Essa foi a forma como a polícia entrou na minha casa.
Lá dentro estavam apenas minha filha Laura, de 15 anos, e minha sogra, uma senhora de idade. Nenhuma das duas representava perigo algum para ninguém.
Minha sogra pediu apenas um minuto para prender meus cachorrinhos, que estavam assustados com toda aquela movimentação.
Foi nesse momento que, com a arma em punho na direção dela, o policial mete a mão na porta e chuta para entrar.
Porque, claro, uma senhora tentando proteger dois cachorrinhos assustados devia representar uma enorme ameaça para a operação.
Minha filha viu tudo.
Foi dessa forma que entraram na nossa casa.
As imagens estão aí. E cada um tire suas próprias conclusões.
Um peso, duas medidas
Hoje a tropa de choque do Regime foi atrás do irmão de André Mendonça. Acusam o ministro de ter votado a favor da Prefeitura de São Paulo na ADPF 1196 — a ação sobre a concessão dos serviços funerários — e, em troca, ter visto o irmão, Alexandre de Almeida Mendonça, promovido a secretário-executivo da SP Regula.
Nenhuma irregularidade foi comprovada. Correlação não é causalidade. Alexandre entrou na agência em fevereiro de 2024 e virou superintendente em julho daquele ano — antes do voto. Só foi a secretário-executivo em junho de 2026, mais de um ano depois. O voto de Mendonça, em março/abril de 2025, foi para não referendar as cautelares de Flávio Dino. Gilmar pediu destaque e zerou os votos. Fux pediu vista. Não houve favor a Ricardo Nunes.
A nota da Prefeitura acerta o ponto que derruba a tese: quem representa o Município no STF é a Procuradoria Geral do Município, não a SP Regula. A agência não litiga a ADPF. Sem esse canal, some a engrenagem da “promoção como moeda de voto”. A Prefeitura também diz que Alexandre exerceu gestão administrativa, sem comando direto dos contratos de concessão.
Mas olha que interessante. E se aplicarmos a mesma regra contra Flávio Dino?
Hoje é ele quem relata esta ADPF 1196, ajuizada pelo PCdoB. Dino foi militante do PCdoB por 15 anos e se elegeu duas vezes governador do Maranhão pela legenda. Sua esposa, Daniela Dino Farias Lima, é secretária parlamentar do gabinete de Márcio Jerry — presidente estadual do PCdoB no Maranhão. Jerry foi secretário de Dino. A mulher de Jerry foi chefe de gabinete de Dino no Palácio dos Leões.
E tem mais. Na ADI 7780, sobre o Tribunal de Contas do Maranhão, a Federação Brasil da Esperança — PT, PCdoB e PV — impugnou o ingresso isolado do PCdoB como amicus curiae. Dino rejeitou a impugnação e admitiu o ex-partido no processo do Estado que ele governou. Dino foi ministro da Justiça de Lula, do PT, o maior partido dessa mesma federação.
Foi Dino quem, ontem, reintegrou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, depois de Mendonça tê-lo afastado. Andrei não pediu a Fachin, presidente do STF: peticionou direto a Dino, no processo do Dark Horse. Andrei foi indicado à PF por Dino, quando Dino era ministro da Justiça, e comandou a segurança da campanha e da transição de Lula. Fachin depois suspendeu as duas decisões.
No Maranhão o padrão se repete em estado puro. Dino relata as ADIs 7603, 7605 e 7780 sobre o TCE do Estado que governou, trava nomeações por liminar e deixa o tribunal incompleto — enquanto casos iguais em outros Estados já foram julgados. Em agosto, afastou Daniel Brandão, sobrinho do governador Carlos Brandão, ex-vice e hoje desafeto. No lugar subiu Marcelo Tavares, que foi chefe da Casa Civil de Dino e entrou no TCE ainda no ciclo do grupo. Três cadeiras travadas, a mesma assinatura. Pedidos de impedimento de Brandão e de Raimundo Cutrim estão com Fachin. Dino não se declarou impedido.
Isso porque estou falando só do Dino. Se for para falar de certos outros ministros… Toffoli suspendeu a multa de R$ 10,3 bilhões do acordo de leniência da J&F — grupo para o qual a então esposa, a advogada Roberta Rangel, prestava serviços. Depois arquivou a apuração correlata. Não vou nem falar de Moraes...
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Dennis Cali encabeça a lista dos 11 diretores da PF que colocaram os cargos à disposição em apoio a Andrei Rodrigues.
Cali era oficial de ligação da PF em Miami, junto à HSI, quando ocorreu um fato crucial: em 30/12/2022, foi CRIMINOSAMENTE registrado no sistema americano que Filipe Martins teria entrado nos EUA.
E após o vídeo abaixo, Mário Frias sofreu busca e apreensão em uma clara PESCA PROBATÓRIA.