neo asks her the classic question:
“If you already know what I’m going to do… do I really have a choice?”
And she hits him with the line:
“You’ve already made the choice. You’re just here to understand why.”
For years I thought this meant “there’s no free will.” But that’s not it.
Here’s the real insight:
Free will doesn’t exist in the moment.
It exists in the identity that leads to the moment.
The actions you take right now?
They’re mostly automatic - shaped by your conditioning, experiences, fears, habits, and past.
But the person you’re becoming?
That’s where your freedom actually lives.
You don’t choose the moment.
You choose the man who will meet the moment.
Or put in another way:
Determinism writes the past.
Identity writes the future.
Because when your life isn’t where you want it to be, the answer isn’t “make better choices.” The answer is: become the version of yourself who makes better choices automatically.
That’s the real red pill.
@glauber_doc Êxodo do apocalipse urbano: Custo de vida caro, qualidade de vida ruim. Tão procurando cidades médias. Acabou aquela história que a tecnologia de ponta só tem na metrópole.
Morreu hoje o economista @StephenKanitz. Reproduzo abaixo um texto dele sobre como Lula e o PT condenaram os aposentados ignorando seus conselhos, antes mesmo da Farra do INSS ser descoberta.
Meu Encontro com Lula
Por Stephen Kanitz, 26/12/2023.
Foi em 2001, e Lula, mais uma vez candidato à Presidência, desejava discutir economia com pessoas diferentes dos usuais intelectuais do PT.
Seu contador, Antoninho Trevisan, reuniu Walter Appel, Guilherme Leal, Luiz Cezar Fernandes e eu para compartilharmos nossa visão dos grandes problemas nacionais.
Guido Mantega estava acompanhando Lula.
Na minha vez de falar eu apontei o que achava que era o problema mais urgente e importante.
Disse eu: “O problema número um é o sistema de previdência por repartição, onde o Estado retira 28% dos salários dos trabalhadores jovens para pagar as aposentadorias da velha geração de funcionários públicos, professores de sociologia e idosos em geral.
Isso mantém os jovens eternamente pobres, forçados a se endividar, enquanto o país fica sem recursos financeiros a longo prazo, ideais para o financiamento empresarial.
Se esses 28% não fossem gastos, mas investidos para o futuro, estaríamos hoje com 16 trilhões em fundos de pensão, o equivalente a 45 BNDES.
Se você não realizar imediatamente uma reforma no primeiro ano de governo, uma reforma conforme a Constituição manda no artigo 201 “observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial“ o Brasil não crescerá nos próximos 30 anos.
Além disso, nossa produtividade permanecerá estagnada, nossos jovens continuarão pobres, e nossos juros reais permanecerão elevados.
Hoje, temos um sistema em que os jovens são escravizados pelos mais velhos, algo inaceitável no século 21.”
Era algo que eu já vinha escrevendo, inclusive na Veja há 20 anos. Portanto, estava bem a par do assunto.
Discutimos por cerca de três horas vários assuntos e ao final, Lula agradeceu nossa contribuição e disse:
“Ainda bem que, segundo o Kanitz, eu já sou aposentado, pois isso significa que já garanti o meu.”
Não publiquei essa declaração porque foi dita em tom de brincadeira e o encontro era confidencial.
Mas não pude deixar de pensar que isso era típico do PT, e tudo o que eles defendiam e ainda defendem até hoje.
Direitos e mais direitos, direitos adquiridos em detrimento da nova geração, dos mais pobres, pois acima de R$ 7.000,00 por mês, aos ricos não incide INSS.
Lula tinha condições, com sua popularidade, de mudar o país, acabar com a escravidão dos jovens, reduzir a taxa média dos juros, fazer o país crescer com caixa e não dívidas, como fez, enquanto o problema estava em seu início, em 2002.
Hoje, a dívida da nova geração com a velha é de 136 trilhões de reais, o custo de uma transição para um regime de acumulação solidária.
O fato de que essa dívida agora é 80% impagável significa que idosos literalmente morrerão de fome, não poderão se aposentar e terão que competir com os jovens por empregos.
Vinte anos de governos do PT, onde esse problema foi deliberadamente escondido por economistas como Guido Mantega, que afirmou no encontro que “não havia deficits”, selaram nosso futuro, que será de um enorme conflito intergeracional.
Jovens recusando pagar o INSS e economistas achando outras formas de taxá-los.
Fico incrédulo como nossos intelectuais ignoraram esse problema, e o pouco apoio que tive nesses 50 anos.
Alertando quase todo ano sobre esse problema desde 1983, sem um sinal nem da velha geração nem da nova, como o MBL, condenados à pobreza por direitos supostamente adquiridos, mas não são.
Seremos uma nação de escravos, como de fato já somos.