@Cardoso O uber virou trabalho para o fracassado fudido médio. Essas pessoas nunca conquistaram nada e vivem de forma porca por oura ignorância e falta de noção. Daí esse serviço porco que prestam. São poucos os ubers que fazem o mínimo de esforço em sua profissão.
Metade da galera aqui no X é nível 2 por esses critérios. É muito inespecífico.
Autista pra mim é aquela criança cujos pais angustiam todo dia pensando “o que será dele quando eu morrer”. Esses casos aumentaram muito, mas os casos de pseudo-autistas que são só burros/limítrofes e preguiçosos explodiu.
Se há um estímulo em forma de benefício, haverá quem se aproveite disso. Fato.
E não, quem faz vídeo no Instagram, vive vida normal, só é estranho e com manias, não é autista, no máximo é germânico.
Change my mind.
A mídia tupiniquim e o método científico:
Ivermectina no tratamento precoce de COVID: Não presta! É preciso pesquisa científica padrão ouro, ensaios clínicos randomizados, duplo cego, avaliado por pares, etc… sem isso, nada feito. “O ser humano não é cavalo”…
Polilaminina no tratamento precoce de lesões medulares: Bastam alguns casos anedóticos e já merece um Nobel. 😁
Em 2012, foi publicado um estudo que buscou avaliar o efeito de uma terapia celular inovadora para o tratamento de lesão medular aguda completa: o transplante de macrófagos autólogos.
Células do sistema imunológico do próprio paciente eram coletadas, "ativadas" em laboratório e depois injetadas diretamente na medula espinhal lesionada, na expectativa de que essas células promovessem a regeneração dos neurônios danificados.
A terapia já havia sido testada em um estudo preliminar menor (fase 1), no qual 3 de 8 pacientes com lesão completa (ASIA A) melhoraram para ASIA C — uma taxa de conversão de 37,5%, superior à média de 15% que muitos acreditam ser a taxa usual de conversão para estes pacientes.
Os resultados foram considerados promissores, e um ensaio clínico maior foi planejado.
No estudo de fase 2 (publicado na revista Spinal Cord por Lammertse et al.), 43 pacientes com lesão medular aguda completa (ASIA A) foram recrutados para participar: 26 sorteados para receber o tratamento padrão ouro + macrófagos autólogos, e 17 sorteados para o grupo controle, que recebeu apenas o tratamento padrão ouro (sem os macrófagos).
O que aconteceu surpreendeu até mesmo os pesquisadores.
No grupo intervenção (os 26 pacientes que tiveram os macrófagos injetados na medula), 7 pacientes apresentaram alguma conversão neurológica: 5 passaram de ASIA A para ASIA B, e 2 passaram de ASIA A para ASIA C. Isso equivale a uma taxa de conversão de 26,9%. Ainda maior do que os 15%, mas menor do que os 37,5% do estudo de fase 1.
Já no grupo controle, dos 17 pacientes que não receberam o tratamento experimental, DEZ pacientes apresentaram conversão: 8 passaram de ASIA A para ASIA B, e 2 passaram de ASIA A para ASIA C. Isso equivale a uma taxa de conversão de 58,8%.
Sim, o grupo que não recebeu o tratamento experimental se saiu duas vezes melhor que o grupo tratado.
A taxa de conversão no grupo controle foi mais que o dobro da taxa do grupo que recebeu a terapia celular.
Um resultado devastador. Seria possível que o tratamento tenha piorado os pacientes?
É possível que sim, é possível que não.
Existem 3 pontos que explicam tais resultados.
[1] AMOSTRAS PEQUENAS
Veja bem: o grupo controle tinha apenas 17 pacientes. É um número pequeno. E em amostras pequenas, o acaso frequentemente nos engana.
Pense em uma moeda honesta, com 50% de chance de dar cara e 50% de dar coroa.
Se você jogar essa moeda 1.000 vezes, vai observar algo muito próximo de 50% cara e 50% coroa.
Mas se jogar apenas 10 vezes, não seria NADA surpreendente obter 7 caras e 3 coroas (70% cara). Dificilmente isso te convenceria que a moeda está viciada para um lado específico, afinal, foram poucos lances.
