Uma mensagem, dois despachos e um jogo político maior do que parece. Ou, "como matar dois coelhos com um cajadada só"
Tudo começa com uma mensagem no stories do Instagram.
Ou melhor, com uma imagem de uma mensagem publicada e rapidamente apagada no perfil de Instagram de Inês Bichão.
O texto, de tom duro e sexualmente explícito, chocou, circulou e foi imediatamente transformado em escândalo público.
Basta olhar com atenção para o texto da imagem para perceber a estranheza.
A linguagem é crua, emocional, pouco estruturada e distante do registo técnico, jurídico e institucional que marca o percurso público de Inês Bichão.
Não há ali rigor argumentativo, nem cuidado linguístico, nem o tom contido que se espera de alguém com formação avançada em Direito, experiência parlamentar e funções governativas.
É legítimo perguntar: faz sentido que uma jurista com este percurso escreva, naquele registo, aquela mensagem?
Para muitos observadores, a resposta é clara: não encaixa nem no estilo, nem no perfil, nem na trajetória académica e profissional conhecida.
Mas a história não parou aí. Pelo contrário: foi aí que realmente começou.
Quando a mensagem surgiu, Inês Bichão já tinha motivos para estar sob escrutínio público.
Em poucos meses, o seu nome apareceu em dois despachos governamentais distintos, ambos assinados por Emídio Ferreira dos Santos Sousa, então Secretário de Estado, primeiro do Ambiente e depois das Comunidades Portuguesas.
O primeiro despacho, datado de maio de 2025, nomeia-a como técnica especialista do Gabinete do Secretário de Estado do Ambiente, com efeitos retroativos a abril.
Pouco depois, em junho, surge um segundo despacho que a coloca novamente como técnica especialista, agora no Gabinete do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
Formalmente, tudo está dentro da lei.
Os despachos cumprem o Decreto-Lei n.º 11/2012 e seguem o modelo habitual destas nomeações.
Ainda assim, a rapidez da sequência chama a atenção.
Em cerca de dois meses, Inês Bichão transita entre gabinetes e consolida uma posição próxima do núcleo político, com estatuto remuneratório equiparado a adjunta de gabinete.
Para quem observa de fora, isto poderá ser suficiente para levantar suspeitas, não de ilegalidade, mas de proximidade política.
É aqui que a narrativa se constrói.
A sucessão de despachos passa a ser apresentada, não como resultado de um percurso académico sólido mas como possível exemplo de “cunha”.
A discussão deixa de ser técnica e passa a ser moral.
Quando entra a moral, entra também a emoção.
A mensagem do Instagram surge, neste contexto, como o rastilho perfeito.
De repente, tudo se mistura: nomeações, carreira, relações políticas e uma mensagem pessoal de teor chocante.
O debate deixa de ser sobre Direito Administrativo ou critérios de escolha para gabinetes governamentais.
Passa a ser sobre caráter, poder e abuso, conceitos muito mais fáceis de comunicar e de viralizar.
E mais uma vez, o efeito político é claro.
A história não atinge apenas Inês Bichão.
Atinge também, por associação, dois potenciais candidatos presidenciais à direita.
João Cotrim de Figueiredo, pela contaminação do espaço liberal com um escândalo moral e sexual.
Luís Marques Mendes, pela ligação indireta ao governante que assinou os despachos e que já manifestou apoio político à sua eventual candidatura.
O resultado? A direita sai fragilizada.
E quem beneficia? A esquerda. Em particular, António José Seguro.
Num cenário em que Cotrim de Figueiredo fica fora da segunda volta, o confronto entre Seguro e Ventura torna-se quase um desfecho anunciado.
O eleitorado moderado concentra-se num único candidato, e a vitória da esquerda surge como uma solução natural.
No meio disto tudo, a questão essencial perde-se: os despachos são legais, a carreira de Inês Bichão é real e o currículo é verificável.
Mas isso raramente interessa quando a narrativa já está montada.
A política moderna vive menos de factos e mais de perceções.
E este caso é um exemplo claro disso.
No fim, uma mensagem pessoal, dois despachos administrativos e uma leitura política estratégica foram suficientes para matar dois coelhos de uma cajadada só: enfranquecem Cotrim de Figueiredo, Marques Mendes e alternativas presidenciais à direita e preparar o terreno para uma segunda volta confortável para a esquerda.
🐾 A verdade não é crime
Há lugares onde a democracia ainda se escreve com maiúscula, mas imprime-se em letra pequena.
Tudo parece funcionar, até alguém resolver vasculhar — e perceber que os números não batem certo.
Foi então que descobrimos que, em certas autarquias, até os votos têm vida própria: uns aparecem, outros evaporam e alguns decidem tirar férias entre a Câmara e a Assembleia Municipal.
Quando alguém tenta perceber a diferença, em vez de um esclarecimento, recebe olhares de quem acabou de revelar o truque do mágico dos boletins de voto entregues em duplicado numa certa mesa de voto.
Porque em Portugal, questionar a aritmética oficial é quase um ato subversivo.
E há sempre quem sussurre: "Deixa lá isso, não te metas."
