Pedro Guilherme? Vi jogar. Um dia, quando falarem sobre os grandes camisas 9 que vestiram o Flamengo, eu vou poder dizer com orgulho que estive aqui. Que vi de perto uma dessas aberrações bonitas que o futebol, de vez em quando, permite existir.
O Flamengo sempre esteve disponível para o Gerson. Pronto para ser vitrine, recuperar seu futebol e mostrar seu talento pro mundo.
Veio quando quis, saiu quando quis.
O clube ofereceu sua estrutura e sua torcida pra que o joker se sentisse em casa, mas foi tratado como porta giratória.
O motivo só o Gerson sabe.
Olhando de fora, o Flamengo foi uma plataforma valiosa para transferências milionárias em duas das três vezes que tentou a sorte na Europa jogando em mercados secundários.
Até sair pela segunda vez do Rubro-negro, Gerson tinha atingido o status de capitão, líder do elenco e considerado a representação da torcida em campo.
Craque, habilidoso, raçudo, incansável, incontestável e até cogitado para seleção brasileira.
Afinal, não seria esse reconhecimento esportivo a busca daqueles meninos que começam jogando descalços na rua e alcançam o alto nível?
Mas o Gerson saiu.
Escolheu não viver as glórias do futebol no lugar que disse ser sua casa pra assistir tudo de camarote de dentro do campo com outra camisa.
O que deve ter pensado ao se ver fora da festa?
Talvez tenha percebido que o Flamengo SEMPRE seguirá seu caminho sedento por títulos e consagrando novos ídolos.
O futebol e suas escolhas. E que ele esteja feliz com a sua.