@valentinfurlan_ Uma dúvida de quem não mora em São Paulo: tem muito evento no Pacaembu?
Pq no campo do Palmeiras e no Morumbis sempre ouço falar de algo. Mas lá nunca
Por que uma Santa desperta tanto ódio em quem quer mandar no país?
Pra muita gente, Nossa Senhora Aparecida é a padroeira do Brasil, a mãe de Jesus.
Mas o bispo JB Carvalho chamou Aparecida de “braço direito de Satanás” e pediu que ela deixasse de ser padroeira do Brasil. Foi justamente na igreja dele que Flávio Bolsonaro escolheu ser batizado. Entre tantos pastores, por que se cercar de quem espalha o ódio contra a fé das pessoas?
🔦 Revelando: A Guerra à Santa, com Juliette.
Assista agora no link na bio e no YouTube: https://t.co/1d5HcLiJ4c
UM DIA VOCÊ VAI VER SEU JOGADOR FAVORITO PELA ÚLTIMA VEZ E NÃO VAI SABER
Por @ogustavofuchs
A aposentadoria no esporte quase nunca acontece do jeito que a gente imagina. Nem sempre existe uma última volta, uma despedida perfeita ou um estádio inteiro sabendo que precisa prestar atenção porque aquilo não vai acontecer de novo. Às vezes, o fim chega no meio de uma temporada, em uma lesão, em uma conversa com a família ou em uma decisão que ninguém estava esperando.
Talvez seja isso que tenha tornado a aposentadoria de Lane Johnson tão estranha. Por mais de uma década, ele esteve ali. Tão constante que virou parte da paisagem dos Eagles. Você ligava um jogo de Philadelphia e esperava encontrá-lo no lado direito da linha, fazendo um dos trabalhos menos celebrados do futebol americano parecer simples.
Offensive lineman tem uma relação curiosa com a memória. Quando joga bem, quase ninguém percebe. Não existe replay toda vez que um tackle mantém o pocket limpo. Não existe estatística aparecendo na tela quando um bloqueador impede um sack e permite que a jogada aconteça. Muitas vezes, o melhor elogio que uma linha ofensiva pode receber é simplesmente não ser mencionada.
Lane passou anos sendo excelente assim. Enquanto quarterbacks, running backs e recebedores apareciam nas fotos, ele ajudava a construir o espaço para que aquelas jogadas existissem.
Por isso a ausência de um jogador assim parece diferente. Você não perde apenas um right tackle. Perde uma referência. Um jogador que atravessou técnicos, coordenadores, quarterbacks, derrotas, reconstruções e Super Bowls. Quando alguém permanece tempo suficiente em um time, passa a fazer parte da maneira como uma geração inteira de torcedores se lembra daquela franquia.
Talvez seja esse o lado mais difícil das aposentadorias. Durante uma carreira, tratamos jogadores como se fossem permanentes. Todo domingo existe outro jogo, toda temporada parece trazer uma próxima oportunidade. Sem perceber, começamos a medir partes da nossa própria vida através deles.
Você lembra onde estava quando aquele jogador chegou, quem assistia aos jogos com você, quantos anos tinha. Então ele se aposenta e, de repente, não parece que apenas a carreira dele passou rápido. A sua também passou um pouco.
Ninguém assiste a uma partida pensando que talvez seja a última vez que verá determinado jogador naquele uniforme. A gente reclama de uma falta, de um bloqueio perdido, de uma campanha ruim e fecha a televisão pensando no próximo adversário.
Depois descobre que não haverá próxima vez.
Lane Johnson passou boa parte da carreira protegendo quarterbacks sem chamar atenção. No fim, sua ausência vai fazer exatamente o contrário.
Vai ser impossível não perceber.
E talvez esse seja um dos maiores elogios que um offensive lineman possa receber.