Mas o "não te metas" é o toque de midas da ameaça — uma dica subtil de conveniência e medo.
Aqui, quem tenta esclarecer é tratado como quem complica; quem procura esclarecimentos é acusado de criar problemas.
É o velho método de sobrevivência do Partido Socialista: em vez de admitir o erro, castiga-se quem faz perguntas e mete o bedelho.
Os heróis por cá não vestem capas — trazem documentos autênticos e dados verídicos e quando pedem transparência, respondem-lhes com ameaças.
Nada mais democrático do que calar os mensageiros e elogiar o equilíbrio institucional.
Mas o mais fascinante é a serenidade com que o poder reage:
"Não há motivo para alarme. A mesa de voto foi validada e os números oficiais estão todos no site do MAI", dizem — e têm razão.
O relógio despertador já toca há anos, mas habituámo-nos a dormir com ele.
Entre a legalidade e a conveniência, Portimão continua a escolher a segunda.
É mais confortável, menos barulhento e, sobretudo, mais previsível.
Enquanto isso, o cidadão comum aprende a linguagem oficial: fala-se em "diferenças materiais", "lapsos técnicos", "erros de apuramento" e... "Quem se mete com o PS, leva!"
Traduzindo: aconteceu, mas não convém que venham para aí os abelhudos do costume!
E quem insiste em traduzir os sinais que vão chegando é rapidamente promovido a inimigo da estabilidade — esse fetiche local, e qui ça nacional, que serve para justificar qualquer irregularidade.
Vivemos num país onde se pode ser perseguido por dizer a verdade, e promovido por escondê-la bem.
Um país que confunde lealdade institucional com obediência cega.
Mas a verdade é como um cão teimoso, tem faro e memória.
E mesmo quando a querem prender, ela volta — de cauda levantada - pronta para farejar onde cheira mal.
🐕 Assinado: @XMuttley – cão de guarda da lucidez, com coleira de sarcasmo e vacina contra o medo.
Ai que horror! 😲
Estou perfeitamente chocado!
Então não é que a ilustre ex-presidente da Câmara Municipal de Portimão, agora deputada europeia, tinha, na sua humilde casinha em Ferragudo, uma piscina e um barbecue ilegal?
Andava a fazer concorrência à Ana Gomes?
Bom, felizmente a história teve um desfecho diferente.
É que em Sintra, Ana Gomes foi obrigada a demolir a piscina e a casa de hospedes ilegal.
Em Lagoa, a Câmara é branda e aprovou o projeto de legalização em 3 de Setembro de 2024.
Resta saber quem foi o autor do projeto de legalização, se a empresa do Emídio Batista ou se foi a Ordem Geométrica.
E mais não digo... 🤐
"Isto é tudo um putedo!" - Portimão - Parte I
Falar de Portimão parece ser um assunto infindável.
A cada cavadela mais "minhocas" aparecem e no fim temos um monte de evidências onde tudo e todos se cruzam no seio do partido que governa Portimão há mais de meio século - o Partido Socialista.
Recordam-se que, recentemente, expus aqui o problema político em que envolveu Álvaro Bila quando, a mulher, tentou registar o nome Portimão como marca registada de vestuário.
Pois bem! Parece que no que se refere a Portimão a "procissão ainda vai no adro" e é muito triste, quando numa democracia, o poder político não serve os cidadãos, mas serve para enriquecer algumas famílias.
Em 2017-2021, Álvaro Bila foi presidente da Junta de Freguesia de Portimão.
Teve como sua tesoureira Maria da Luz Garrancho Santana Nunes que em 2021 viria a ser eleita presidente dessa mesma junta de freguesia, cargo que ocupa até hoje.
Ora, entre 1979 e 1992, Maria da Luz dividiu a sua atividade profissional entre as empresas Masilmar e Seval, sendo que em 1989 criou a sua própria empresa - Anajardins - que viria a dissolver em 2008.
Em 1996, criou outra empresa - a Anaserviços - que desde 2014 parece estar inativa, limitando-se a fazer o seu registo de contas anual obrigatório.
A Anajardins não regista qualquer contrato público celebrado.
Mas, o mesmo já não se pode dizer da Anaserviços, pois foi possível encontrar cerca de 6 contratos públicos celebrados com o Munícipio ou com empresas municipais de Portimão.
Existem provas documentais que Maria da Luz tem estado ligada aos executivos municipais desde 2009, o que significa que houve contratos adjudicados à empresa Anaserviços já com Maria da Luz a pertencer à Assembleia Municipal de Portimão.
Mas em 2010, e porque o assunto poderia vir a dar nas vistas, e com sede exatamente na morada das duas empresas anteriores, a filha mais velha de Maria da Luz - Ana Luisa Garrancho Santana Nunes Tavares - criou a empresa Alghlimpa.
A partir daí foram só 32 os contratos públicos celebrados com o município ou com empresas públicas de Portimão e esta avalanche de contrato só teve fim no ano em que Maria da Luz (a mãe!) foi eleita presidente da Junta de Freguesia de Portimão.