É exatamente isso que acontece com amostras pequenas: resultados extremos, que seriam teoricamente incompatíveis com o acaso, podem surgir justamente devido ao acaso.
A mesma lógica se aplica ao estudo clínico. Se a taxa "verdadeira" de conversão espontânea em pacientes ASIA A tratados com cirurgia e reabilitação de alta qualidade está em torno de 28–30% (como mostra a meta-análise de El Tecle et al. com 1.162 pacientes), é perfeitamente possível — e até esperável — que em um grupo de apenas 17 pessoas, por puro acaso, a proporção observada seja muito diferente disso. Poderia ser 15%. Poderia ser 60%. Ambos os resultados seriam compatíveis com uma taxa verdadeira de ~30% em uma amostra tão pequena.
E foi exatamente isso que aconteceu: no grupo controle de Lammertse, 58,8% dos pacientes melhoraram. Os próprios autores do estudo reconheceram a possibilidade de que se tratasse de uma anomalia estatística causada pelo pequeno tamanho da amostra.
[2] VIÉS POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO INICIAL
Lembre-se: todos esses pacientes foram classificados como ASIA A (lesão completa). No entanto, como já trouxe em outras postagens, existe uma incerteza muito grande nessa classificação inicial.
Choque espinhal, edema, inflamação e as dificuldades práticas do exame físico em um paciente politraumatizado fazem com que uma proporção significativa de pacientes seja classificada como ASIA A quando, na realidade, sua lesão é incompleta (ASIA B, C ou D). Estudos mostram que essa taxa de "diagnóstico incorreto" pode chegar a 20–40% dos casos.
Ou seja, dentro de qualquer grupo de pacientes "ASIA A", há uma parcela que na verdade nunca teve lesão completa!
Esses pacientes vão melhorar de qualquer forma — mas não porque receberam algum tratamento milagroso, e sim pq a classificação inicial estava errada!
A melhora é simplesmente uma “revelação” da verdadeira condição neurológica, conforme os fenômenos transitórios (choque espinhal, edema) se resolvem.
No estudo de Lammertse et al., isso é bem relevante: os autores relatam que, entre os 17 pacientes que melhoraram (somando ambos os grupos), a maioria converteu apenas por recuperação de sensação anal ou contração anal — o tipo de função sutil que é facilmente mascarada nos primeiros dias/semanas após a lesão. Em outras palavras: a "conversão" observada foi, em grande parte, a correção de uma classificação inicial que era incerta e não uma verdadeira regeneração neurológica funcional.
[3] PROCESSO DE SELEÇÃO DA AMOSTRA
Nem todos os pacientes ASIA A são iguais.
Um paciente ASIA A cervical com lesão de 1 cm de extensão que recebe cirurgia em 6 horas tem uma probabilidade de melhora completamente diferente de um paciente ASIA A torácico com lesão de 5 cm que recebe cirurgia em 3 dias.
No estudo de Lammertse, os critérios de inclusão exigiam que a lesão medular tivesse no máximo 3 cm de extensão na ressonância magnética. Isso, por si só, já seleciona pacientes com lesões relativamente menores — e portanto com maior probabilidade de melhora espontânea. Os autores notaram que, na fase 1 do estudo, os pacientes que melhoraram eram justamente os que tinham lesões menores.
Esse fenômeno de seleção é fundamental para entender o que está acontecendo com a polilaminina.
Os pacientes selecionados até hoje para receber polilaminina não são uma amostra aleatória, tampouco representativa, de todos os pacientes com lesão medular!
São pacientes que chegaram rapidamente a centros especializados, que tiveram acesso à cirurgia precoce, que tinham condições clínicas compatíveis com o protocolo, e que conseguiram acesso ao tratamento.
Essa seleção, por si só, já pode enviesar completamente fortemente o grupo em favor de pacientes com maior chance de melhora natural.
Traçando um paralelo com o pre-print da polilaminina (Menezes et al., 2024)
Há um preprint (estudo preliminar, ainda não revisado por pares) que reporta os resultados de um punhado de pacientes com lesão medular que receberam polilaminina. Muitas pessoas estão argumentando que a taxa de conversão observada nesses pacientes é "muito maior que os 15% da literatura", e que isso "prova" que o tratamento funciona.
