Afinal só consigo gostar
De quem nunca irá ficar
Nunca irá me olhar
Da maneira que eu o descrevo sem pensar
Da maneira que me deixas sem falar
Do jeito que me faz rir sem se esforçar
Que você nunca vai ler
Tudo que tenho a te dizer
Nunca irá saber
O quanto admirei você
Nunca irá saber o quanto almejei te ter
Mas não se engane
Não se ache assim tão especial
É que nao posso controlar
Esse padrão que tento evitar
Procuro seus defeitos
Analiso seu trejeitos
Mas não consigo encontrar
Motivos pra me desencantar
Motivos pra me afastar
Motivos pra esconder
O que sinto por você
Sei que não há mais o que fazer
No momento que comecei a te escrever
E me dói mais ainda
Que sonhos nascem e morrem ao longo dos anos
Tudo isso pela maior droga de todas
O dinheiro
Aquele que tira a dignidade dos que lutam pra suportar esse mundo absurdo
Quando crianças dizemos que nunca iremos fumar
Beber
Julgamos os adultos
Sem ainda compreender
Que são apenas válvulas
Para um mundo insuportável
Uns se apoiam na religião
Outros se dopam de remédios
Mas a maior droga de todas
Se chama celular
Acho que crescer é sobre parar de julgar
É sobre observar as maneiras que nos vendem remédios para não enxergar
Escapes
Dopamina
Nicotina
Álcool
E todas as outras drogas que existem como válvula de escape
De um sistema cruel
Mortal
Onde não só a força de trabalho é vendida mas sua alma ofertada e destruída
Vejo que crescer é entender e compreender
Seu gosto amargo e cheiro de fumaça criam dia após dia minha zona de conforto
A sensação boa de nostalgia e adrenalina que me faz querer te roubar
Arrancar seus olhos pra sempre poder os olhar
Sempre poder tocar
Abraçar
Conversar com tuas pupilas que me fazem chorar
Me fazem querer gritar e implorar pra que possa ficar
Pra que permaneça aqui soltando sua fumaça enquanto fico a sufocar
Enquanto me deixa sem ar
Enquanto me faz te amar
Me faz querer passar a noite ao idealizar sua imperfeições olhando as estrelas ao som do mar
Suma
Me ignore
Bagunce meus pensamentos que demorei pra juntar e organizar
Corte minha alma em pedaços mesmo após me beijar
Veja-me explodir as feridas que estavam a se curar
Escorrendo o sangue que não irás limpar
Apenas seguir e deixar pra lá
De vez em quando sua ausência volta a me perturbar
E aí que começo a escutar
As vozes que tentar me perturbar
Que não param de falar
Que minha culpa será se novamente eu não lhe chamar
Te restaurei pra me lembrar que não tivemos um fim
Como podem as pessoas ignorar o silêncio e vazio desconfim
Deixar acabar sem sequer tentar
Sem motivos aparentes sem sem momentos divergentes
Apenas o doce som do nada
Um toque de escape
Uma de suas doses
3 de seus tragos
E novamente estou a mais um passo
De tudo estragar
Não posso mais aguentar
Essa doce solidão
Essa vida amarga
Esse sabor que não passa
A sensação de que sempre vou me afogar
Odeio que elas não sejam verdade
E odeio mais ainda que novamente tudo se repetiu
E você vai ser feliz
Que nem todas as outras vezes
E não será comigo
No final sempre sinto
Que realmente só sirvo pra isso
Um espaço vazio
Um depósito
De carência e solidão
Eu odeio as suas mentiras
Odeio tudo que você gosta
Seu jeito
Seu cabelo
A maneira que você me trata
E todas as palavras bonitas ditas em vão
Odeio suas piadas e o seu senso de humor histérico
Odeio que pequenas de suas frases tenham mudado por um tempo meu olhar sobre ti
No final
Quanto mais amei
Mais me machuquei
Mais chorei
Só por que me entreguei
Só por que me preocupei
Em não ver o teu partir
Apenas em te ver sorrir
Em te sentir
Em te viver
Te escrevi as mais belas canções e poesias
Mas você nunca irá ler
Nunca irá saber
O quanto eu amei você
Como chorei ao ir dormir e perceber
Que não posso te ter
Que nunca vou saber
Como é ser protegida e acolhida
Pelo mesmos braços que me deixaram quando mais precisei
Do que adianta me entregar
Se o mesmo ninguém fará
Nunca sei
Nunca irei saber
Se o problema está em mim
Ou se está em você
Se as lágrimas que caem
São culpa sua
Ou dos meus traumas e amarguras Tomando conta de mim
Odeio me sentir assim