A esquerda -- tanto seus parlamentares quanto seus jornalistas -- nega veementemente que esteja defendendo Moraes no escândalo do BM. No entanto, cada palavra proferida visa defender Moraes de uma forma ou de outra.
Isso ocorre porque eles não apenas são indiferentes ao fato de a família do Xandão ter recebido cerca de R$ 200 milhões de um banqueiro corrupto e de ter conversado sobre como ele poderia escapar ou obstruir a justiça. É pior: eles acreditam que Xandão merece a fortuna pelos serviços políticos prestados ao movimento deles.
O Brasil é uma "Low Trust Society" exemplar.
Existe uma literatura consolidada na ciência política que separa sociedades de alta e de baixa confiança. Nas de alta confiança, a cooperação interpessoal não precisa ser imposta: ela se apoia num consenso moral prévio. Nas de baixa, ninguém coopera sem garantia e nenhuma garantia é suficiente.
A formulação originária vem de Francis Fukuyama e no Brasil dá mostras diárias de onde se situa. Aqui nenhuma relação dispensa cautela: não se confia no contrato sem aval, no negócio sem cartório, no órgão público sem contato dentro. O que falta não é norma. É a expectativa de que a norma valha igual para o outro. E não vale.
A consequência de um ato aqui depende de quem o praticou. Essa pessoalização foi o que Sérgio Buarque de Holanda descreveu, de certa forma, como o homem cordial: não o sujeito gentil, mas aquele que resolve pela relação pessoal o que deveria resolver pela regra impessoal e que não distingue bem o público do privado. O "sabe com quem está falando?" é a versão popular da mesma coisa.
Bo Rothstein, em seu clássico The Quality of Government, mostra por que isso importa: o que produz confiança social não é a democracia nem a riqueza, mas a imparcialidade no exercício do poder: instituições que tratam casos iguais de modo igual, sem olhar quem está do outro lado. Onde a aplicação da lei depende do nome da parte a confiança jamais floresce.
Esse é o nosso Brasil, uma exemplar "Low Trust Society".
Uma boa sexta-feira a todos.
Como a distribuição da renda mudou ao longo do último quarto de século no Brasil?
Algo que eu desconfiava - e que apareceu aí: enquanto os mais pobres e o 1% do topo aumentavam sua fatia (até a primeira metade da década de 2010), os que estão nos 9% do topo da pirâmide (abaixo dos 1%) tiveram sua participação na renda reduzida.
De qualquer maneira, é interessante observar o quão pouco dinâmica é esta distribuição no longo prazo.
@Misharu_Utu@caiocezarfp Audiências são, em regra, mistas agora. Ao menos no estado em que atuo. Aqui, não haveria qualquer óbice. O que se busca aqui é realizar o ato. O juiz com quem trabalho ficaria até satisfeito
Já ansioso para a melhor hora do meu dia: a de pegar minha filha na escola. A corrida que ela dá para me presentear com aquele abraço é indescritível e impagável.
@caiocezarfp Fio esclarecedor, Caio. Um grande absurdo foi ratificado pelo STF. Acima de qualquer fundamento jurídico que as cortes tenham utilizado para manter esse simulacro de processo, parece-me que seus membros julgadores encontram-se despidos de empatia tb.