Esse argumento tem pelo menos 3 problemas graves:
Primeiro: a taxa de referência de "15%" está desatualizada.
A meta-análise de El Tecle et al. (2018), que incluiu 1.162 pacientes, mostrou que a taxa real de conversão de ASIA A é de 28,1% no geral, e pode chegar a 46,1% em pacientes que recebem cirurgia precoce (dentro de 24 horas). Como os pacientes de polilaminina são operados precocemente, a taxa de referência correta para comparação é de ~30–46%, e não 15%.
Segundo: em amostras pequenas, qualquer proporção de conversão é possível.
O estudo de Lammertse mostra claramente que um grupo de apenas 17 pacientes (e o preprint de polilaminina envolve menos pacientes que isso) pode apresentar uma taxa de conversão de quase 60%, mesmo sem qualquer tratamento experimental. Não seria impossível, ou sequer surpreendente, observar taxas de 70%, 80% ou até 100% em um grupo de 5 ou 10 pacientes — especialmente se esses pacientes foram selecionados de forma não-aleatória, em amostragem por conveniência (como foi o caso!).
Para tornar isso mais concreto: imagine que a taxa real de melhora para pacientes com o perfil dos que recebem polilaminina (cirurgia precoce, centro especializado, lesão de extensão moderada) seja de 40%. Se você selecionar 8 pacientes desse grupo, a probabilidade de que pelo menos 6 deles (75%) melhorem é de cerca de 17% — ou seja, longe de impossível. A probabilidade de que todos os 8 melhorem é menor, mas ainda assim não é zero (~0,6%).
Mas isso que nem estamos levando em consideração o viés por erro de classificação inicial. Se todos esses 8 pacientes nunca tiveram uma lesão completa de verdade, e vc equivocadamente atribuiu ASIA A a todos eles, é quase certo que vc encontrará uma taxas milagrosa de conversão nesse seu estudo!
Terceiro: o processo seleção desigual torna qualquer comparação impossível.
Os pacientes que receberam polilaminina não foram sorteados aleatoriamente. Foram selecionados, receberam cirurgia precoce, em centros especializados, com acompanhamento intensivo. Muitos foram classificados como ASIA A nas primeiras horas — o período de maior incerteza diagnóstica. Todos esses fatores inflam a taxa de conversão observada, independentemente de a droga funcionar ou não, quando se comparado a uma amostra da literatura que foi selecionada através de processos e critérios completamente diferentes!
Por que precisamos de um estudo controlado?
O estudo de Lammertse é um dos exemplos mais didáticos sobre por que relatos de caso e séries não-controladas são insuficientes para determinar se um tratamento funciona.
Se os pesquisadores não tivessem incluído um grupo controle, teriam observado que 7 dos 26 pacientes tratados com macrófagos melhoraram (26,9%). Teriam comemorado: "Quase 27% dos pacientes com lesão completa melhoraram após o tratamento; não é milagroso, mas já é algo!"
Teriam sido publicados relatos de caso emocionantes, com pacientes descrevendo como recuperaram sensação após receberem o tratamento inovador.
Redes sociais teriam amplificado essas histórias.
E a opinião pública seria de que o tratamento funciona, e o prêmio Nobel é uma questão de tmepo.
Apenas por causa do controle sabemos que a realidade era outra.
O grupo que não recebeu o tratamento se saiu melhor.
O tratamento, neste protocolo específico, provavelmente não funcionou — e talvez até tenha sido prejudicial.
Sem o grupo controle, jamais teríamos descoberto isso.
É exatamente por isso que não podemos, de forma alguma, concluir que polilaminina funciona com base em relatos de pacientes individuais que melhoraram após recebê-la, por mais emocionantes e inspiradores que esses relatos sejam; por mais que a gente queira que pesquisadores brasileiros tenham conseguido encontrar um tratamento revolucionário.
É imprudente colocar a carroça na frente dos bois, e a história da medicina está aqui para provar isso.
Existe uma receita infalível para vc comprovar que QUALQUER tratamento "é capaz de fazer as pessoas voltarem a andar".
Vou ensinar só uma vez.
