Nota sobre a imposição de tarifas unilaterais contra o Brasil pelos EUA
É uma agressão comercial injustificável e inaceitável a decisão do governo de Donald Trump de impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Precisamos ser francos: é o Brasil sob ataque econômico movido por interesses políticos, ideológicos e eleitorais. Trata-se de uma ação política que ameaça empregos, renda, empresas e cadeias produtivas dos dois países.
Os números desmentem qualquer alegação de tratamento comercial injusto por parte do Brasil. Nos últimos 15 anos, os EUA acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o nosso país. Somente em 2025, 76% dos produtos norte-americanos importados pelo Brasil entraram sem pagar tarifa, e a alíquota média efetivamente aplicada foi de apenas 3,1%.
Também não é possível ignorar que 63 das 78 manifestações apresentadas nas audiências públicas realizadas pelo órgão de comércio dos EUA foram contrárias ao tarifaço. A própria maioria dos representantes do setor privado brasileiro e norte-americano rejeitou uma medida que prejudica empresas, trabalhadores e consumidores dos dois lados.
É igualmente inaceitável utilizar a política ambiental brasileira e o PIX como pretextos para punir o Brasil.
Na área ambiental, as acusações são especialmente absurdas. Desde 2023, o Brasil retomou o combate ao desmatamento, ao garimpo ilegal e aos crimes contra nossas florestas e nossos povos indígenas e comunidades tradicionais. Reestruturamos a política ambiental, fortalecemos a fiscalização e voltamos a reduzir a destruição dos nossos biomas. O desmatamento da Amazônia atingiu o menor patamar em uma década e, no Cerrado, alcançamos o menor índice desde 2021.
Tudo fruto dos planos de prevenção e controle ampliados para todos os biomas, reforço das equipes de fiscalização ambiental e destinação de mais recursos para combater os crimes ambientais, além da ação integrada de todos os órgãos de proteção ambiental.
Transformar esse esforço reconhecido internacionalmente em justificativa para sanções comerciais é distorcer os fatos e desrespeitar o papel que o Brasil exerce na agenda climática global.
Já PIX é um patrimônio público, que ampliou o acesso da população ao sistema financeiro e se tornou referência internacional de inovação digital.
O Brasil precisa responder com firmeza, equilíbrio e dentro do direito internacional, utilizando a Lei de Reciprocidade, os instrumentos da Organização Mundial do Comércio e todas as medidas necessárias para proteger os setores atingidos, os empregos e a capacidade produtiva nacional. Soberania não se negocia sob ameaça.
O que mais impressiona é que o próprio governo Trump, por meio do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), apontou 2021 como o ano de pico do desmatamento ilegal no Brasil. Naquele ano, como sabemos, estávamos em pleno governo de Jair Bolsonaro, cuja gestão foi marcada pelo negacionismo climático e pelo desmonte das políticas ambientais e dos órgãos de fiscalização e proteção ambiental.
É especialmente grave que integrantes da família Bolsonaro, que tem o apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tenham colaborado ativamente para criar um ambiente favorável a medidas contra o próprio Brasil. Em nome de seus interesses eleitorais e familiares, trabalharam para enfraquecer o país, pressionar nossas instituições e causar prejuízos à população brasileira.
Como afirmou a nota da Presidência da República, “não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições”. Quem pede sanções contra seu próprio país comemora dificuldades impostas aos brasileiros e se coloca a serviço de interesses estrangeiros não é patriota.
Imagine 10% do Plano Safra investido em ciência e tecnologia.
Ou na indústria exportadora.
Ou na educação tecnológica.
Ou em qualquer outra merda que não seja plantar soja sem pagar imposto.
A briga entre Michelle e Flávio Bolsonaro revela o que muita gente já sabia: o bolsonarismo não é um projeto de país. Tudo se resume à disputa pelos interesses de uma família. É uma disputa de família, de poder, de herança eleitoral.
