Pois bem: foi aí que mudar a palavra “irmão” para “irmã” na frase de abertura mudou tudo.Disso nasceu um álbum inteiro, que vocês vão conhecer dia 22 de março!
A mulher aprendeu a amarrar as crianças em si pra ter as mãos livres, a buscar ou fazer cestas pra trazer o alimento colhido, e estas ações foram também essenciais à comunidade.
A resposta tá em Lévi-Strauss e Ursula K. Le Guin: a narrativa da evolução da espécie historicamente é masculina, ligada a atos heróicos.Mas estes não representam a totalidade dos acontecimentos…
Mais de um ano depois eu a reouvi e me fiz a pergunta que mudaria tudo:“Por que a gente mesmo sendo compositora, mulher, continua impelida a falar como fosse um narrador masculino?”
Com Salomão cheguei a gravar, em off, uma versão anterior. Eu amava o início e o final, mas ali pela 3a estrofe a letra dispersava, perdia a força. Eu não sabia mesmo pra onde ir (muito menos como voltar).
Alguns amigos bambas - Rodrigo Campos e Salomão Soares - que a ouviram inacabada, lembravam dela tempos depois e me perguntavam: “E aquele seu samba, Cochicho?”
“Cochicho no silêncio vira barulho, irmã”, meu single que chega esta sexta, começou a ser feita pra outro disco.Tinha ideias boas pra ela, mas eu nunca conseguia unir as pontas. Engavetei.