Passo 1:
Aplique seu tratamento em uma amostra de pacientes que tiveram lesão medular em menos de 72h, período em que é impossível determinar se alguém vai ficar tetraplégico pro resto da vida ou não
(o leigo não sabe disso, e é importante que vc não explique isso pra ele)
Passo 2:
Certifique-se de que nessa amostra de pacientes NINGUÉM tem lesões medulares gravíssimas.
Por exeplo, um caso de fratura-luxação C4-C5 com subluxação bilateral das facetas que chegou ao pronto-socorro em 2 horas, intubado, sem qualquer movimento abaixo dos ombros. Na admissão: ASIA A, nível motor C4, nível sensorial C4, sem ZPP, sem sensação sacral, sem contração anal. Na ressonância, hemorragia intramedular de 3,5 cm de extensão centrada em C4-C5, com edema de C2 a C7 e perda quase completa do sinal medular normal no nível da lesão. SSEP e MEP completamente ausentes abaixo de C4.
Como a probabilidade deste paciente estar (e permanecer) tetraplégico é extremamente alta, é importante que ele NÃO seja incluído no estudo.
Agora, caso 2:
(esse vc vai incluir no estudo)
Homem de 58 anos que caiu da escada e teve hiperextensão cervical sobre espondilose pré-existente em C3-C5. Sem evidência de fratura, mas há estenose de canal preexistente agravada pelo trauma. No pronto-socorro, o residente de neurocirurgia de plantão encontra no exame neurológico no paciente q está agitado, com dor, sob efeito de opioide, e nas primeiras 2 horas do trauma:
- membros superior sem qualquer movimento detectável em mãos e punhos (bilateral)
- deltoides com esboço de contração (grau 1/5), difícil de confirmar pela agitação
- bíceps sem contração evidente
- membros inferiores sem movimento voluntário detectado em nenhum grupo muscular testado
- toque retal, realizado rapidamente, não revela contração anal voluntária
- sensação sacral S4-S5 incerta pq o paciente não consegue cooperar
- reflexo bulbocavernoso ausente.
No prontuário, o residente anota "tetraplegia completa, ASIA A, nível motor e sensorial C4, sem preservação sacral, indicada ressonacia de urgência e avaliação para descompressão cirúrgica"
Na ressonância, o radiologista vê achados compatíveis com síndrome de medula central, o que é consistente com lesão incompleta, embora a classificação clínica no prontuário diga ASIA A
Na discussão em equipe, o neurocirurgião responsável considera que o paciente se encaixa nos critérios para receber polilaminina: lesão medular aguda, ASIA A, nível entre C4 e T12, dentro de 72 horas do trauma, com indicação de cirurgia de descompressão (conforme protocolo registrado no ReBEC: https://t.co/gaAYkSKBF1)
A família é informada de que o prognóstico é altamente incerto; alguns achados preocupam, é possível que recupere muito bem, mas não dá para descartar um grau considerável de comprometimento para o resto da vida. O médico informa que um novo tratamento está sendo testado, e pode ser aplicado no paciente. Mas isso precisa ser decidido/feito agora, durante a cirurgia. Depois, não tem como. A família aceita que a polilaminina seja administrada durante a laminoplastia cervical que foi feita para descompressão da medula.
Passo 3:
Monitore e registre a evolução clínica dos pacientes.
Divulgue os casos de sucesso como prova de que um milagre aconteceu: pessoas tetraplégicas, que nunca mais voltariam a andar, estão tendo uma evolução sem precedentes
Em questão de alguns dias, os pacientes já mexem os dedos dos pés. Em uma semana, dobram os joelhos. Em três semanas, dois pacientes já deram os primeiros passos com andador
Poste as filmagens nas redes sociais e conte com a ajuda de influenciadores e páginas de fofoca para que o "milagre da polilaminina" viralize
E claro, o mais importante de tudo:
JAMAIS revele ao público que os casos em questão não se tratavam de "lesões irreversíveis"
Jamais revele que um dos pacientes, por exemplo, tinha uma síndrome de medula central — uma lesão incompleta por natureza, causada por hiperextensão cervical sobre uma estenose de canal que ele já tinha antes do acidente
Jamais revele que a ressonância magnética mostrava apenas um edema focal de 1,2 cm, sem hemorragia, com a medula estruturalmente intacta -- o que, para qualquer especialista, aponta prognóstico relativamente favorável
Jamais revele que a classificação inicial de ASIA A poderia estar errada, pois foi feita durante o choque espinhal, em um paciente agitado, com dor, sedado com opioide, e cujo exame sacral foi inconclusivo (mas registrado como "ausente")
Jamais revele que a verdadeira extensão da lesão foi conhecida apenas quando o choque espinhal se resolveu, dias depois, e que provavelmente se tratava de uma lesão incompleta como a ressonancia sugeria.