@oAlexPorto Mano, ele quem colocou a máscara de cachorro nos playoffs de 2017. Ele que incorporou o Underdog. Além do brilhante jogador, viveu a Philadelphia e soube ser um Eagle. Vai ser muito estranho olhar pro lado direito e não ver o 65
It is extremely rare to come across a player like @LaneJohnson65. Extremely rare
In the spring of 2013, I found myself on a field in East Texas working out a young Lane Johnson. I believe he was 22 years old
All these years later, to say I am proud of the career you built and the man you became would be an understatement. A Hall of Fame career. It’s been a privilege and honor to have coached you.
I am so proud of you, Lane
Essa me pegou completamente de surpresa. Próximo passo, Canton, 1st ballot. O melhor RT da sua geração, provavelmente.
Fará uma falta GIGANTESCA para os Eagles.
O bolsonarista que mais me intriga nem é o pobre sem consciência de classe. Votar olhando para o próprio umbigo, sem cogitar pensar no próximo e em seus semelhantes, é especialidade da casa.
É o que perdeu parente para a pandemia.
Optar, sem que ninguém te obrigue ou aponte uma arma, por um governo que, além de fascista e corrupto, assassinou mais de 716 mil pessoas puramente por ser irresponsável, complacente e negligente é de uma falta de amor próprio para se estudar.
Ter sangue frio é escolher alguém que matou sua família e tirou a oportunidade do outro continuar vivendo.
Perdi meu pai para a pandemia e sei do que falo. Esse erro eu não assino.
O pai não vota nele porque tá preso.
O irmão não vota nele porque tá foragido.
O outro irmão não vota nele porque vai faltar.
O irmão caçula não vota nele porque vai errar o número.
A madrasta não vota nele porque o detesta.
Se nem a família vota nele, não seja o otário a votar.
Antes do Lula se reeleger, vamos criar mais um emprego?
Preciso de trampo, freela ou fixo. Qualquer coisa com palavras: jornalismo, redação, tradução ou edição.
Podem falar comigo aqui ou em [email protected]
RT da reeleição, por favor? :)
A primeira vez que me relacionei com um site de apostas foi em 2008, levado por um amigo para narrar jogos, pelo telefone, para sites asiáticos, agilizando assim a atualização das partidas no site, sem delay. A ideia do site em si era uma abstração sobre a qual não me detinha. Ganhava em Euros. Minha mancha de cobertura era o interior de SP. Conheci muitos estádios. Era moleque, gostava daquelas horas de estrada. Os Euros pagavam o ônibus, o ingresso, o rango e ainda sobrava um pouco. Dormi muito em rodoviária nestes tempos. Três anos antes disso o campeonato brasileiro teve jogos anulados por escândalo com apostas.
Uns dez anos depois desse meu bico, pedi ao meu amigo Bruno que me ensinasse a ler as odds. Para mim, "4.11" e "2.04" não significavam nada. Não sabia interpretar quem era o favorito. Era simples, e tudo que o Bruno me explica vira doce e simples. Lembro disso, mas não começou ali. Começou em 2022. Foi em Brasil x Sérvia, pela Copa do Mundo. Apostei 100 Reais. Não dei muita bola para a coisa, não achei graça, mas a conta estava feita. O pós-pandemia, a vida que o destino me impôs, qualquer outro fator, não importa: a conta estava feita, e um dia pediria o seu espaço.
Em 2023 ela foi uma figurante. Em 2024, não. Posso te dizer que o estado de saúde, repentinamente diagnosticada e já grave, de minha tia, ou que minhas mudanças e expectativas (inclusive as positivas) de vida nova, tomam alguma parte da história, posso pegar a culpa toda e me carimbar como estúpido, mas a culpa essencialmente é da publicidade alucinante, da plataforma infalível, da sedução calculada secular destes lugares, físicos ou virtuais. A vida de quem cai nessa envolve tentar lembrar todo dia que perdemos para uma máquina do tamanho de um prédio de mil andares, não para nossa humilde imperfeição apenas. Perdi, como muitos. Muito mais do que dinheiro.
