As crianças no Brasil jogavam futebol na rua 6 horas por dia, sem parar, por puro prazer. Não por dinheiro. Talvez pelo prestígio que dava ser bom de bola no bairro. Claro, em algum momento descobriam que isso dava muita grana.
E isso acontecia em cada rua do Brasil. Não paravam nem quando arrancavam o tampão do dedão do pé ao chutar o asfalto quente. Os pés eram calejados. Só paravam quando a mãe colocava para dentro de casa na base da chinelada ou quando a bola caía na casa do vizinho chato, que a devolvia furada.
Quem era bom de bola arrumava um clube para treinar. Mas tinha que pegar ônibus e trem cheio, com 13 ou 14 anos, para chegar ao treino. O prazer era o futebol. O dinheiro vinha como consequência.
O sonho? Jogar no clube de coração e vestir a camisa da seleção.
Agora? Ir para a Europa, ficar milionário, se relacionar com as mulheres mais bonitas do mundo, exibir carrão, joias e relógios. O futebol, de fim, virou meio.
A geração Neymar é o auge da manifestação desse (não tão) novo padrão.
Com 13 anos, ele já era milionário. Tinha empresários, sucesso. O futebol era o meio para o seu sucesso, medido pelos seus contratos milionários, joias, namoradas e milhões de fãs.
As coisas mudaram muito. Não poderia ser diferente com a seleção brasileira.
Tem como recuperar a nossa essência? O prazer de jogar bola? O sonho de vestir a camisa do clube de infância por toda uma vida? Ter de volta, como maior objetivo de vida, ser campeão da Copa do Mundo, em vez de ser, simplesmente, um milionário?
Talvez.
Para isso acontecer, muita coisa tem que mudar. E não falo sobre futebol.
@bialanz Pior que não. Naquela barbearia, as maiores atrocidades eram uma mãe bolsonarista, a "arte" que eles faziam nas cabeças das pessoas e me obrigar a passar horas ouvindo trap.