Jamais revele que o padrão de recuperação visto nos primeiros dias é descrito na literatura científica há mais de 70 anos como a evolução clássica e esperada dessa síndrome, com ou sem qualquer tratamento experimental.
Deixe que a mídia e o público leigo acredite que os pacientes que receberam polilaminina estavam realmente "tetraplégicos". Que realmente tinham "lesões irreversíveis", que apenas um milagre poderia fazer com que se mexessem novamente.
E, mais importante ainda:
Deixe que a mídia e o público leigo acredite que qualquer tentativa de esclarecer os fatos ao redor deste tema, no fundo, sejam ataques à pesquisadora responsável pela descoberta da molécula. Melhor ainda se acreditarem que são ataques politicamente motivados, ou que são ataques pelo mero fato da Doutora Tatiana ser uma mulher. Deixe que acreditem nisso. Esse será um bom escudo.
Se tudo der certo, você conseguirá convencer muitas pessoas de que o seu tratamento é eficaz. Ou melhor, milagroso. Mesmo que isso não seja verdade.
É indiscutível que existem pacientes que melhoraram depois de receber polilaminina. Indiscutível.
O que deve ser discutido é a atribuição dessa melhora à droga em si. Melhorar depois do tratamento não significa que melhorou por causa dele.
O problema é que essa discussão está sendo SILENCIADA, e isso me preocupa muito.
Em parte, esse silenciamento ocorre por causa dos posts virais sensacionalistas, que páginas de engagement-farming e influencers estão reproduzindo.
Postagens que endeusam a Tatiana Sampaio, dizendo que a pesquisadora "fez tetraplégicos voltarem a andar", estão moldando a opinião pública de uma maneira completamente bizarra.
Muitos já estão em uma fase tão avançada do que parece uma lavagem cerebral que, ao se deparar com qualquer questionamento às alegações prematuras (e não comprovadas) de benefícios da polilaminina, entendem que se trata de um "ATAQUE" à divindade Tatiana Sampaio — e partem para ofensas, insinuações e até mesmo ameaças.
Fato é que não há (ainda) qualquer comprovação empírica de que isso seja verdade. Não há nenhum estudo ou observação concreta da realidade que nos convença de forma razoável que isso seja verdade.
[Vou tentar explicar isso aqui. Já aviso que talvez vc precise dedicar alguns minutos da sua vida para ler e entender. Mas acho que vai ser proveitoso.]
"Pq não podemos dizer que polilaminina funciona?"
Será possível dizer que "pessoas estão voltando a andar graças à polilaminina" apenas se tivermos certeza que elas NÃO teriam melhorado da forma que melhoraram caso não tivessem recebido a droga.
"Mas o que poderia explicar esse retorno de capacidade funcional e redução do comprometimento funcional, que não um efeito da polilaminina?"
Muitas pessoas não sabem disso, mas uma lesão medular não é uma sentença. As pessoas não necessariamente ficam "totalmente paralisadas", e as pessoas podem melhorar com o tempo. Vou explicar:
Quem sofre uma lesão de medula espinhal é avaliado de acordo com a escala ASIA (American Spinal Injury Association Impairment Scale) para determinar os níveis sensoriais e motores afetados.
A escala possui cinco níveis de classificação, que vai desde uma perda completa da função neural na área afetada (ASIA A), sem qualquer função motora ou sensória abaixo do nível da lesão; até até normalidade completa (ASIA E), onde todas as funções do paciente estão OK, sem prejuízo.
Isso já ajuda a desmistificar o pensamento "tudo ou nada" do senso comum sobre lesão medular. Na realidade, existem 5 graus de comprometimento: os piores casos são ASIA A, e os menos piores ASIA C/D.
Mas o mais importante aqui é entender que as pessoas que sofrem lesão medular podem, sim, melhorar o seu grau de comprometimento inicial.
