Existem várias táticas eleitorais em disputa no caminho para derrotar Bolsonaro. Respeito quase todas e sigo, por óbvio, a tática definida pelo PCB. Agora não é possível respeitar ilusão. Falar em programa antineoliberal em torno de Lula é só autoengano.
O jogo não acabou e muita coisa pode acontecer ainda. Dito isso, a galera ficou ontem debatendo que se Messi ganhasse a Copa ele iria superar Pelé e Messi não viu a cor da bola ainda.
@marteogm Nossa, camarada. Primeiro que a crítica não foi apenas isso. Segundo que o próprio Jones agita o programa da bancada como um programa revolucionário.
@jonesmanoel_PE Pô, camarada. Você sabe que não foi uma pseudocrítica... Não dá pra tratar toda discordância como ataque ou pseudocrítica só pra deslegitimar. Mas enfim, torço muito por você. Abraço!
@jonesmanoel_PE O tal "fazimento" não pode ser usado de muleta para justificar recuos estratégicos. Senão, vira o famoso "participar do leito dos grandes acontecimentos, e não de suas margens", do PCdoB, que, na prática, é utilizado para justificar todo tipo de rebaixamento político do partido.+
"Buscaremos debater como os fundamentos apresentados pelos companheiros no Manifesto acabam por apresentar metade do problema, mas não trazem respostas para a luta dos trabalhadores no longo prazo."
Por Gabriel Lazzari, Secretário-Geral do PCBR
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A preocupação do camarada @eliasjabbour é até compreensível, mas, do ponto de vista regimental, tem muitos limites.
Porém, é no campo da tática política que essa postura mais preocupa.
Escrevo isso porque esse é o argumento padrão de boa parte da esquerda; não é, portanto, um debate pessoal, mas político e amplo.
Com todo o respeito à leitura que o Elias e outros camaradas fazem, chega a ser curioso observar como mordem a isca e caem com tanta facilidade na armadilha mais primária da extrema-direita. Bora entender o porquê?
Tem circulado na esquerda um argumento que força um cenário de "tudo ou nada": dizem que, se perdermos no destaque da 4x3, perdemos o projeto inteiro.
Na prática, para quem acompanha minimamente o rito processual, isso passa longe da realidade.
O PL vai apresentar o chamado destaque de preferência para o texto da Erika Hilton.
Essa votação ocorre antes do mérito e serve justamente para escolher qual texto guiará a discussão. Se formos derrotados no destaque de preferência pela 4x3, não cai tudo e o mundo não acaba.
Por definição regimental e constitucional, fica garantido que o texto da 5x2, com transição, entre em votação imediatamente na sequência.
Não existe "tudo ou nada".
Vale desenhar, então, o motivo de terem comprado o jogo da direita de forma tão inocente.
O cálculo da extrema-direita é puramente cínico e hipócrita, e, se a gente trucar, eles recuam. Saca a tática deles:
Primeiro, vão pautar o destaque da 4x3 esperando, com isso, forçar o governo a se desgastar ao orientar a base para derrubá-lo.
Na sequência, entra a 5x2, que será aprovada. Percebam: eles não cogitam, em hipótese alguma, aprovar a 4x3 de verdade. E esse é o pressuposto central. A extrema-direita é inimiga histórica dos trabalhadores e aliada incondicional dos patrões. A aposta deles é uma só: transferir o custo político da rejeição da 4x3 para o colo do governo.
A pior parte vem no dia seguinte: quando o governo for comemorar a vitória histórica do fim da escala 6x1, o bolsonarismo irá para as redes dizer que "se dependesse deles, teria sido a 4x3".
De quebra, vão esfregar a lista com o voto de cada deputado e partido da base do governo. Ou seja, vão ofuscar a conquista real do fim da 6x1 empurrando a narrativa de que, na verdade, entregamos uma derrota na 4x3.
