Encaro minha intolerância a vergonha alheia como estilo de vida, não consigo dar play em metade dos videos que viralizam na internet, acabei criando uma paz digital muito boa. Obrigado, desconforto.
Há 9 anos, eu sempre relembro dessa aventura de um militante dos Direitos Humanos no Brasil profundo.
Nessa data em 2014, eu estava na cidade de Jacobina no interior da Bahia. Fui acompanhar um camarada em um debate no campus de lá da Universidade Estadual da Bahia.
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Enquanto você dormia ontem à noite, entregue e vulnerável como só o sono permite, nossa galáxia percorreu milhões de quilômetros pelo espaço. Você não fez nada. Não precisou. O universo carregou você.
Carl Sagan escreveu certa vez que somos “pó de estrelas que ganhou consciência de si mesmo” - fragmentos do cosmos que aprenderam a se perguntar sobre sua própria origem. Guarde essa ideia por um momento.
Pense no que isso significa: você acordou hoje em um lugar onde nenhum ser humano jamais esteve. O mesmo quarto, o teto familiar, a luz entrando pela mesma fresta e, ainda assim, cosmicamente falando, um território absolutamente virgem. A realidade é nova a cada manhã de um modo que vai muito além da poesia.
E agora, neste exato momento, enquanto seus olhos percorrem estas palavras, seja sentado na cadeira, deitado no sofá, recostado na cama, a Terra não parou para esperar. Ela gira sobre si mesma a mais de 1.600 quilômetros por hora. Orbita o Sol a quase 30 quilômetros por segundo. E arrasta consigo todo o sistema solar em direção à constelação que os antigos chamavam de Hércules. Tudo isso enquanto você lê. Enquanto você respira. Enquanto você, por um instante, pensou que estava parado.
Você nunca esteve parado. Nem nos seus dias mais imóveis. Nem nas suas fases mais difíceis, quando tudo parecia estagnado e o tempo pesava como chumbo. O universo nunca aceitou essa imobilidade. Ele seguiu te carregando, silencioso e fiel, mesmo quando você duvidou de si mesmo.
E se o universo se dá ao trabalho de carregar você milhões de quilômetros enquanto você vive, talvez haja algo de importante nessa viagem. Talvez você seja parte importante dela.
Somos a única parte conhecida do cosmos capaz de se maravilhar com o próprio movimento. As estrelas não sabem que viajam. As galáxias não contemplam sua própria grandiosidade. Só você faz isso, só você lê uma frase sobre o cosmos e sente que há algo grandioso lá fora.
Então da próxima vez que você acordar sentindo que está no mesmo lugar de sempre, que nada mudou, que você não avançou, lembre-se: você passou a noite inteira viajando pelo universo. Você chegou a mais um dia, a mais um lugar que não existiam ontem.
Ninguém mais vai viver este ponto exato do cosmos por você.
@OdranoLeeo@thicoelhop@essediafoilouco Por aqui o mesmo. Comprei 2, mas só aparece 1 na minha conta, do meu amigo ainda não aparece a compra que atribuí ao CPF e e-mail dele.
Sou Carioca, filho de um Baiano Rubro-negro, que me ensinou a amar o clube.
E nesse final de semana, na vitória contra o Sports, vimos o que ano após ano, se repete como um roteiro previsível: quando o Flamengo visita o Nordeste, não é só o jogo que entra em campo, entra também um debate identitário que, curiosamente, quase nunca aparece quando os visitantes são outros clubes do Sudeste. Só contra o Flamengo a bandeira do “orgulho local” é levantada com tanta fúria, como se o rubro-negro nordestino fosse uma anomalia social. E a insistência nessa narrativa revela justamente o contrário: revela o tamanho da Nação e a profundidade dos laços históricos entre o clube da Gávea e o povo nordestino.
Porque, antes de tudo, é preciso lembrar: o Nordeste ajudou a vestir o Manto.
Nordestinos marcaram a trajetória do Flamengo desde o início da profissionalização do futebol brasileiro. Nomes como Dida (Alagoas), um dos maiores ídolos dos anos 50; Nunes (Pernambuco), o “Artilheiro das Decisões” que selou a glória eterna em 1981; Júnior, Zagalo, e tantos outros que personificaram essa ponte afetiva entre Gávea e Nordeste.
