CURIOSIDADE: Lula mencionou Flávio Bolsonaro o total de 0 vezes na entrevista ao Jornal Nacional ontem.
Ao longo de 40 minutos, Flávio Bolsonaro citou Lula quase 30 vezes.
Ontem a conversa sobre educação na entrevista à TV Globo foi mais curta do que eu gostaria. Eu falei que se você pesquisar desde a Proclamação da República até o dia de hoje não vai encontrar um governo que fez a quantidade de políticas de inclusão social que nós fizemos. Disse isso porque tenho consciência do que nós conquistamos neste país.
Só na educação:
✅ Criamos 1,8 milhão de vagas de ensino integral de 2023 para cá. Queremos universalizar essa modalidade no próximo mandato. Por quê? É a chance de as crianças terem esporte, arte, cultura e aprenderem desde cedo a respeitar as mulheres e o meio ambiente. É mais convívio social. Menos telas. É segurança para mães e pais que estão no trabalho.
✅ Anunciamos 111 novos Institutos Federais neste terceiro mandato. Com isso, dos 802 que o Brasil terá, 626 serão resultado dos mandatos de Lula e Dilma. Qualificar e descentralizar o estudo técnico gera oportunidades em todo o país.
✅ O Pé-de-Meia chegou a 7,3 milhões de adolescentes. Entre 2022 e 2025, a taxa de abandono escolar no ensino médio caiu 61%. A evasão escolar é a menor já registrada. Concluir os estudos amplia a chance de conquistar empregos mais bem remunerados na vida profissional.
✅ Saltamos de 5 milhões de pessoas com diploma universitário em 2003 para 25 milhões atualmente. Queremos chegar a 50 milhões. A qualificação no ensino superior abre portas, carreiras e nos torna mais soberanos, capazes de propor soluções nossas em áreas como terras raras e inteligência artificial, por exemplo.
✅ O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) alcançou o melhor resultado da história.
✅ Atingimos, na população total, o menor índice de analfabetismo da história: 4,9%.
✅ Juros por educação: Estamos renegociando as dívidas dos estados. Em contrapartida, eles terão que investir parte do valor que vão economizar em educação.
✅ Demos reajuste para professores e técnicos da rede pública federal.
✅ Estamos criando a primeira universidade do esporte, e a primeira universidade indígena do país.
✅ Restrição do uso de celular nas escolas, que está melhorando o aprendizado e o convívio de nossas crianças e adolescentes.
✅ Saltamos de 44% para 74,5% no percentual de escolas conectadas dentro do padrão adequado para fins didáticos. Temos o compromisso de universalizar.
✅ A merenda escolar voltou a ser prioridade. Atende 40 milhões de estudantes em 146 mil escolas. Após seis anos de congelamento nas gestões anteriores, tivemos aumento médio de 55% do valor por aluno.
✅ O MEC Livros e o MEC Idiomas permitem o acesso a milhares de publicações e o aprendizado de inglês e espanhol de forma gratuita.
O caminho é longo, mas sempre reforço: educação não é gasto, é investimento.
A pergunta que precisa ser feita sempre é: quanto custou ao país não investirem antes?
miriam leitão: "com o lula não teve nenhuma pergunta envolvendo a democracia pq não existe nenhum receio que ela não exista com ele, diferente dos outros três candidatos que preisaram receber perguntas nesse sentido"
É inacreditável: a Globo entrevistou o Presidente da República em plena maior crise de soberania nacional e simplesmente ignorou o assunto.
Nenhuma pergunta sobre Trump. Nenhuma sobre o tarifaço contra o Brasil. Nenhuma sobre interferência externa, ameaças à democracia ou sobre como o país pretende reagir à pressão de uma potência estrangeira.
A Globo conduziu a sabatina como se estivéssemos diante de uma eleição absolutamente normal, isolada do cenário internacional e das pressões que o Brasil enfrenta.
Talvez aí esteja justamente o problema: para uma parte da nossa imprensa, o golpismo, a pressão estrangeira e as ameaças às instituições parecem ter sido incorporados à paisagem. Isso também diz muito sobre esta eleição.
Entender a complexidade de Minas Gerais é difícil até pra quem é daqui.
Minas Gerais é um estado gigante, tem 853 municípios e é o segundo mais populoso do Brasil, o que contribui para que seja, também, extremamente diverso.
O Norte mineiro está colado à Bahia e os dois muitas vezes se confundem. Existem cidades no Vale do Jequitinhonha que são territorialmente mineiras, mas culturalmente muito mais baianas.
O Sul tem influência gigantesca de SP e internaliza a sina paulista de industrialização e progresso pelo capital produtivo de forma muito forte.
O Alto Paranaíba, o Noroeste e o Triângulo Mineiro compartilham muito da cultura sertaneja e agro do centro-oeste brasileiro.
Com isso tudo ainda existe o Centro e o Centro-Oeste, que são concentradamente as regiões mais “mineiras”, mas totalmente diferentes. A capital, Belo Horizonte, que é progressista e muitas vezes liberal, não ajuda a entender sua própria região metropolitana conservadora. BH parece 100% descolada da cultura do interior. São universos opostos, quase. BH é BH, mas Minas Gerais não é BH.
É nesse cenário que um mesmo estado produz Nikolas Ferreira como deputado mais votado, mas Duda Salabert, uma professora trans, como deputada mais votada. É nesse estado que você tem uma cidade como Contagem, que elege como deputado mais votado o Bruno Engler, enquanto, pra prefeitura, vota massivamente em Marília Campos.
Isso tudo sem contar os “Lulemas”, a expressiva turma que votou Zema governador e Lula presidente em 2022.
E, claro, a gente tem que considerar o Cleitinho, que é o puro suco de mineiro: uma criatura que defende o fim da escala 6x1, vota a favor de todos os auxílios sociais e programas de renda que caem na mesa dele e, ao mesmo tempo, é símbolo da direita conservadora.
Reduzir Minas Gerais a “fascista” por causa do Nikolas é de um desconhecimento de política abominável. Diagnóstico de pura ignorância.
As últimas palavras de Hind Rajab, 5 anos, assassinada com 355 tiros pelos israelenses em Gaza, enquanto pedia socorro no telefone:
"Não estou falando porque toda vez que falo sai sangue da minha boca e suja minhas roupas, e eu não quero que minha mãe tenha que limpar."