(Sim, até mesmo pessoas com "lesão completa", que são as que estão recebendo polilaminina. Mesmo nesses casos, não é raro ver progressão.)
Primeiro: existe uma taxa de conversão não-trivial de pacientes com 'lesão completa' (ASIA A) para lesão incompleta (ASIA B, C ou D) mesmo sem receber tratamento algum. Dados da literatura mostram que isso ocorre com até 15% dos pacientes.
[Lembrando: "taxa de conversão" é a proporção de pessoas que inicialmente estão em uma categoria de gravidade (p. ex., ASIA A) e, com o passar do tempo, passam para outra categoria (p. ex., ASIA B).]
Mas há uma taxa de conversão maior ainda na presença do tratamento usual padrão ouro: imobilização e primeiros socorros imediatos, minimizar lesões secundárias (com otimização hemodinâmica e cirurgia de descompressão precoce) e fisioterapia intensiva precoce. Dados da literatura mostram que, nesse cenário "ótimo", a conversão de ASIA A para ASIA C/D pode acontecer com até 40% dos pacientes.
Se não houvesse QUALQUER conversão...
Se os pacientes inicialmente classificados como "ASIA A" definitivamente NÃO recuperassem qualquer capacidade motora ou sensória...
Não precisaríamos de estudo algum.
Bastaria aplicar polilaminina em alguns pacientes e ver o que acontece. Caso melhorem, as únicas explicações seriam: 1) um milagre sobrenatural, ou 2) a polilaminina conseguiu reestabelecer as conexões sinápticas perdidas, causando ganho de função que caso contrário com certeza não teria sido possível e viabilizando uma conversão sem precedentes de "ASIA A" para "ASIA B/C/D", que seria impossível acontecer na ausência de um tratamento eficaz.
Mas isso simplesmente não é verdade, como agora você sabe. As pessoas recuperam função sim, mesmo os casos de lesão completa (ASIA A).
Existe um problema adicional, no entanto...
Pacientes inicialmente classificados com lesão completa (ASIA A) são, na realidade, frequentemente pacientes com lesão incompleta (ASIA B/C/D).
Em outras palavras: muitas pessoas recebem um "diagnóstico" errado. Paciente chega no hospital, o profissional encarregado de conduzir os testes da escala ASIA faz os procedimentos necessários e chega na conclusão de que é ASIA A, quando na realidade não é.
[Por sinal, nada disso é especulação minha, está tudo bem documentado na literatura. Existe um grande overdiagnosis de 'lesão completa', que pode chegar a 20-40% dos casos. Isto é, até 40% dos pacientes com 'ASIA A' são re-classificados como 'ASIA B, C ou D' quando o exame é repetido posteriormente!]
Esse "erro" não é incompetência. Esse erro de classificação ocorre devido a dificuldades no exame físico nas primeiras horas/dias desde o evento traumático que originou a lesão medular.
1. Choque espinhal: uma fase transitória de arreflexia (ausência completa de reflexos musculares), que pode levar dias e até semanas para resolver. De maneira geral, muitas 'lesões incompletas' podem parecer 'lesões completas', pois os reflexos e sensações sutis estão temporariamente prejudicadas.
Cabe destaque aqui à ausência de reflexo bulbocavernoso, que é sugestivo de lesão completa. Mas se a ausência deste reflexo é por causa do choque espinhal (e não por causa da lesão em si), estamos classificando o paciente com ASIA A (lesão completa) incorretamente. Nesse caso, uma melhoria posterior é completamente esperada, e pode perfeitamente não ter sido causada pela polilaminina, mas sim pela resolução do choque espinhal.
2. Edema: esse é mais intuitivo, qualquer lesão gera inflamação e edema. Nas primeiras horas/dias, é muito difícil descartar a possibilidade de que o edema e prejuízos temporários em neurotransmissores estejam mascarando uma função neurológica que, no fundo, está preservada. Esse é mais um fator que enviesa a avaliação inicial na escala ASIA, fazendo com que o operador "erre pra cima", e diga (incorretamente) que pacientes com 'lesão incompleta' têm 'lesão completa'.
