International analyst and author. Making sense of global chaos. Commentary for media outlets in 15+ countries. Field experience in Ukraine and the Middle East.
Quem acompanha o trabalho muitas vezes não imagina a quantidade de horas lendo, estudando e me informando para conseguir levar análises consistentes e responsáveis, e ao mesmo tempo fazer aquilo que eu amo. 2025 foi um ano intenso, com participações em veículos de diferentes países, debates difíceis e conversas necessárias. Fica aqui meu muito obrigado a todos que estiveram comigo no Brasil, em Portugal e em outros lugares do mundo, jornalistas, apresentadores, produtores e equipes que abriram espaço com tanta generosidade e confiança. Seguimos. 2026 vai ser ainda melhor, tenho certeza. Muito obrigado. Nos vemos por aí!!
O trumpismo fala em liberdade de expressão, mas nos EUA está criando uma máquina de intimidação contra a imprensa que ameaça concessões, sufoca financeiramente emissoras e empurra jornalistas para a demissão e para a autocensura.
Trecho da minha conversa com a @petriachaves no Revista @CBNoficial de hoje.
Trump acaba de entregar o comando das 18 agências de inteligência dos Estados Unidos a um amigo sem credenciais, com a missão de purgar adversários internos, politizar informações sensíveis e transformar a máquina de inteligência mais poderosa do mundo em instrumento de lealdade pessoal.
Trecho da minha conversa de hoje no Revista @CBNoficial com a @petriachaves
Trump pressiona o Brasil com tarifas, segurança pública, Pix e soberania.
Mas a pergunta central talvez seja outra: até que ponto parte do eleitorado brasileiro aceitaria uma intervenção externa se acreditasse que ela pode trazer mais segurança?
E mais: Trump age por ideologia ou apenas usa a ideologia como ferramenta de pressão?
Se as tarifas podem ajudar Lula a defender a soberania nacional, a pauta do PCC e do Comando Vermelho pode abrir uma frente muito mais perigosa para o governo.
No fim, a relação Brasil-EUA entrou numa fase em que política externa, segurança pública e disputa eleitoral brasileira passaram a caminhar juntas.
@laisadallagnol@VEJA
A ofensiva de Trump contra o Brasil não parece buscar um rompimento com Lula, mas criar vantagem negocial para arrancar concessões, enquanto também fortalece, de forma calculada, uma oposição brasileira muito mais alinhada ideologicamente a ele. A vitória do bolsonarismo nas eleições seria apenas um bônus.
Trecho da minha conversa com a @laisadallagnol na @VEJA
🇧🇷 Sobre os ataques dos últimos dias contra a Ucrânia, fizemos uma ponte entre Brasília, São Paulo e Kyiv para entender a situação no terreno e discutir os próximos passos da guerra.
🇺🇸 On the recent attacks against Ukraine, we connected Brasília, São Paulo, and Kyiv to understand the situation on the ground and discuss the next steps in the war.
@JaredGoyette@JaredGoyetteAlt
The movie “Dark Horse” was intended to rally Jair Bolsonaro’s right-wing political movement ahead of Brazil’s presidential election this year.
But instead, it’s become a liability for his son, who is trying to win the election in October. https://t.co/HVtaSLQuWe
A nova ofensiva norte-americana contra o Brasil não significa necessariamente um rompimento entre os dois governos, mas uma tentativa de Washington de ganhar vantagem negocial. Só que essa pressão não passa apenas por tarifas, investigações comerciais ou pela eventual classificação do PCC como organização terrorista. Ela também inclui o fortalecimento deliberado de uma oposição brasileira com a qual Donald Trump tem muito mais afinidade ideológica.
Acabei de ler a nota divulgada pelo Planalto sobre a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas pelos EUA. E um ponto me chamou atenção.
Sim, o governo acerta ao defender a soberania do Brasil para formular e executar suas próprias políticas de combate ao crime organizado. Também acerta ao apontar a participação dos falsos patriotas, esses traidores de ocasião que adoram falar em Brasil acima de tudo enquanto fazem lobby em Washington contra o próprio país, no processo que levou a essa classificação.
Mas o tom da nota deixou a desejar em um ponto específico, porém decisivo. Ao tratar das ações recentes na área de segurança pública, o texto acabou ficando excessivamente justificativo. A impressão é de que o governo tentou se explicar demais, quando deveria ter sido mais direto em explicar por que uma medida que, à primeira vista, pode parecer positiva, na verdade traz riscos concretos para o Brasil.
Porque é evidente que, para boa parte da população, chamar PCC e CV de organizações terroristas parece fazer sentido. São grupos criminosos violentos que desafiam o Estado, aterrorizam comunidades e precisam ser enfrentados com firmeza. O problema é que, quando essa classificação vem dos EUA, ela não é apenas uma palavra mais dura contra criminosos. Ela pode abrir espaço para mais pressão jurídica, financeira, diplomática e institucional dos EUA sobre bancos, empresas, fintechs, operações em dólar, vistos, investimentos e relações comerciais envolvendo o Brasil.
Esse é o ponto que o governo precisa comunicar e TRADUZIR melhor. Não se trata de aliviar para facção criminosa, nem de negar a gravidade do crime organizado. Trata-se de deixar claro que o Brasil não pode permitir que um problema gravíssimo de segurança pública seja usado como porta de entrada para uma ampliação da interferência estrangeira sobre o país.