Meu pai, em 1984, também perdeu. Para outra dependência, a química. Deixou de me criar, morou na rua por mais de dez anos, sumiu de sua própria vida, morreu. Quantos de nós ainda deixaremos de criar, ou de ter, um filho, uma vida mais feliz, por causa de algum vício? Sim, eles nunca acabarão. Tenho tatuagens de Maradona e Amy Winehouse. A dupla têm algo em comum e eles me tocam, suponho, também por isso. Talvez meu pai tenha, ao cair de onde caiu, me ensinado a ter empatia por estas pessoas quebradas. Por um ano e pouco frequentei assiduamente os Jogadores Anônimos em algumas cidades. Carrego cada relato com respeito e amor. Por ética, não posso contar nada sobre nenhum, mas te convido a pensar neles.
Há 19 meses e 12 dias venço as apostas ao não procurá-las. Por ironia e benção, o tema não saiu de pauta para mim no emprego que me coube. As dívidas estão diminuindo, nenhuma é com o banco. Coisas minhas, não importa a ninguém, não é uma vergonha em si. As outras coisas que perdi, o tempo inclusive, não posso recuperar, faça o que fizer. Não foram poucas. Me expus e me exponho. Meu sobrenome é "Iamin", não é "Aquele que teve problema com bets". Não temo o estigma. Depois do tanto de vida e amor que perdi, não temo quase nada. Isso me faz mais um indiferente, ou um anestesiado, do que propriamente um destemido. Um anestesiado que não se omite. Cujo trabalho já teve o patrocínio de uma delas, uma cagada, mas que vai ficar sempre neste lugar: patrocínio, não coleira. Não me domestica a palavra, porque tampouco temo a suposta contradição e o clamor por uma coerência que seria, na verdade, além de compromisso com o erro, uma covardia. Sou um adicto de apostas esportivas, vencendo há 19 meses. Não um covarde.
É impossível ser mais claro o tipo de consórcio de perversões e crimes que compõem este mercado. O universo das bets, em especial o cassino de algoritmo, é o encontro de quase todas as tragédias sociais possíveis. É a delinquência absoluta de gestos e atuações, sejam publicitárias, sejam fiscais. A maior fuga de capital da história deste país. A lavanderia de dinheiro mais clamorosa e fácil que já existiu. Foram dias cansativos, porque falar do tema, ver o tema em todo lugar, faz o cérebro lembrar de dias em que sofreu. Quem conhece o vício, a ressaca, a abstinência, respeita. Em 2008 eu falava "home team, danger area" ao telefone para um chinês atualizar um site onde alguém, do outro lado do mundo, colocava dinheiro à espera de um gol do Mogi-Mirim contra o Araçatuba. Hoje eu falo com quem quiser falar: as bets, pela forma como foram concebidas e hipertrofiadas no Brasil, não são compatíveis com uma sociedade minimamente funcional.
Se tivessem sido alimentadas, desde o começo, com menos delinquência, ganância, cinismo, com menos Virgínias e Carlinhos, talvez houvesse um caminho. Se a recente CPI tivesse sido séria, e não sabotada pelo lobby das apostas, também talvez. Mas elas construíram um império da canalhice, se cercaram dos marginais mais inclassificáveis disponíveis no mercado influencer, estruturaram tudo para depender delas de alguma forma, anunciaram o banditismo de suas contabilidades com clareza suficiente até para um grande avoado notar algo errado, e se tornaram essa coisa sem solução. Sem solução, porque é só problema, da cabeça aos pés, do corpo até a alma.
Tempo demais sendo gasto com esta gente. Quero olhar para quem sofre de verdade e foi esmagado por algo que saiu de controle. Minha DM é aberta. Meu whatsapp prioriza estes. Eu sou amigo de qualquer pessoa que sofreu com isso, e vou usar, para sempre, a voz que eu tiver para falar sobre esta gente. Os clubes de futebol e os marmanjos da retórica do "veja bem" eu deixo no fim da fila.