É por isso que as diretrizes da área sugerem cautela na determinação do diagnóstico/prognóstico do paciente com lesão medular dentro dos primeiros 7-10 dias. Qualquer avaliação de grau de comprometimento é muito incerta. Muitas vezes é prudente deferir uma classificação definitiva antes da resolução completa do choque espinhal, registrando "grau de comprometimento indeterminado" ou, ao menos, registrar 'ASIA A' como uma "lesão presumivelmente completa". Infelizmente, entretanto, muitos pacientes são rotulados com 'ASIA A' sem essas nuances.
Ou seja: quem diz para um paciente com lesão medular que acabou de chegar no hospital que ele "nunca mais vai voltar a andar" tem grande chance de estar contando uma inverdade, dando uma notícia ruim desnecessariamente.
Mas não dá pra dizer que esse erro não é conveniente.
Muitos médicos podem preferir classificar a lesão como mais grave do que ela realmente pode ser por uma questão de cautela, porque preferem não criar muita expectativa no paciente.
Em contrapartida, se o médico diz que o paciente "nunca mais vai andar" e o paciente volta a mexer um pé semanas depois, isso é frequentemente visto como algo positivo, podendo ser interpretado até mesmo como um "milagre" médico (mesmo que, na verdade, tenha sido apenas uma correção do diagnóstico inicial de comprometimento que foi superestimado).
"Ok, entendi tudo... mas ainda não enxerguei como exatamente isso é relevante para saber se polilaminina funciona"
Na prática, isso tudo importa porque polilaminina é aplicada justamente dentro das primeiras 72 horas desde o evento que originou a lesão medular. Muitos pacientes, como o Bruno Drummond, receberam a polilaminina em menos de 24 horas.
Isso significa que aplicação da polilaminina é feita no momento em que a situação do paciente é extremamente incerta: não temos certeza se é lesão completa mesmo, não sabemos qual é o verdadeiro grau de comprometimento funcional.
Então o paciente pode melhorar em poucos dias/semanas depois de receber polilaminina, com uma progressão excelente, que você não esperaria para uma 'lesão completa' — mas que, no fundo, é uma recuperação que já ocorreria de qualquer forma devido à resolução dos desarranjos neurológicos temporários (p. ex., choque espinhal/edema) e, claro, o tratamento padrão ouro que foi aplicado de forma rápida e com alta qualidade, em um centro especializado, como foi o caso de Bruno Drummond.
Em suma:
Para saber se polilaminina funciona mesmo, precisamos garantir que a melhoria que estamos observando nos pacientes definitivamente NÃO FOI causada por (1) melhorias reais devido ao tratamento usual padrão ouro ou (2) correção do erro de classificação inicial.
E a única forma de garantir isso é com estudos científicos experimentais em humanos.
Especificamente, precisamos que esse estudo seja um 'ensaio clínico controlado aleatorizado'.
Devem ser recrutados indivíduos com lesão medular aguda nas últimas 72h, inicialmente classificados como lesão completa ('ASIA A'). Conforme os protocolos iniciais do grupo de pesquisa da Tatiana, a localização da lesão deve ser entre C4 e T12, e os pacientes todos têm que ter indicação de cirurgia de descompressão medular e/ou fixação da coluna vertebral — pois a aplicação da polilaminina é feita durante essa cirurgia.
Metade dos pacientes recrutados serão sorteados para cair no grupo intervenção (polilaminina) e a outra metade para o grupo controle (que pode receber placebo, por exemplo). Ambos grupos devem ser tratados de forma idêntica e acompanhados ao longo dos meses/anos.
Se houver maior e/ou mais rápida recuperação funcional no grupo intervenção, então saberemos que polilaminina é eficaz (e poderemos inclusive estimar qual é o tamanho de sua eficácia).
Em contrapartida, se não houver diferença importante na recuperação funcional entre os dois grupos, saberemos que o tratamento—infelizmente—não é eficaz.
"Ok, mas os pesquisadores certamente já sabem disso e vão fazer as pesquisas, certo?"
Teoricamente, sim. Normalmente é isso mesmo que acontece.
Mas normalmente, para 99% dos tratamentos, a percepção pública é NEUTRA.
Os pacientes normalmente não têm motivos para acreditar que o tratamento funciona. Ele confia no cientista que diz que há uma genuína incerteza em relação à eficácia e segurança do tratamento, e por isso estão conduzindo um ensaio clínico randomizado.