Entrar nesse jogo e abraçar esse desgaste agora, por pânico, desconhecimento regimental ou análise tática equivocada, é um erro político gigantesco. Ou, pior: pode indicar um medo velado de que a aprovação da 4x3 realmente prejudique o setor empresarial. Nesse caso, a 4x3 é vista como "problema econômico".
Portanto, se o governo trucar e disser que topa, vocês acham mesmo que a extrema-direita mantém a posição, correndo o risco de comprar briga com o "Velho da Havan" e os demais empresários que os banca? Sério mesmo?
Então é isso. Temos que defender a 4x3. Se alguém for derrubar, que sejam eles.
Aliás, cá entre nós, o nosso erro começou lá atrás, quando o PSOL e outros partidos de esquerda não anunciaram que fariam destaque de preferência pela 4x3 caso perdessem no parecer do relator.
Isso teria impedido esse movimento oportunista da extrema-direita!
Pois é. Aos que pensam que ser recuado é pragmatismo e grande política, ficou a lição.
Tá pra ser lançado uma aliança de candidaturas da "esquerda radical" composta exclusivamente por partidos da base do governo Lula. Isso mesmo, um bloco de "esquerda radical" sem nenhum partido comunista 🤡
Ainda não digeri o programa do Farol Brasil onde Heribaldo Maia e Thalita Sotero descem o pau nos partidos comunistas, enquanto pedem cautela para analisar candidaturas do governismo, argumentando que não são tudo a mesma coisa...muita calma com eles e impaciência com a gente
@euclidesvasc@diego_igncio O movimento é claro. O de derrotar o fim da escala 4 x 3 no plenário e inviabilizar a pauta do governo. Se o governo absorve o projeto do PL, não teremos fim da escala 6 x 1. Política é coisa de profissional.
Oi @ErikakHilton , se a ideia é enfrentar e derrubar a transição, posso dar uma sugestão? Torço para o @rickazzevedo também avaliar a ideia e, se for o caso, cobrar esse tipo de destaque.
Fica aqui também o informe para a militância. Esses detalhes são pouco conhecidos pela militância. Então não custa explicar como funciona.
É possível derrubar a transição com bem menos da metade dos votos do plenário e derrubar a jornada imediatamente.
Basta o PSOL colocar em votação um destaque supressivo (DVS) na PEC da escala 6x1 para retirar a transição, a lógica do quórum vira a nosso favor.
Sabemos que para aprovar algo via PEC, precisamos de 3/5, 60%. Mas nesse caso invertemos o jogo. Como é destaque de PEC, caberá aos defensores da transição conseguir 3/5 (308 votos) para manter o trecho no texto. Ou seja, na pior das hipóteses vamos precisar de 206 deputados.
Hoje, o núcleo progressista puro da Câmara tem cerca de 127 deputados. A base ampla do governo passa dos 250, o que nos deixa com um "resto da base" (partidos de centro aliados e com Ministérios no governo) de aproximadamente 123 parlamentares.
E é aqui que a matemática fica muito favorável para nós:
Na pior das hipóteses (com zero ausências, painel com 513), a gente derruba a transição com apenas 40% dos votos (206 deputados).
Como já temos os 127 progressistas, faltariam apenas 79 votos. Ou seja, precisamos convencer pouco mais da metade desse "resto da base governista" (79 de 123). Sem sequer precisar encostar em um único voto da oposição bolsonarista ou da direita.
E, na prática, toda falta e abstenção joga do nosso lado e diminui essa necessidade, já que a meta deles de 308 é engessada:
Em um cenário com 50 ausências (o caso mais comum por lá), precisamos de apenas 156 votos contrários (30%) para derrubar a transição. Nesse caso, precisamos de irrisórios 29 votos dessa base de centro.
Já com um cenário de 100 ausências (dia de esvaziamento ou obstrução armada), bastam 106 votos contrários (cerca de 20%). Nesse cenário, o campo progressista sozinho tem mais votos do que o necessário para arrancar a transição.
Ou seja, é um excelente destaque. A gente derruba a transição com muito menos esforço do que parece.
Aliás, ainda não vi essa possibilidade ser cogitada. Fica aí a sugestão.