@quadrupla_raiz Sim, ele pode. Assessor parlamentar é indicado pelo deputado, mas quem assina a nomeação é o presidente da Casa. Quem demite também. O chefe dele é o Hugo Motta, ele só fica “locado” no gabinete do deputado.
Duvida? Pesquise. Não tem discussão alguma.
@_jocasousa@SamPancher Ele agiu politicamente ao virar “fonte anônima” pra usar o ICE como forma de contornar o processo de extradição em curso.
Liaison officer tem que seguir o rito e não pode fazer desvio de finalidade, que foi o que ele fez.
Aqui é normal? Talvez. Não deixa de ser errado.
Eu não sou exatamente fã do MBL. Para ser honesto, boa parte dos seus integrantes sequer me desperta simpatia.
Se fosse me colocar num espectro (não necessariamente cinza), eu provavelmente cairia em algo como neutro-detrator.
Dito isso, uma coisa que me irrita profundamente no debate público brasileiro é argumento ruim — especialmente quando ele vem embalado como se fosse uma grande revelação moral.
Especificamente, falo da recente controvérsia envolvendo Guto Zacarias. Ela me parece menos um escândalo moral e mais um caso clássico de ateuzinho de internet que nunca abriu um livro de catecismo.
O “argumento” que está circulando é mais ou menos o seguinte: Guto hoje se posiciona frontalmente contra o aborto, mas no passado teria incentivado uma ex-ficante a abortar. Logo — dizem — ele seria um hipócrita e estaria moralmente desqualificado para defender essa posição.
E aqui entra a parte em que a crítica revela um entendimento de absolutamente nada do que é o cristianismo.
Dentro da lógica católica, o ser humano não é moralmente perfeito. Pelo contrário: ele é falho, peca, erra e cai. A própria teologia cristã parte exatamente desse pressuposto. É por isso que existe confissão. É por isso que existe arrependimento. É por isso que existe penitência.
A ideia central é justamente que as pessoas podem errar, reconhecer o erro e mudar de vida.
Aliás, se a régua moral dos inquisidores de Twitter fosse aplicada ao próprio cristianismo, teríamos que jogar fora metade da tradição da Igreja.
Pedro, o primeiro papa, negou Cristo três vezes.
Paulo — um dos maiores teólogos do cristianismo — perseguiu cristãos antes de se converter.
Agostinho, que foi um dos maiores filósofos da Igreja, passou anos numa vida sexual bastante dissoluta antes da conversão que o tornaria Santo Agostinho.
De acordo com a jurisprudência do tribunal da internet, nenhum deles poderia falar sobre moral cristã, porque “no passado fizeram algo errado”.
O cristianismo (felizmente!) não funciona como um cancelamento permanente administrado por adolescentes com avatar de anime ou idol coreano.
A lógica cristã é outra: queda, arrependimento, redenção.
Então sim, na lógica fria, existe uma suposta incoerência temporal: alguém que, no passado, tomou uma atitude errada hoje diz que aquilo é errado.
Só que isso não é um bug da moral cristã.
É literalmente um dos seus pilares.
O cristianismo não parte da premissa de que os homens são perfeitos. Parte da premissa oposta: os homens pecam, se arrependem e tentam mudar de vida.
Na lógica do tribunal da internet, ninguém pode condenar um erro que já cometeu no passado.
O único problema com tal lógica é, que se levada a sério, os únicos autorizados a defender qualquer princípio moral seriam pessoas que nunca erraram em nada.
Ou seja: basicamente ninguém.
(E lance a primeira pedra quem nunca pecou…)
@OraculoSocial@ggaspari@AdvDoHardware Direito penal não trabalha com “possibilidade abstrata”.
Trabalha com prova.
Se a vulnerabilidade não foi provada, o tipo penal não se configura.
@OraculoSocial@ggaspari@AdvDoHardware Vítima do que?
Nomeie. Eu acho que ela é vítima mesmo, da própria inteligência. Mas isso é sentimento meu. Quem é vítima, é vítima de algo.
Nomeie, por favor.
@OraculoSocial@ggaspari@AdvDoHardware Irrelevante do ponto de vista penal.
Você continua mudando o plano da discussão.
Eu sempre falei do efeito jurídico da sentença penal: o crime imputado não foi comprovado.
Possível discussão civil ou uso social da palavra “vítima” não altera isso.
@OraculoSocial@ggaspari@AdvDoHardware Falsa dicotomia.
Não existe “Mariana mentiu” vs “Mariana não é vítima”
Não provado a tipicidade penal, não cabe falar em vítima. Isso não permite afirmar que a acusação foi leviana ou intencionalmente falsa. Essa exploração nunca esteve na minha argumentação.
@OraculoSocial@ggaspari@AdvDoHardware E de novo: é uma falsa dicotomia
Não existe “Mariana mentiu” vs “Mariana não é vítima”
Não provado a tipicidade penal, não cabe falar em vítima. Isso não permite afirmar que a acusação foi leviana ou intencionalmente falsa. Essa exploração nunca esteve na minha argumentação.
@OraculoSocial@ggaspari@AdvDoHardware Besides the point
A absolvição por insuficiência de provas significa apenas que o crime não foi juridicamente comprovado.
Isso não autoriza afirmar que houve crime, nem tratar como culpado.
O que a sentença estabelece é simples: o tipo penal não foi demonstrado nos autos.
@OraculoSocial@ggaspari@AdvDoHardware Isto é um non sequitur.
Absolvição por falta de provas significa que o Estado não comprovou o crime.
Sem crime juridicamente comprovado, não existe vítima de crime reconhecida no processo.
O direito penal não exige prova de inocência; exige prova de culpa.
@OraculoSocial@ggaspari@AdvDoHardware No processo penal, o que não é provado não existe juridicamente. Sem vulnerabilidade comprovada, não há estupro de vulnerável.
Não estou aqui pra discutir metafísica de alegação. Estou me atendo a fatos e evidências.