Por isso, os pacientes normalmente tendem a topar participar do estudo e aceitam ter 50% de chance de serem sorteados para receber tratamento ou placebo.
No entanto, a propaganda massiva, exagerada e enganosa que está sendo feita nas redes sociais está fazendo com que muitas pessoas acreditem que o tratamento com certeza funciona — ou que, ao menos, a probabilidade de funcionar é enorme.
Essa percepção é um problemão, pq muitos pacientes podem NÃO QUERER participar dos ensaios clínicos. Afinal, em um estudo há apenas 50% de chance de receber polilaminina. Se a chance de receber o tratamento por via judicial (ou outras vias) é maior, isso significa que muitos pacientes vão evitar os ensaios clínicos.
E o que acontece quando os pacientes evitam ensaios clínicos?
1. Os estudos demoram mais para chegar no número necessário de participantes
2. Os estudos demoram mais para serem finalizados
3. O medicamento demora mais tempo para ter o seu perfil de segurança e eficácia definido
4. O medicamento demora mais tempo para ser aprovado pela ANVISA (caso seja eficaz e seguro)
5. O medicamento demora mais tempo para chegar no mercado e no SUS, o que significa que milhares de pessoas com lesão medular aguda que poderiam ter sido beneficiadas perderão a janela de oportunidade para receber um tratamento que poderia mudar o rumo de suas vidas. "Só" isso.
Isso é o que está em jogo por causa de pessoas e instituições irresponsáveis (ou com segundas intenções) que decidiram fazer uma grande campanha de marketing divulgando informações enganosas, induzindo a opinião pública ao erro.
Eu espero MUITO, de coração, que os ensaios clínicos randomizados sejam feitos.
Que sejam bem feitos, que o grupo de pesquisa receba verba, receba apoio financeiro e apoio intelectual para conduzir esses trabalhos.
Que esses estudos não sejam atrasados por dificuldades no recrutamento
E que a desinformação que estamos vendo não acabe prejudicando a vida de pessoas que poderiam se beneficiar da polilaminina, caso o medicamento se demonstre eficaz mesmo — que é o que todos nós queremos que seja verdade.
Obrigado pela leitura.
A Carteira de Identidade Nacional (CIN) marca uma mudança profunda no sistema de identificação civil brasileiro ao unificar os dados do cidadão a partir do CPF, substituindo os antigos registros gerais emitidos separadamente pelos estados. Integrada ao ecossistema digital do https://t.co/npLFlNFvz7, a nova identidade promete mais segurança, praticidade e padronização no acesso a serviços públicos e privados, embora ainda exija atenção a requisitos e, em muitos casos, a conclusão do processo de forma presencial.
A modernização do pedido pelo portal https://t.co/npLFlNFvz7 reduziu filas e deslocamentos, permitindo que boa parte da solicitação seja feita de maneira online. Para iniciar o processo, o cidadão precisa acessar sua conta no https://t.co/npLFlNFvz7 com nível de segurança adequado, geralmente prata ou ouro, garantindo a vinculação correta ao CPF. Após localizar o serviço de emissão da CIN, o sistema orienta o preenchimento de dados pessoais e de contato, além da escolha do estado emissor, cidade e posto de atendimento, quando há necessidade de comparecimento presencial. Ao final, um protocolo eletrônico é gerado para acompanhamento de todas as etapas.
Antes de iniciar o pedido, é fundamental reunir a documentação necessária, como CPF regularizado, certidão de nascimento ou casamento atualizada e comprovantes de eventuais alterações de nome. Em algumas unidades da federação, podem ser solicitadas informações adicionais, como nome social ou outros dados previstos na regulamentação local. Verificar previamente a situação do CPF junto à Receita Federal e o nível de segurança da conta https://t.co/npLFlNFvz7 evita atrasos e interrupções no processo.
A conferência cuidadosa das informações preenchidas é um dos pontos mais importantes da solicitação. Divergências entre dados declarados e documentos oficiais podem gerar indeferimento ou exigir correções, prolongando o prazo de emissão. Guardar o protocolo do pedido também é essencial, pois ele permite acompanhar o andamento, confirmar datas e horários e realizar ajustes no agendamento, se necessário.