Ou seja: exigir que o nordestino “escolha” entre sua terra e o Flamengo é desconhecer a história, o Nordeste sempre esteve no Flamengo, e o Flamengo sempre esteve no Nordeste.
Mesmo assim, quando o Fla chega para jogar em Salvador, Recife, Fortaleza ou qualquer outro grande centro da região, ressurgem os ataques aos rubro-negros locais: “misto”, “vergonha”, “torcedor terceirizado”.
Termos que, além de preconceituosos, são incoerentes. Afinal, nenhum outro clube desencadeia essa reação. Quando Palmeiras, Corinthians ou São Paulo jogam na região, não há grandes campanhas contra seus adeptos locais. Só quando é o Flamengo.
Isso deveria acender um alerta: por que só o Flamengo incomoda?
A resposta é simples, porque nenhum outro clube mobiliza tamanha identificação popular no Nordeste. Pesquisas nacionais mostram o Flamengo como líder isolado na região, com larga vantagem sobre os times locais. E quando um time tem mais torcedores no território do adversário do que o próprio dono da casa, é natural que surja reação, às vezes sadia, às vezes hostil, e, lamentavelmente, em algumas ocasiões, violenta.
E aí entra o debate do “terceirizado”.
Nos últimos anos, muita gente tentou colar no torcedor rubro-negro o rótulo de que ele seria “menos fiel”, “modinha”, ou “torcedor de TV”.
Mas basta olhar os dados, e a realidade dos estádios, para perceber que essa narrativa não resiste ao primeiro sopro de honestidade.
Entre as torcidas nacionais, o Flamengo é uma das menos ‘terceirizadas’ do Brasil segundo estudos de comportamento de consumo esportivo:
sua base de torcedores cresce de forma orgânica, transmitida por gerações;
grande parte acompanha o clube independentemente de títulos;
mesmo fora do Rio, a Nação se faz presente de forma massiva e constante, muito mais do que outras torcidas de grande porte.
Quando olhamos para times com títulos recentes, como Palmeiras e Atlético-MG, vemos saltos abruptos de torcida associados a momentos específicos, típico indicativo de adesão circunstancial.
O Flamengo não vive esse fenômeno: sua massa nacional existe desde os anos 50, cresceu nos 80, estabilizou nos 90 e nunca deixou de ser dominante.
É uma torcida construída em 130 anos de presença cultural, não em ciclos curtos de vitória.
Logo, o termo “terceirizado” não só é falho, ele é desonesto.
O torcedor do Flamengo é justamente o contrário disso: é o mais espalhado, o mais presente, o mais resiliente e o menos dependente de modismos.
Ele veste o Manto em qualquer bairro, em qualquer cidade, mesmo sabendo que, no Nordeste, muitas vezes será pressionado, hostilizado ou ridicularizado por outro nordestino.
E aqui mora a maior contradição do debate:
muitos que criticam o preconceito vindo do Sul reproduzem o mesmo preconceito contra o conterrâneo que escolheu torcer pelo Flamengo.
Não defendem identidade regional, defendem a exclusão de quem pensa diferente.
Mas a verdade insiste em aparecer:
o nordestino rubro-negro não é minoria silenciosa, é multidão.
Ele não é “misto”, é protagonista.
Ele não é traidor, é parte fundamental da história do clube mais popular do país.
E a cada vez que tentam apagá-lo, ele responde com estádio lotado, com o Manto erguido e com a força cultural de quem sabe que paixão não obedece a fronteiras.
O Flamengo pode não ser o time da cidade, mas é o time de milhões de nordestinos que construíram sua identidade rubro-negra sem pedir permissão a ninguém.
No fim, a pergunta que fica não é por que tantos nordestinos torcem para o Flamengo.
A pergunta é: por que isso incomoda tanto?
E talvez a resposta seja a mais simples de todas:
porque o Flamengo, onde pisa, revela grandeza, inclusive a grandeza do próprio Nordeste, que ajudou a construir o clube que o Brasil inteiro aprendeu a amar.
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