"Você não precisa ser progressista para votar contra o bolsonarismo. Nem precisa aderir à parcela da direita mais propositiva. Nem ao lulismo ou a qualquer projeto rival para concluir que tal movimento político fez e faz muito mal ao Brasil.
Nos últimos anos, ele sequestrou parte da direita e a empurrou para um projeto menos comprometido com ideias e mais com o envenenamento do debate público e com o processo de apodrecimento da República. No lugar de um campo político orientado por princípios, formou um movimento guiado por uma lógica conspiratória.
Na pandemia, o país assistiu a uma guerra ideológica invadir um terreno em que deveriam prevalecer evidências. O governo foi amplamente negacionista, espalhou dúvidas sobre vacinas, sabotou medidas de proteção e deu palco a tratamentos sem respaldo científico. A cloroquina virou símbolo dessa tragédia. Máscara, vacina e remédio deixaram de ser assuntos de saúde pública e passaram a funcionar como marcadores de identidade política.
Esse foi um dos retratos mais cruéis do bolsonarismo. Em vez de liderar o país em um momento de luto e medo, o poder preferiu transformar a dor coletiva em trincheira ideológica. O Brasil viu os mortos se acumularem e se tornou o país com o segundo maior número acumulado de mortes confirmadas por Covid-19 no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.
Depois, restaram as famílias devastadas e, hoje, os ossos dos mortos. Houve ali mais que incompetência. Houve um projeto político incapaz de reconhecer o valor da vida humana fora de sua própria bolha de fanatismo.
Além disso, a retórica contra "o sistema" conviveu muito bem com práticas clássicas da velha política. O bolsonarismo prometeu romper com os vícios de Brasília, só que acabou reproduzindo loteamentos, acomodações oportunistas, fisiologismo e uso patrimonial do poder. Apesar do discurso de ruptura, a prática foi de conveniência. O gesto antissistema serviu como cortina para formas bem conhecidas de fazer política.
O orçamento secreto, montado para comprar apoio no Congresso sem rastro de autoria, foi uma das versões dessa contradição. Ciro Nogueira figurou entre os principais beneficiados. O senador bolsonarista também manteve uma relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, a quem Flávio Bolsonaro chegou a chamar de "irmão".
O próprio Flávio está sendo investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao filme do pai, Jair Bolsonaro, preso por uma tentativa de golpe de Estado. Flávio procurou Daniel Vorcaro para negociar R$ 134 milhões para a produção de "Dark Horse".
Também se propagandeou a ideia de que o bolsonarismo seria uma defesa da liberdade. Só que a liberdade ali quase sempre apareceu de forma seletiva. Valia para atacar a imprensa, ser grosseiro com mulheres e jornalistas, intimidar adversários, espalhar desinformação ou desacreditar as eleições. Já o respeito às instituições ficou em segundo plano. E o respeito ao ser humano foi ignorado.
Uma direita séria tem muito a agregar ao país. Ela pode defender sua visão de mundo e contribuir, da sua maneira, com avanços na sociedade. O que ela não pode fazer é aceitar como normal o aprofundamento da erosão da República, o flerte com saídas autoritárias, a paranoia e o desprezo à vida humana."
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O texto é uma homenagem à música "Tô", de Tom Zé.
Durante a final da Copa entre Espanha e Argentina, houve confrontos no País Basco entre grupos independentistas e torcedores da seleção espanhola que acompanhavam a partida em bares.
O dia também foi marcado por mobilizações em cidades bascas, como San Sebastián e Vitoria-Gasteiz, onde manifestantes exibiram ikurriñas, bandeiras do País Basco. Entre os cartazes e palavras de ordem estavam mensagens como: "Não ao espanhol, sim à ikurriña", em defesa do reconhecimento oficial da seleção local.
Desde 1978, a Espanha é organizada em comunidades autônomas, cada uma com Parlamento próprio e autonomia política, legislativa e administrativa. Durante a ditadura de Francisco Franco (1939-1975), manifestações de identidade, autonomia e independência desses povos foram duramente reprimidas, um contexto que ainda influencia parte da sociedade. Por isso, uma parcela da população rejeita a seleção espanhola e defende o reconhecimento da seleção do País Basco pela Fifa.
#PaísBasco #EuskalHerria #Espanha #Final #Torcida
@TomasRosolino Meu nome é Flávio em homenagem ao jogador do Corinthians. Certa vez, em um evento de educação, conversando com um colega, decobri que o nome dele era Paulo Borges, por causa do jogo. Pra geração do meu pai foi um jogo inesquecível.
"Cedric Robinson, w/..Corey Dubin..created the “Third World News Review” (TWNR) — a longstanding, community-led radio show on KCSB-FM that provided a counternarrative news source to mainstream media outlets. ...Elizabeth Robinson was TWNR’s co-producer.." https://t.co/AXyCkHRiJ2
Hoje saiu minha entrevista para o Correio Braziliense falando sobre os avanços propostos no PL de Cotas do Serviço Público e o impacto que ele terá na inserção de pessoas negras no mercado de trabalho. #AprimoraLeideCotas
Leia na íntegra: https://t.co/go8TPzUKdA
"a associação da riqueza a valor cria uma miragem na qual vários ricos se escondem... qdo observamos de perto, percebemos que muitos deles contribuem muito pouco p/ a sociedade"
https://t.co/SJovqdhmpo
Vez ou outra, pelos motivos mais inusitados, o conceito de racismo estrutural volta a alimentar debates nas redes sociais. E o que mais me deixa impressionado nas polêmicas não é ver pessoas que nunca estudaram o tema ou que não são da academia distorcerem o conceito, mas o fato de pessoas supostamente estudiosas ou que vem da academia falarem de algo que evidentemente não conhecem ou de um livro que nunca leram (o meu, no caso). A ignorância, nessa último situação, vem acompanhada de tanta autoridade e arrogância que a gente passa a duvidar se escreveu certas coisas (😂). Mas eis que, ao voltar ao meu livro, encontrei o seguinte trecho:
“A ênfase da análise estrutural do racismo não exclui os sujeitos racializados, mas os concebe como parte integrante e ativa de um sistema que, ao mesmo tempo que torna possíveis suas ações, é por eles criado e recriado a todo momento. O propósito desse olhar mais complexo é afastar análises superficiais ou reducionistas sobre a questão racial que, além de não contribuírem para o entendimento do problema, dificultam em muito o combate ao racismo. Como ensina Anthony Giddens, a estrutura “é viabilizadora, não apenas restritora”, o que torna possível que as ações repetidas de muitos indivíduos transformem as estruturas sociais.
Ou seja, pensar o racismo como parte da estrutura não retira a responsabilidade individual sobre a prática de condutas racistas e não é um álibi para racistas. Pelo contrário: entender que o racismo é estrutural, e não um ato isolado de um indivíduo ou de um grupo, nos torna ainda mais responsáveis pelo combate ao racismo e aos racistas.
Consciente de que o racismo é parte da estrutura social e, por isso, não necessita apenas de intenção para se manifestar, por mais que calar-se diante diante do racismo não faça do indivíduo moral e/ou juridicamente culpado ou responsável, certamente o silêncio o torna ética e politicamente responsável pela manutenção do racismo. A mudança da sociedade não se faz apenas com denúncias ou com o repúdio moral do racismo: depende, antes de tudo, da tomada de posturas e da adoção de práticas antirracistas”.