Flávio começou a fazer a autópsia do próprio bolsonarismo
Flávio Bolsonaro entendeu uma coisa que o pai nunca entendeu: eleição não se ganha apenas com gente apaixonada. Paixão rende passeata, bandeira na janela e grupo de WhatsApp. Presidência exige também o sujeito que olha aquilo tudo de longe e pensa: “eu até votaria, mas não quero entrar nessa família”.
É esse eleitor que Flávio está tentando buscar. E para buscá-lo resolveu cometer uma pequena blasfêmia doméstica: começou a admitir, por atos, que o bolsonarismo fez besteira.
Não espere confissão. Ninguém daquela família vai subir num palanque e anunciar: “papai errou”. Seria como o Vaticano divulgar nota reconhecendo que exagerou na Inquisição.
Flávio faz coisa mais brasileira, mais esperta e muito mais eficiente: corrige o pai sem dizer que está corrigindo o pai. Não pede perdão pelo passado. Começa a contratar gente para não repeti-lo.
A escolha de Cláudio Lottenberg para a Saúde é quase uma bofetada histórica. Colocar ali um homem que criticou a condução da pandemia, defendeu vacinação, máscara, passaporte sanitário e atacou a lentidão do governo Bolsonaro significa uma coisa bastante simples: aquilo não será repetido.
É uma autocrítica terceirizada. Jair não precisa pedir desculpas. Flávio contrata alguém que representa a desculpa.
E ele sabe exatamente o que está fazendo. Não precisa conquistar o bolsonarista que ainda guarda uma caixa de ivermectina no armário como relíquia da família. Esse voto já está praticamente sequestrado pelo sobrenome Bolsonaro.
Flávio precisa de quem foi embora. Do liberal que se cansou do hospício, do isento que odeia Lula, mas não deseja voltar ao recreio ideológico de 2020, do empresário que prefere política externa a briga de condomínio.
Precisa do brasileiro que perdeu alguém na pandemia e não achou graça nenhuma nas bravatas presidenciais. Não precisa converter esse sujeito à direita. Precisa convencê-lo de que não vai viver aquilo outra vez.
Com Eduardo Bolsonaro, a cirurgia foi ainda menos delicada. Diante de Trump, das tarifas e do dano produzido sobre empresas brasileiras, Flávio simplesmente diz que o irmão errou.
Irmão. Errou.
Num clã político em que discordância sempre foi tratada como traição, isso equivale a jogar um prato na parede durante o almoço de domingo. Flávio está transformando a própria família Bolsonaro em objeto de correção política.
E quando fecha a porta para qualquer negociação envolvendo o Pix, estabelece uma fronteira onde parte do bolsonarismo transformou política externa em torcida organizada. Trump pode ser aliado, referência, parceiro, ídolo ou santo de devoção doméstica. O Pix não entra no altar.
O movimento mais importante, porém, aparece nas urnas. Flávio reconhece que falou equivocadamente sobre o sistema eleitoral, aceita as regras e afirma que respeitará o resultado, inclusive se perder.
Jair Bolsonaro terminou seu ciclo político preso à suspeita sobre as urnas. Flávio tenta começar o dele dizendo ao eleitor comum: eu não vou incendiar o prédio se não ganhar a eleição do condomínio.
E aí está a inteligência da operação. Ele não rompe com Bolsonaro, não denuncia Bolsonaro, não abandona Bolsonaro. Continua defendendo o pai nos processos, mantém o confronto com o STF, preserva anistia, segurança pública, conservadorismo e o núcleo liberal da economia.
Flávio não está desmontando o bolsonarismo. Está desmontando as partes do bolsonarismo que espantam quem não é bolsonarista.
É uma faxina eleitoral.
Fica Paulo Guedes, sai a cloroquina. Fica segurança pública, sai a guerra contra a urna. Fica a relação com os Estados Unidos, sai a devoção a Trump quando ela começa a custar dinheiro ao Brasil.
Fica Bolsonaro. Saem alguns Bolsonaros.
@fapyam@CronistaIA Discordo radicalmente... se Bolsonaro fosse inteligente tinha escolhido Caiado para ser o candidato dele... iria atrair o centro instantaneamente... acabava com a reeleição e deixava garantido o caminho para tarcisio na próxima...
@o_antagonista Obviamente que sabiam que haveria críticas da direita e queriam com essa mensagem desanimar o grupo anti governo de irem votar... Tudo intencional e calculado...
Lula falou que nenhum governador resolveu a segurança pública. Mentira! Eu enfrentei o crime organizado de frente e zerei os roubos a bancos em Goiás. Reduzi homicídios e alcancei 86% de resolução dos casos. O PT acumula desculpas enquanto a Bahia padece.
O que fiz por Goiás vou fazer pelo Brasil. Comigo bandido não se cria!
lula nao ta preocupado com a dívida pública
não ta preocupado com a segurança pública, que é coisa só dos estados
não tá preocupado com o tráfico de influência no próprio governo vindo de seu filho e do seu chefe de gabinete
ainda não chegamos na parte que ele está preocupado e vai fazer alguma coisa. vamos eleger um ex-presidente em exercício, cuja função será dizer que não tem nada a ver com nada