Michelle critica Flávio, diz que foi desrespeitada e maltratada, que ele não quer o apoio dela. A pergunta é simples: o que isso tem a ver com o povo brasileiro e os problemas do Brasil? Nada.
Enquanto o Brasil, o presidente Lula e os nossos pré-candidatos discutem emprego, salário, segurança pública, educação, indústria, soberania, democracia e o futuro do país, eles discutem quem fica com o espólio político de Jair Bolsonaro.
É “Flávio contra Michelle”, “Eduardo contra o sistema”, “Carlos contra todo mundo”. Cada um tentando ocupar um pedaço da máquina política, religiosa, digital e eleitoral da extrema-direita.
Quem trata o Brasil como herança de família não tem projeto para governar o país, só pensa no próprio sobrenome. O país precisa olhar para frente. Não pode ficar refém da novela da família Bolsonaro.
HÁ 78 ANOS: Muitas pessoas nunca leram esta carta aberta, publicada no NYT em dezembro de 1948.
Hannah Arendt e Albert Einstein encabeçam a lista de signatários.
No documento – que hoje soa como um alerta histórico diante das atrocidades de Netanyahu e seu gabinete –, eles dois e outros intelectuais judeus puseram em destaque o Massacre de Deir Yassin, ocorrido em abril de 1948.
O violento ataque àquele vilarejo palestino nas cercanias de Jerusalém foi cometido pelas organizações terroristas Irgun e Lehi, esta também conhecida por Stern Gang.
O Irgun era liderado por Menachem Begin. Alguns anos depois Begin se tornou primeiro-ministro de Israel.
Ele é o principal personagem da carta aberta de 1948.
Uma coisa que a gente precisa observar com muita atenção.
Bolsonaro sempre foi baixo clero. Ele chegou ao poder quase como um “boi de piranha”: alguém que setores militares e políticos acharam que poderiam usar como boneco, como alguém fácil de manobrar. Só que Bolsonaro é tão irresponsável, tão inconsequente, que nem para ser manobrado ele serve.
E o resultado a gente viu: um estrago enorme no país. Porque ninguém controla a perturbação política que Bolsonaro representa.
Só que existe um problema: ele acumulou um capital político gigantesco. O bolsonarismo virou um movimento irracional, fanatizado, capaz de defender qualquer coisa, até detergente, de negar vacina, de relativizar absurdo e de transformar escândalo em perseguição.
E é aí que entra o Centrão. O Centrão cola onde acha que existe capital político. Foi por isso que colou no bolsonarismo. Mas o bolsonarismo é incontrolável, nasceu do baixo clero e sempre esteve cercado de escândalos, mentiras e suspeitas de corrupção.
Agora, de novo, o desastre apareceu. A família Bolsonaro está enfiada até a tampa no caso Master. Não adianta tentar negar ou fazer cortina de fumaça. As denúncias envolvendo Daniel Vorcaro, Banco Master, repasses milionários e o entorno dos Bolsonaro são graves demais para serem tratadas como coincidência ou “coisa de filme”.
E é por isso que precisamos observar o movimento do Centrão nos próximos dias. Porque o Centrão pode até estar envolvido em muita coisa, mas ele não costuma se amarrar a um barco afundando. Ninguém quer entrar numa campanha eleitoral carregando uma família inteira cercada por escândalo, fanatismo, populismo e suspeitas de movimentações milionárias.
A pergunta agora é: quem vai começar a pular do barco?
Porque esse caso ainda está longe de acabar. Vem mais coisa por aí. E o estrago político pode ser muito maior do que muita gente está imaginando.
O bolsonarismo pode até continuar gritando, negando e atacando todo mundo. Mas uma coisa é a militância fanática. Outra coisa são os políticos articuladores, que sabem muito bem quando uma lama começa a respingar demais.
A gente tem que falar dia após dia que tomar vacina é bom, que criança trabalhar não é legal, que entregar tudo o que a gente tem pros EUA não é uma boa opção, que privatizar água não ajuda, que mulher tem que poder votar, que não é justo morrer de tanto trabalhar...