Em ano eleitoral, essa explicação precisa ser ainda mais simples e didática. Por isso, o governo vai precisar calibrar melhor o tom da resposta. Menos tentativa de se justificar, mais capacidade de explicar o impacto concreto dessa decisão na vida das pessoas. O cidadão comum precisa entender que isso pode afetar o banco que ele usa, a fintech (que muitos nem sabem o que significa) que processa seus pagamentos, o PIX, o crédito, os investimentos estrangeiros no Brasil, empresas nacionais que operam em dólar e até a percepção internacional sobre brasileiros.
Os brasileiros precisam entender que quem vendeu essa classificação como uma vitória patriótica talvez tenha ajudado a abrir uma porta perigosa contra o próprio Brasil. E, no fim das contas, mais do que qualquer organização criminosa, o cidadão comum pode acabar sendo um dos principais penalizados por essa irresponsabilidade.
A classificação do PCC e do CV como organizações tєгг๏гเรtคร pelos EUA coloca o Brasil em uma lista que já reúne 54 países, territórios ou áreas políticas. Ou seja, o Brasil não precisa se sentir especial nem superestimar a própria relevância nessa história. Não é que ele tenha virado o grande alvo prioritário do governo Trump. Entrou apenas como mais um caso, entre muitos outros, dentro de uma política mais ampla de pressão norte-americana sobre cartéis, facções, redes criminosas e grupos transnacionais.
Mas isso não significa que as consequências sejam pequenas. O impacto prático para os brasileiros não tende a ser uma intervenção militar, mas uma pressão muito maior sobre bancos, fintechs e empresas que possam ser acusados de ter ligação direta ou indireta com essas facções. Isso pode significar mais exigências de compliance, bloqueio de ativos, sanções, investigações e até restrições em operações em dólar. Na vida real, o risco é o Brasil passar a lidar com uma forma de pressão jurídica, financeira e diplomática dos EUA sobre setores inteiros da economia, e não apenas sobre os criminosos.
As consequências concretas ainda vão depender das primeiras medidas adotadas pelo governo norte-americano depois dessa designação. Mas uma lição já pode ser tirada desde agora, e ela é doméstica: o bolsonarismo, que agora tenta vender essa medida como uma grande vitória, mostra mais uma vez o seu desprezo por toda e qualquer instituição brasileira e a sua disposição de terceirizar a soberania brasileira quando isso rende algum dividendo político.
Em vez de usar do cargo de Senador da República para fortalecer uma política séria de segurança pública, inteligência financeira e combate à lavagem de dinheiro, Flávio Bolsonaro preferiu contornar as instituições brasileiras e correr para Washington, querendo vender a ideia de que o problema da segurança pública no Brasil pode ser resolvido por despacho de um governo estrangeiro.
Foi a mesma lógica das tarifas no ano passado: rifar o interesse nacional, das empresas brasileiras para tentar capitalizar politicamente. Falam em soberania, mas tratam o Brasil como peça descartável numa disputa de poder pessoal e familiar. O problema é que isso não resolve a segurança pública. Pelo contrário, pode abrir espaço para mais pressão externa sobre empresas, bancos e setores inteiros da economia brasileira, enquanto os criminosos continuam se adaptando.
E há um segundo ponto importante. O ex-deputado autoexilado Eduardo Bolsonaro agradeceu a Marco Rubio pelo suposto compromisso norte-americano de manter a região livre de terroristas. Mas fica a pergunta: ele realmente acredita que uma designação feita em Washington é suficiente para acabar com o PCC e o CV? Se acredita, isso diz muito sobre o que pode ser a política de segurança pública do bolsonarismo no poder: fantasiosa, terceirizada e ineficiente.
Porque enfrentar facções exige Estado, inteligência, investigação, controle financeiro, cooperação internacional e fortalecimento institucional. Não exige espetáculo político feito para agradar uma potência estrangeira, alimentar rede social ou produzir manchete para quem vive de transformar problema nacional em palanque familiar.
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Assista mais no programa Contexto Metrópoles, no nosso canal do YouTube, apresentado por Neila Guimarães
Um segurança do senador @FlavioBolsonaro arrancou o microfone da minha mão e jogou no chão enquanto eu tentava fazer perguntas ao pré-candidato.
Os apoiadores então sumiram com a espuma do microfone com a logo do Metrópoles e com o microfone Hollyland que nele estava.
O video abaixo foi registrado por uma colega da Globo
Ao tratar a Rússia como parceira legítima na construção de uma “ordem multipolar”, Celso Amorim transforma a diplomacia brasileira em instrumento de relativização de crimes e presta um desserviço grave à defesa dos direitos humanos. Este senhor é uma vergonha!
Se algo ficou claro desde ontem é que tanto o populismo quanto o negacionismo podem vir tanto da direita quanto da esquerda.
Eles aparecem de formas diferentes. Podem surgir quando alguém nega os benefícios de uma vacina, mas também quando tenta negar uma reunião ou fato político que tenha acontecido.
O ponto central é que o negacionismo começa quando alguém seleciona apenas os fatos que lhe interessam, enquanto oculta, descarta ou relativiza outros fatos igualmente relevantes, tudo para proteger sua própria ideologia, sua narrativa ou sua visão de mundo.
É justamente isso que eu explico no meu livro Populismo e Negacionismo. E, a cada dia, a segunda edição parece ficar ainda mais atual. 🤦🏻
Disponível na @amazonbrasil
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