Maria da Luz conta com um historial empresarial vasto, de empresas criadas, dissolvidas e de empresas familiares de fachada criadas para assegurar a adjudicação de prestações de serviços ao munícipio.
Se estas pessoas não servem para o meio empresarial, por que raio servem para gerir juntas de freguesia Apenas, porque têm um cartão do partido?
Portimão não é uma marca: é uma cidade. E não está à venda.
Há limites que não podem ser ultrapassados. E um deles é a fronteira entre o interesse público e os negócios privados de quem ocupa cargos de poder. O recente episódio em Portimão é um exemplo cristalino de como essa fronteira foi testada — e de como só a intervenção de uma entidade independente impediu que se consumasse uma apropriação inaceitável.
O caso: tentar transformar Portimão numa etiqueta de roupa
A mulher do presidente da Câmara de Portimão, Telma Cristina Bila, tentou registar como marca nacional a palavra “Portimão” para a classe de vestuário. Se tivesse conseguido, passaria a deter o direito exclusivo de usar o nome da cidade em peças de roupa, impedindo outros operadores económicos — e até a própria autarquia — de o fazer sem autorização.
O INPI recusou o pedido. Considerou que “Portimão” é uma simples referência geográfica, sem distintividade, e que não pode ser privatizada. Um parecer óbvio, jurídico e tecnicamente correto. Mas o escândalo não está na decisão. Está no atrevimento da tentativa.
O problema é político, não burocrático
Quando o núcleo familiar direto de um presidente de Câmara procura apropriar-se do nome da cidade que ele governa, não estamos perante um simples ato de empreendedorismo. Estamos perante um conflito de interesses flagrante.
Porque não se trata de uma marca inventada, criativa ou com identidade própria. Trata-se de tentar capturar, para uso privado, um nome que simboliza uma comunidade inteira. Um nome que pertence a todos os portimonenses.
As consequências que não podem ser ignoradas
Este episódio tem repercussões sérias:
* Na confiança dos cidadãos: como confiar em quem governa, se a própria família tenta transformar a cidade em negócio particular?
* Na transparência política: o silêncio da autarquia sobre o caso é ensurdecedor e mina ainda mais a credibilidade institucional.
* Na ética pública: a tentativa revela uma preocupante falta de limites entre o que é público e o que é privado.
* Na imagem da cidade: Portimão corre o risco de ser vista como palco de confusão entre negócios familiares e governação local.
O que está em causa é maior do que um registo
O INPI fez o que lhe competia: recusou. Mas a democracia não pode depender apenas da vigilância técnica de organismos administrativos. A verdadeira questão é: como é possível que alguém tenha achado aceitável sequer tentar este registo?
E mais: que outras fronteiras estarão a ser testadas, longe do olhar público, se nem o nome da cidade escapa à cobiça privada?
Portimão não é um rótulo de moda. Não é património pessoal de um presidente ou da sua família. É uma cidade, é identidade coletiva, é comunidade.
A tentativa de registar “Portimão” como marca é um ato grave, que expõe fragilidades de ética política e que deve merecer esclarecimentos públicos imediatos.
Porque numa democracia, o poder não serve para enriquecer famílias. Serve para representar cidadãos. E isso não se regista no INPI — conquista-se todos os dias com transparência e responsabilidade.
A esquerda não esconde o desprezo que tem pela propriedade.
Hoje debateu-se a proposta da IL que aumenenta molduras penais para okupas e cria um mecanismo de devolução praticamente imediato aos proprietários.
A esquerda diz que a questão não é relevante porque há poucos casos.
Alô Portimão...
Mais uma voltinha, mais uma viagem no mágico carrossel...
Aposto que desta ninguém sabia.
A irmã do sr. Presidente Álvaro Bila, na altura vice-presidente da Câmara Municipal de Portimão, foi nomeada secretária de apoio à vereação, em 2022, pela Sra. Dra. Isilda Gomes...
E por proposta de vereadores.... Muito bem!
Depois de ter falhado o concurso para assitente técnica em 2012 na Câmara Municipal de Lagoa, onde obteve a classificação de 12,8 valores, a tânia viria a entrar com grande mérito, para o mesmo posto, na Câmara Municipal de Portimão com a brilhante nota de 16,70 valores, no mesmo ano (2017) em que o seu irmão era Presidente da Junta de Freguesia de Portimão, cargo que ocupava desde 2013.
Vejam só a coincidência de datas...
Ah... grande Câmara Municipal de Portimão!!!!
19 mil euros em ajuste direto.
Uma Presidente alegadamente a proteger a própria imagem.
Um contrato aprovado pelo atual presidente da câmara.
Isto aconteceu em Portimão.
Vê o vídeo. Partilha. Exige respostas.
@Alexandrarfl@psnacml O mercado não resolveu porque não o deixaram funcionar. O PS, apesar de ter "funcionado" durante 9 anos no governo, também não resolveu coisa nenhuma. Mais do mesmo? Não, obrigada.
@Alexandrarfl Os registos de AL estão suspensos desde 2018, senhora! Actualize-se, e deixe de dizer disparates. Esta conversa já não engana ninguém. Para quando a suspensão de licenças de AT e hotéis? Porque existe esta discriminação?